Viagem Só de Ida: Que Sonho…

Uma das minhas grandes frustrações nessa vida era morar longe do mar. Como todo bom mineiro, isso me chateava à beça. Mas eu não sou dos mineiros de Belo Horizonte, não… eu sou lá da última cidade do Triângulo Mineiro, o nariz do estado, cá onde o espirro acontece. Iturama, uma cidadezinha bem pequena que não tem nem 40 mil habitantes – pequena, mas muito charmosa, faço questão de frisar, e com água em abundância. É mais fácil se chegar a Brasília do que à capital do nosso próprio estado, de tão na beira que a cidade fica.

Por ser tão pequena, Iturama não tem muita variedade de opções de lazer; um barzinho ou outro, rios e cachoeiras próximos… mas vai batendo uma vontade de fazer alguma coisa diferentes – e mineiro, já viu: o mais diferente pra gente ou é a Disney, ou é a praia. E eu, que moro a mais de mil quilômetros da praia mais próxima, obviamente tinha alguma dificuldade de ir. Afinal, precisaria estar de férias para uma viagem desse tamanho compensar, não é? Mas um dia veio a oportunidade: uma agência de viagens estava com pacotes promocionais pra Ilhabela e pra São Sebastião, as duas em São Paulo, e em São Sebastião é que fica a famosa praia de Maresias. Sempre ouvi falar muito das duas, e só as conhecia por fotos. Pensei em pegar o pacote pra Ilhabela, mas depois pensei bem… e resolvi ir pra Maresias, porque achava o formado reto dela muito curioso. Contratei um pacote e programei a viagem pra dali alguns meses, quando eu estaria de férias e o tempo estaria quente. E lá fui.

Viagem só de ida Maresias

Branco-borracha

Lembro bem da impressão que tive quando cheguei à praia de Maresias e olhei aquela areia pela primeira vez: parecia que alguém tinha passado uma borracha gigante ali, de tão branca! Senti falta daquele tom pardacento tão conhecido das areias litorâneas aqui no Brasil. Digo, eu já sabia que as areias eram claras, mas tanto?? Fiquei boquiaberto.

E como era solta! As ondas não levantavam muita areia do fundo, então elas eram muito claras e transparentes. A primeira praia que conheci na vida (não vou falar porque pega mal) tinha ondas que levantavam tanta areia que a gente saía da água parecendo um croquete de areia! Em Maresias não, a gente só saía molhado.

O problema é que eu tinha levado minha câmera nova e eu ainda não sabia regulá-la muito bem. A maioria das fotos que bati no primeiro dia “estouraram” de tanta luz que a areia refletia! Minha namorada estava comigo, e ela também é muito clarinha – e não saiu em nenhuma. De noite, eu comentei isso com o gerente do hotel, e ele lembrou que uma camareira tinha feito um curso de fotografia. Foi ela quem regulou a câmera pra gente. Aí, sim: fizemos vários registros! Minha namorada ainda saía meio camuflada nas fotos dela na areia (dava pra ver o maiô, mas ela quase sumia), mas nas da água ela apareceu bem direitinho! rsrsrs

Retorno pesado

Foi uma semana incrível na praia de Maresias, e voltar pra casa ficou bastante pesado. Arrumamos nossas malas e fizemos o checkout do hotel como se estivéssemos indo pra um abatedouro. Mas também! Vendo o marzão pela janela enorme do nosso quarto, escutar as ondas a cada blusa colocada na mala… Parecia que o hotel tinha sido construído pra convencer os hóspedes a ficarem mais tempo do que o planejado. Mas não podíamos ficar, então fomos embora. Dois mineiros emburrados dando tchau pro mar e partindo pro interior de Minas, uma região tão linda, mas que já conhecíamos bem até demais.

As semanas seguintes foram dureza. Só falávamos da praia e da nossa vontade de voltar pra lá. Mas Carol deu uma ideia boa: “que tal a gente já fechar outra viagem lá na agência, mas pra outra praia?” E foi o que fizemos. Demos uma pesquisada nos pacotes e hoje estamos decidindo pra qual praia vamos na próxima viagem de férias. Mas que dá uma vontade de voltar a Maresias… ah, isso. Dá…