Organizando a carga nos paletes

Quando observamos a rotina de funcionários transportando cargas em um depósito, ou carregando um caminhão, não pensamos muito a respeito. Vemos aquelas pequenas empilhadeiras movendo-se habilmente como formiguinhas, com um homem dentro pilotando aquela máquina tão pequena e tão ágil, levando um produto de grandes dimensões (por exemplo, uma geladeira) ou várias caixas contendo caixas menores dentro (por exemplo, caixas de biscoitos). Já está tudo “pronto” e nos distraímos com a movimentação naquele local.

Porém, não nos damos conta de que esse transporte todo é planejado desde o início do processo – ou seja, desde o momento em que os volumes são colocados sobre o palete. Aposto que nunca pensou sobre isso, não é? Quando vemos uma geladeira sendo transportada, ou um outro grande produto qualquer, ou uma série de caixas colocadas umas sobres as outras, podemos ter certeza de que houve planejamento prévio ali para que nada saísse errado no momento do transporte.

A magia prévia

É verdade: só é preciso fazer com que estes produtos saiam do ponto X e cheguem ao Y intactos para a venda. Ok. Mas como garantir que chegarão assim, em perfeito estado? Começa já no armazenamento.

As-instruções-contidas-nas-caixas-de-papelão-são-mais-importantes-do-que-realmente-parece.Talvez você já tenha reparado (ou não) nas caixas de papelão que vemos em tudo que é canto (se você já se mudou, conviveu com várias delas!) que todas têm uma série de instruções impressas em uma de suas faces. Algumas informam se o produto em seu interior é frágil, qual o peso máximo elas podem suportar sobre elas ou mesmo quantas caixas daquele mesmo produto podem ser empilhadas umas sobre as outras (chama-se “empilhamento máximo”).

Estas informações podem vir através de símbolos ou escritas por extenso, mas o importante é que elas são o norte do funcionário que está cuidando daquele transporte. É importante que estas informações sejam seguidas à rica para evitar danos a produtos que ainda nem foram colocados à venda – mesmo porque, se ficar comprovado que o dano foi feito durante o transporte, a empresa responsável pode sofrer multa, pode ter que arcar com o valor do produto danificado ou pode até mesmo perder o contrato com o fabricante (mas isso é outra história).

Já algumas caixas trazem uma informação a mais: elas informam a maneira como as caixas devem ser organizadas sobre o palete. “Ah, mas que bobagem! É só empilhar ali em cima e pronto! Eu já sei até quantas caixas posso colocar por cima da outra, pra que essa frescura?”. Nem tanta frescura assim. Um dos motivos do fabricante informar esse tipo de instrução na caixa tem a ver com a segurança dos produtos. A forma como eles estão dispostos dentro da caixa não é aleatória: ela pode ter proteções extras apenas em alguns pontos e ela quase nunca é conhecida pelo transportador (afinal, ele não estava na fábrica, não tem como saber). Assim, quando se organiza as caixas da forma indicada, todo o conjunto fica coeso e a proteção fica eficiente. Por exemplo, uma máquina de lavar costuma ter cantoneiras de isopor quando sai da fábrica, mas nenhuma proteção nas faces laterais. Portanto, é fundamental que elas sejam colocadas exatamente lado a lado para que as cantoneiras de cada uma façam seu papel. Se uma ficar “torta” em relação à outra, a quina de uma pode forçar a face lateral da outra, mesmo estando com cantoneiras, e isso pode provocar amassões. Percebeu?

Regras de segurança

Padronização-dos-paletes-PBRMas existe um outro motivo também para estas instruções de empilhamento: o aproveitamento do espaço disponível no palete. Paletes têm medidas padrão que podem ser a brasileira (a medida PBR de 1,20m x 1,00m) ou a européia (EURO 1,00 x 0,80m). As caixas têm seu tamanho dimensionado de acordo com as medidas do produto, mas quase nunca coincidem com as medidas dos paletes – ou seja, quase sempre vai ter um pedaço sem uso ou então uma caia passando do limite do palete. Para evitar – ou ao menos diminuir esse problema logístico, os fabricantes sugerem uma forma de organizar as caixas nos paletes para aproveitar o máximo de espaço possível neles e, ao mesmo tempo, propiciar um transporte seguro de seus produtos.

Contudo, estas instruções não são obrigatórias. Ainda que o convencional seja que o transportador use paletes com medidas padrão, ele pode estar fazendo uso de paletes com dimensões personalizadas – e nesse caso, essas instruções de organização das caixas provavelmente não vão ser tão efetivas. O transportador pode, então, definir sua própria organização. Desde que o transporte seja eficiente a ponto de levar o máximo de carga em cada viagem, e seguro a ponto de nenhum produto sair danificado do galpão (e nem os funcionários sofrerem acidentes por caixas caindo de empilhadeiras), está tudo certo.

É… logística de transporte de carga não é assim tão simples!