São Tomás de Aquino e a Felicidade

São Tomás de Aquino, nascido entre 1225 e 1227, próximo a Nápoles, na Itália, era filho de nobres e foi um dos maiores doutores da Igreja. Um dos requisitos da perfeita felicidade, segundo Tomás é que a dita felicidade aconteça nesta vida. Que seja contínua e permanente.

Dentre as operações humanas a investigação da sabedoria é aquela em que o homem pode perseverar definitivamente. Qualquer atividade do corpo acarreta cansaço. Na especulação da sabedoria a inteligência se utiliza minimamente do corpo, seguindo-se um trabalho e fadiga mínimos com a máxima continuidade e permanência. Assim, a fortuna última do homem consiste na contemplação da sabedoria.

“A vida que descansa na observação da verdade é melhor do que a vida que acontece de acordo com o homem”, diz Tomás de Aquino. A vida conforme o homem ordena-se em consenso com a razão, os afetos e as atividades dos sentidos e do corpo. Contudo, repousar na atuação da inteligência parece ser próprio dos entes superiores ao homem, nos quais não há corpo, somente natureza intelectual, da qual o homem tem uma participação de acordo com a sua inteligência. O ser contemplativo não vive mais enquanto homem, dos apetites sensíveis e suas paixões, da imaginação, do prolongamento dos cinco sentidos da natureza intelectual; mas conforme algo de divino que nele existe, na medida em que sua inteligência é semelhante ao divino. Parafraseando Aristóteles, Tomás afirma que “como o intelecto, na comparação aos homens é algo de divino, assim também a vida investigativa segundo o intelecto compara-se à vida moral, assim como a vida divina se compara à humana”.

São Tomás se situa no prolongamento da filosofia grega pré-socrática, como Tales e Heráclito que se entregaram à contemplação da natureza e, admirando o universo, o chamaram de Cosmos, que em grego significa mundo ordenado, organizado. Segundo seu biógrafo e discípulo, Guilherme de Tocco, “este doutor entregou-se às coisas do alto, contemplativo de modo admirável. Na maior parte do tempo estava ausente dos sentidos, de tal modo que mais se supunha estar ele onde o seu espírito contemplava do que onde estava seu corpo”.

Definido como “o estado místico em que o espírito se prende às coisas divinas, desprendendo-se por completo das coisas terrenas”, o ato de contemplar ou meditar, para Tomás de Aquino era instrumento de felicidade e busca da sabedoria. E para nós? Fica aqui a sugestão para uma leitura mais aprofundada de sua vida e obra, com certeza edificante para o nosso crescimento pessoal e a aquisição de uma compreensão peculiar da felicidade, busca incansável de todos nós.