Mercado Editorial – Esquecê-lo ou Atendê-lo?

Mercado Editorial

Mercado Editorial no Brasil

Os livros, desde que inventados, vem sendo alvo de eternas discussões, sejam do conteúdo deles,ou deles propriamente dito. Hoje estamos vivemos mais uma transformação, do formato dele, do físico para o digital, e com isso surge às dúvidas se o livro físico deixará realmente de existir ou não. E sobre o que é escrito, o que se fala?

Segundo a 3ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, em 2012, há cerca de 88,2 milhões de leitores em território brasileiro, representando 50% da população total brasileira, 178 milhões com mais de cinco anos de idade. Esse número alto, em um país de extensão continental, com certeza deve aquecer, e muito o mercado editorial, não?

O mercado de livros no Brasil vem crescendo ano a ano, tendo uma taxa de expansão de 7% em 2012 com relação a 2010, de acordo com a CBL (Câmara Brasileira do Livro). Porém esta expansão ainda é pequena se comparada com o número de leitores em potencial que há no Brasil. O que afasta estes leitores do mercado?

Inúmeros fatores contribuem para que, quem lê, não compre livros, e um dos principais está no preço do livro. Embora as classes média e alta, sempre tenham desfrutado dos benefícios da leitura, as classes baixas não tiveram este privilégio. O aumento do número de bibliotecas, conforme o país crescia, contribuiu para que as populações carentes tivessem acesso ao conhecimento dos livros, e não permanecessem totalmente à par.

O preço elevado vai de encontro com os altos custos de produção, assim como do pequeno número de vendas que ele proporciona, resultando em preços elevados para compensar as despesas. Com o aumento da renda da população, sua busca por lazer cultural aumentou, aumentando as vendas também, e tendo como reflexo o barateamento do livro, que ainda assim custa caro para centenas de pessoas.

Outro fator é que entrar no ambiente das livrarias, onde se limitava as elites e pessoas “endinheiradas” e esnobes, assusta muitas pessoas. Por isso preferem não entrar e procurar um livro, por não se sentir a vontade naquele espaço. Recentemente lojas do varejo, e redes de supermercados e empresas como Avon e Jequiti, adotaram o mercado dos livros e o vêm levando as grandes massas, elevando o números de livros vendidos.

Onde ficam os produtores do teor do livro? Como tem se adaptado a estas mudanças?

Os autores têm acompanhado as mudanças do mercado, se adaptando a ele, pois, do contrário, como obteriam sustento com sua escrita? A literatura deixou de ser de uma distração da elite culta, e passou ao grande povo, que não possui um hábito de ler grandes obras. Nisto entram os Best-seller.

Best-seller são livros que buscam entreter o leitor e levá-lo, de forma eficaz e envolvente, ao mundo proposto pelo autor. E em que eles se diferem dos outros livros? Vendas. São livros que vendem milhares de exemplares, enquanto um livro comum vende de 1000 a 3000 exemplares, em toda a sua vida.

A literatura mais dinâmica, e menos envolvida com propostas acadêmicas, deixa a elite da escrita de cabelos em pé, indignada com a entrada destas obras em seu domínio. A crítica brasileira não vê com bons olhos livros que fogem ao padrão acadêmico, de obras literárias. Será que a função de um livro é apenas entreter velhos professores de literatura, entediando seus alunos e mofando nas estantes das bibliotecas? O principal objetivo de um livro não é ser lido? E se ele é lido por milhares de pessoas não cumpriu o seu papel de entretenimento e difusor do saber humano?

Para os críticos, isso tudo não basta. É preciso mais, muito mais que isso. E de preferência, vendas baixas, muito baixas, fugindo das grandes massas, mantendo-se restrito as elites, verdadeiras merecedoras de uma literatura de qualidade. Desde o advento da escrita, quem realmente as dominavam e desfrutam de seus benefícios foi uma pequena elite, as massas ficavam com os restos que lhes cabiam, o mais básico e prático dela. E perder este controle assusta muitas pessoas.

Os novos leitores buscam distrair-se das longas horas de trabalho, filas, trânsito e monotonia de suas vidas. E os livros são uma excelente forma de perderem-se em outros tempos, outras civilizações, culturas, mundos e seres. Tudo mostrado conforme vira as páginas. Porque lerem mais do mesmo que vivem? Uma vida cinzenta, desprovida de interesse e acontecimentos memoráveis? Onde está a graça de voltar para casa, sair do trabalho e ao abrir uma página, voltar para o mesmo lugar que saíra?

A chamada literatura de entretenimento busca afastar as pessoas desta vida pacata e singular, para algo diferente, triste, emocionante, alegre, pacato, agressivo, os mais diversos sentimentos humanos. Contudo, apenas por não tratar de forma entediante e maçante o mundo real, é descartado e abandonado pela crítica brasileira.

Com isso fica a dúvida central dos escritores. Agradar a crítica, pleitear grandes prêmios e honras literárias, tendo seus livros esquecidos em cantos obscuros das livrarias e bibliotecas, conhecidos nas universidades, mas com vendas ínfimas. Ou procurar entender e agradar ao grande público, sem se preocupar com prêmios e honras, mas sim com as vendas, ter ser livro lido por milhares de pessoas, aumentando sua fortuna pessoal. Qual dos dois vale mais? Encontrar o meio termo é uma solução, porém conseguir é a questão.