Quando as coisas são nossas

A gente sempre ouve falar por aí que “fulano deixou cair e quebrar porque não era dele, porque se fosse teria tomado mais cuidado”, não é? Temos esse entendimento de que, se não é nosso, se não foi conquistado com nosso esforço pessoal, “não tem problema” se quebrar ou estragar. Essa é a explicação simples para esse comportamento aparentemente tão imaturo: como não sabemos quão caro é aquele objeto, ou como foi difícil consegui-lo, não parece tão sério assim se tivermos menos cuidado com ele. Não é?

Na verdade, é claro que não deve ser assim. Objetos emprestados, ou cedidos numa situação de emergência (um carro do vizinho, por exemplo) devem ser especialmente cuidados, exatamente por não serem nossos. Por mais que seja comum vermos por aí que as pessoas não são cuidadosas com os pertences alheios, esse não é o comportamento correto. Devemos ter até mais cuidado, exatamente por não ser nosso! Afinal, imagine com que cara você vai explicar que deixou o video-game cair porque não estava segurando muito firme? Com certeza vai ser um momento bem chato. É o mesmo cuidado que temos com nossas coisas quando nos mudamos, por exemplo. Não procuramos sempre por uma empresa bem conceituada? Nem exigimos que ela tenha a frota mais nova do mercado, os baús mais bonitos ou o guarda-móveis mais sofisticado, mas queremos que ela seja a mais bem falada e melhor avaliada, não é?

Cuidando do que é alheio

emprestar-para-amigosQuando pegamos algo emprestado, independente da situação, o dono espera que tenhamos cuidado – afinal, aquele objeto provavelmente custou algum dinheiro para ser adquirido. Ou mais importante ainda: pode ser algo de família. Imagine o valor emocional num objeto com esse tipo de história?

Algumas pessoas, por outro lado, exageram. Já se viram casos de amigas que emprestaram roupas para outras e, antes de devolver, enviaram as peças para uma lavanderia especializada, para que a roupa voltasse lavada, passada, perfumada e protegida por aqueles cabides com capa plástica. E isso porque eram roupas comuns, nada de tecidos nobres ou roupas de festa!

Uma vez vi um vizinho devolver embalados em plástico-bolha e em caixas de papelão especiais todos os copos de vidro que um tio meu emprestou para ele. Eram copos comuns, nada de especial; não eram de família, não eram caros, não eram de design difícil de encontrar no mercado… Mas o vizinho fez questão de trazê-los com o cuidado de quem está transportando cristais. Acho que nunca mais vi atitude parecida!

Cuidando do que é seu

Como minha avó já dizia: “a gente faz com o dos outros o mesmo que fazemos com o nosso”. Ou seja, se cuidamos bem das nossas coisas, é certo que cuidaremos do que pertence a outras pessoas – não por obrigação, mas por hábito. O que é ótimo, não é?

pertences-emprestadosÉ importante termos a percepção de que tudo o que é nosso custou dinheiro a alguém – ou o nosso, ou o dos nossos pais, ou o de algum amigo que nos presenteou; e que se está conosco é porque, em teoria, cuidaríamos bem daquilo. Obviamente, acidentes acontecem, e isso é entendido por todos (ainda que seja difícil explicar que ter derrubado aquele vaso caríssimo foi acidente). Mas muitos podem ser evitados se estivermos mais atentos à nossa conduta: um desastrado normalmente o é porque não está atento ao ambiente à sua volta, e a solução é passar a prestar mais atenção. Pessoas ansiosas tendem a se mover mais rapidamente, de maneira “elétrica” e acabam se tornando peritas em derrubar objetos. A calma e a tranquilidade de pensamento, difíceis para um ansioso, é a solução. E por aí vai.

E você? Está com alguma coisa emprestada de alguém?