Papo de peso

Um novo empreendimento é sempre cercado de dúvidas, metas e desafios a vencer. Começando pela idéia de montar um negócio, é necessário fazer um estudo muito cuidadoso sobre o mercado e suas preferências, as empresas concorrentes que já existem, fornecedores, insumos disponíveis, mão de obra, logística, etc. E nem estamos falando de indústrias! Qualquer empresa, mesmo que prestadora de serviços, precisa estar atenta a todos os detalhes acima, além de muitos outros típicos de sua área de atuação.

Já as diferentes modalidades de indústrias precisam pensar um pouco mais, pois seus processos são ainda mais complexos. Além de tudo isso, ainda precisa pensar em maquinários, fornecedores de equipamentos e peças de reposição, mão de obra qualificada e constantemente aperfeiçoada, estocagem e logística de estoque e de distribuição. E a estocagem é mais complexa do que pode parecer – não é só empilhar a produção em paletes e pronto.

Cuidado no transporte

A-diferença-de-estoque-é-muito-grande.O estoque da produção é diferente do estoque de insumos. BEM diferente. O estoque de insumos em geral é composto por grandes galpões que contêm a matéria-prima para produzir os produtos; quando dizemos “em geral” é porque cada estoque de insumos varia de acordo com a área de atuação da empresa: se é do setor alimentício, automobilístico, musical, etc.

Vamos supor que estejamos avaliando uma fábrica de geladeiras. A fábrica manipulará materiais plásticos, metálicos, de vidro e gases especiais para refrigeração, e essas coisas não podem ficar misturadas. Cada setor desta fábrica terá seu próprio setor de fabricação e sua linha de produção e, por conveniência logística, o estoque de matéria-prima correspondente ficará próximo de cada linha de produção (plásticos perto da linha de produção das peças plásticas, metais perto da linha de materiais metálicos, etc.). Estes insumos podem ser manipulados com menos cuidado, inclusive por tratores e pás carregadeiras.

Já os produtos prontos devem ser tratados com mais cautela. No nosso exemplo, falamos sobre geladeiras. São eletrodomésticos que precisam estar em perfeita ordem de montagem para que funcionem adequadamente, de acordo com as especificações de cada modelo e sem colocar a vida do usuário em risco. Portanto, precisam ser armazenadas de forma cuidadosa e segura, tanto em seu transporte ao longo da fábrica como dentro do galpão estoque. Para agilizar o processo, é comum que se coloque um certo número de itens sobre paletes e um operador de empilhadeira se encarrega de transportá-los até um local ainda vazio do galpão.

Dois pesos, duas medidas

Esse cuidado no transporte deve fazer parte da lista de preocupações de um empreendedor, pois fará parte do dia-a-dia da empresa e fará muita diferença – especialmente se não for realizado com cuidado e gerar acidentes e perda de unidades! Além dos galpões de armazenagem, ele deve pensar também nas características dos paletes de transporte a usar em cada etapa da produção.

Os paletes servirão para transportar apenas o produto já pronto, ou também os insumos de produção? Qual o preço de cada produto finalizado? Quantos cabem num palete? E os insumos, como devem ser estocados e movimentados até a linha de produção? Todas estas perguntas devem ser respondidas para que a logística interna seja realizada com precisão. Mas como escolher o palete certo?

A rigor, pode-se encomendar estas peças com tamanhos personalizados, além de materiais diferentes – e por tabela, capacidades diferentes. Porém, existem padrões já definidos que podem atender a empresa e também ao comércio, sem conflito de tamanhos na área de armazenagem (afinal, se para o fabricante é importante que o estoque esteja sempre organizado, para o comércio também, por isso é conveniente que os paletes sejam iguais.

Paletes-EURO-que-são-referência-até-como-medida-para-a-padronização-de-estoque.Os formatos padronizados mais comuns no Brasil são o PBR e o Euro. Os paletes PBR foram criados em 1988 pela ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados) exatamente com foco nesta padronização dos estoques. Com dimensões de 1m x 1,20m, eles têm capacidade para cerca de 2 toneladas de peso estático (em estoque) e 1,6 tonelada de peso dinâmico (em transporte).

Já o palete padrão Euro é ligeiramente menor, com 1,20m x 0,80m e capacidade para 1,60 tonelada de peso estático e 1 tonelada de peso dinâmico. Este padrão foi criado na Europa em 1961 com a mesma finalidade do PBR aqui no Brasil: uniformizar a estocagem dos produtos nos fornecedores e nos distribuidores.

Apesar das diferentes dimensões e capacidades, tanto os paletes PBR quanto os Euro são compatíveis com as empilhadeiras disponíveis no mercado, assim como os paletes personalizados. Isso é importante, pois se não fossem, seria necessário criar empilhadeiras personalizadas – dor de cabeça desnecessária, não é?

Voltando ao assunto dos produtos…

Tendo conhecimento das dimensões e das capacidades de cada tipo de palete, é hora do empreendedor verificar qual é mais aplicável à produção de sua empresa. Como dito anteriormente, isto é importante para agilizar o processo de transporte do produto finalizado desde a linha de produção até o galpão de estoque e, depois, até o distribuidor. Quanto mais fácil este transporte se torna, mais eficiente se torna o escoamento da produção e o atendimento à demanda.

E nem parecia tão importante, não é?