O Tempo De Cada Um

A cena ocorreu num local de trabalho. Serviço saindo pelo ladrão, todo mundo ocupadíssimo. De repente, três pessoas ao mesmo tempo querem ser atendidas por alguém. O desespero do solicitado é visível. Espera-se uma explosão. Porém, surpresa! Ele abre um sorriso enorme e sai-se com esta: – Como me sinto importante quando tem um monte de gente querendo falar comigo!

Tratava-se de uma brincadeira, naturalmente. Serviu para quebrar o nervosismo. Os três cairam na gargalhada, assim como todos na sala. A conversa com cada um pôde ocorrer calmamente e eles tiveram o tempo solicitado.

Uso o fato para refletir sobre aquelas pessoas que tem prazer em deixar você esperando por eles. Sobre quem usa o tempo dos outros como instrumento de poder. Sim, porque no momento em que deixamos alguém perdendo tempo sem necessidade, estamos nos atribuindo uma importância que não temos. Cria-se uma relação de falsa superioridade.

Quem for do time que se desespera em saber que tem alguém esperando, que me siga. Se a pessoa está aguardando por nós é porque o assunto por si só já é importante. Não é preciso atribuir a si importância maior que a conversa, fazendo as pessoas tomarem o temível chá de banco mais que o necessário. Podemos ser gentis e objetivos com quem está na nossa frente sem deixar de ter em mente que outras pessoas nos aguardam.

Abominável mesmo é estar sozinho, ainda que com tarefas internas e não atender por achar que o outro pode esperar. Todos queremos ser atendidos prontamente, seja em casa, no trabalho, nos lugares onde vamos a negócios. O mínimo que pedimos é respeito, cortesia e bom atendimento.

  • Felipe

    Rackel, ótimos artigos você tem publicado no Murall!