O Controle Total do Estado na Educação

Analisemos, juntos, a seguinte parábola: havia um povo que possuía uma única, mas abundante fonte de água e vivia feliz com a fartura de alimentos proporcionados pela farta irrigação que naturalmente era feita pelos regimes de cheia do seu rio, de forma semelhante ao que acontece a milênios nas margens do Rio Nilo. Esse povo por comodidade enveredou-se para o culto da ociosidade, afinal era só jogar as sementes que a natureza se encarregava do resto. Até que um belo dia essa atmosfera celestial foi perturbada pela súbita interrupção da água de seu único rio, o caos foi total, como sobreviveriam sem as benesses da natureza? Não tinham resposta. Então o fanatismo religioso e político tomaram por completo toda a sociedade daquele já não tão bucólico país, mas o que teria acontecido para que essa catástrofe inesperadamente ocorresse? A resposta estava bem longe dali, outro povo que sempre viveu privado das abundâncias dos recursos naturais, onde milhares pagaram com a vida pela escassez de água, onde gerações e mais gerações sempre focalizaram no objetivo de desenvolvimento intelectual que proporcionasse a manutenção da vida em sua sociedade, então, após dezenas de anos de estudo desenvolveram um plano que previa o desvio artificial do curso do rio em sua nascente, e poderiam finalmente contar com a fartura em suas próximas colheitas, esse povo que sempre viveu privado da água comoveu-se com o seu vizinho e comprometeu-se em fornecer água suficiente para a sua sobrevivência, desde que submetesse ao seu governo o controle político e militar do país. Quem é o vilão da história? Essa resposta é pessoal, podendo variar de acordo com a visão de mundo de cada pessoa, mas o herói não, ele é invariável. O grande herói é a educação, um povo instruído nunca é dominado, se ele vai dominar outro povo é uma nova questão, o que quero focar é que a liberdade só pode ser alcançada através da promoção do conhecimento.

A sociedade jamais entregaria o controle total de seus recursos naturais fundamentais sem a devida regulamentação e fiscalização, a grupos privados, entretanto o faz com a educação, mesmo sendo ela a questão de maior relevância estratégica no mundo, atualmente. O sistema educacional não é dimensionado corretamente, as implicações que esse descaso provoca são semelhantes às sequelas causadas pela guerra, uma terra devastada e estéril. Essa é a herança dos povos que não promoveram o conhecimento, isso não significa que após alcançarmos à evolução cientifica o próximo passo seja necessariamente o domínio de outros povos, sinceramente não acredito nisso, mas acredito piamente que só com a promoção do conhecimento garantiremos a preservação do nosso modo de vida. A defesa da educação encontra-se no mesmo patamar da defesa territorial do nosso país, e quando abordamos esse aspecto de defesa constitui um erro a desvinculação de ambos, e se não podemos entregar a defesa de nossa soberania a outros povos, analogamente não podemos entregar o sistema educacional a ninguém mais que não seja o Estado Brasileiro.

Poderia continuar com inúmeras divagações a esse respeito, contudo vou direto ao ponto como sempre tenho feito a educação não é apenas um dever do Estado e sim sua atividade fim. Cabe somente ao Estado a implantação, manutenção e gerenciamento das diretrizes educacionais onde em nosso território fosse proibida a ingerência do Capital nos processos de obtenção de conhecimento, confesso que pode parecer uma abordagem radical, mas custa-me conceber que se ganhe dinheiro com a educação e a saúde também. Essas duas atividades devem ser atribuições exclusivas do Estado, e como já mencionei anteriormente não estou preocupado com os modelos adotados pelos povos do norte, ao contrário fico feliz quando consigo vislumbrar algo que vá de encontro a eles. O sistema educacional é importante demais para atrelarem-se as leis de mercado, onde a possibilidade de lucro é que determina os investimentos, não defendo regimes socialistas, ao contrário tenho antipatia a todos os implantados (reafirmo quantas vezes for necessário), defendo a democracia, a livre iniciativa e o direito de liberdade, mas isso não significa que o estado deva omitir-se quando trata dessas questões por temer uma radicalização. É o fortalecimento das garantias individuais que promoveram a justiça, o Estado não deve, portanto, temer em usar suas prerrogativas para assegurar o desenvolvimento científico de nossos jovens, uma nação em que todos tenham acesso ao conhecimento será sempre uma nação livre, independente do governo que possua. O sistema educacional só deve ser oferecido pelo estado, um só povo e um só sistema educacional, do mesmo modo que o sistema de saúde, o ensino também proporcionará uma integração maior da sociedade brasileira onde as pessoas independentes de sua classe social se reconhecerão como brasileiros.