Segurança na petshop

Se tem um tipo de estabelecimento que está crescendo a olhos vistos são as petshops. Antes, ter um bichinho era simplesmente um modismos mas, agora, virou uma tendência, principalmente a adoção de animais de rua, graças à criação de instituições de recolhimento e encaminhamento à adoção desse tipo de animal.

Como as petshops estão proliferando, os funcionários requisitados para trabalhar nesses locais estão sendo cada vez mais procurados – e valorizados, já que é um trabalho de paciência – e dependendo do humor do bicho, até meio arriscado. Por isso, é importante que cada cuidador de pet use equipamentos de proteção individual quando estiver a serviço, já que ferimentos causados por animais podem ser potencialmente perigosos.

Muito fofinho… mas tinha uma unha!!

Cortar-a-unha-dos-pets-não-é-uma-tarefa-muito-simples.Quem tem gato ou cachorro sabe que uma das missões mais arriscadas é cortar as unhas desses caras. Difícil achar um que fique calmo e aceite aquela lâmina malvada lhe cortando as garras, sua mais eficiente forma de ataque e de caça (quase escutei minha gata falando isso). E já que isso é difícil, podemos supor com facilidade que todo dia é dia de guerra na petshop. Basta o tratador colocar o animal em posição e aparecer com aquele alicatinho especial que, pronto: guerra declarada. O animal se debate e, diante da insistência do tratador, vai tentar se defender da melhor forma que conhece: atacando. Unhadas, chacoalhões e mordidas podem aparecer do nada – e pior: podem acertar seu alvo com perícia e violência.

Óbvio que o primeiro problema desse tipo de evento é a dor, que não é pouca e deixa o tratador receoso de continuar com a operação, mas um dos perigos mais iminentes desse tipo de ferimento é a contaminação. Por mais “limpos” que os animais pareçam (afinal, moram dentro de casa, no apartamento, etc.), eles estão sempre pelo chão. Rolam, se deitam, brincam e, com isso, se enchem de bactérias de todos os tipos. Se você pensar que o chão de sua casa tem as bactérias que você trouxe da rua, já terá uma noção do tamanho do perigo (afinal, vai saber o que andou por ali, e o que foi feito (!!) por ali!). Ao deitar e rolar pelo chão, o animal “adota” aquelas bactérias todas – e se ele arranhou o tratador, o risco daquelas mesmas bactérias entrarem pelo corte e promoverem um verdadeiro “samba do cachorro doido” é enorme.

Por isso, é importante que o tratador esteja usando equipamento de proteção individual e uniformes profissionais constantemente – neste caso, um jaleco mais grosso de mangas longas para proteger os braços e, se possível, luvas grossas, principalmente se o animal já tem histórico de agressividade. Outra atitude interessante (e muito digna!) é chamar ajuda. Convém que o animal seja imobilizado por uma pessoa mais forte enquanto o tratador cuida das unhas. A focinheira também é um EPI de grande importância; mas claro, ela vai no cachorro, não no tratador. No caso de gatos, segurá-lo firmemente pela pele do pescoço será a melhor opção, já que eles ficam imóveis nessa situação.

Olho com cheiro de cachorro molhado

É-preciso-tomar-cuidado-com-as-atividades-relacionadas-ao-seu-pet.Outro cuidado importantíssimo diz respeito ao banho dos animais. Quem tem gato sabe a odisséia que é quando se tenta dar banho em um (os poucos casos onde o animal aceita pacificamente vão parar na internet, mas são a minoria). E quem tem cachorro conhece bem aquela sacudida que eles dão na tentativa de se secarem um pouco.

Pois bem: se o banho for em um gato, pode chamar ajuda antes mesmo do animal chegar à petshop. Ele vai tentar fugir de todo jeito, vai dar unhadas, vai miar, vai rosnar – e sua mão vai ficar escorregadia, portanto a idéia de segurá-lo pelo pescoço pode não dar certo. Use o traje adequado e as luvas (e reze, se achar conveniente). Se o banho for em cachorro, além de usar o traje adequado, lembre-se também de usar óculos de proteção. Não que o bicho vá conseguir unhar seu rosto, mas o problema é a água do banho. A quantidade de sujeira que sai dos pêlos de um animal doméstico é muito grande, e assim a água fica lotada de pêlos, sujeira e o próprio shampoo utilizado. Se esse “caldo” acertar os olhos do tratador, além do óbvio desconforto e ardência que virão, poderá acontecer também uma contaminação bastante séria por bactérias, que podem causar o afastamento prolongado do emprego.

Lembre-se também de proteger os pés. O uso de botas apropriadas evita que os pés se molhem durante os banhos dados ao longo do dia, além de evitar também escorregões que podem machucar tanto o tratador quanto o animal (caso ele caia junto). O tombo pode ser simples, mas pode ser grave também, com direito a luxações, distensões e até fraturas.

Portanto, nada de se arriscar. Quando o assunto é cuidar de animais em petshop, respeite-os, mas respeite a si próprio também.