Livro: As Tecnologia da Inteligência

LIVRO – AS TECNOLOGIAS DA INTELIGÊNCIA

AUTOR – PIERRE LÉVY

Tradução – Carlos Irineu da CostaEditora – 43 Ltda.
“O futuro do pensamento na era da informática”

As relações entre os homens, o trabalho, a própria inteligência dependem na verdade da transformação incessante de dispositivos de informação mais do que dos outros tipos como a escrita, leitura, visão, audição, criação, aprendizagem são capturados por uma informática cada vez mais avançada.No século XX foram feita elaborações reflexões profundas sobre motores e máquinas nas operatrizes, mas contudo não se pode mais conceber o mundo sem a informatização de modo geral, e como exemplo: as pesquisas científicas sem uma aparelhagem complexa que redistribui as antigas divisões entre experiência e teoria, o ensino a distância que esta proporcionando tantos benefícios a pessoas que não tem como freqüentar diariamente um curso presencial, a telefonia que muitas vezes ajuda e salva vidas e nos traz o mundo virtualmente falando ao nosso lado, enfim acho que preencheria algumas paginas com os benefícios das “tecnologias da informatização”.

A correta e precisa tradução de Carlos Irineu da Costa ilustra que um dos principais agentes de transformação das sociedades atuais é a técnica, ou melhor, as técnicas, sob suas diferentes formas, usos diversos e as complicações que têm sobre o cotidiano e sobre nossas atividades, e com um agradavel texto para uma base técnica, escrito em linguagem clara e regular; na relação entre Educação e Comunicação, quase sempre a educação é reduzida, escola e livro que há vários séculos organizam o sistema educacional.Na França nos anos 80 informatizaram as escolas, mas com material de péssima qualidade entre equipamentos e softwares, foi decepcionante, pois pensavam num trabalho audiovisual, que teoricamente seria muito bom, mas não foi, pois os professores não foram instruídos adequadamente e os software escolhidos aleatoriamente, programas rudimentares, muito dinheiro, tempo e mão de obra perdida, pois não houve um planejamento que é necessário ter e orientação em todos os sentidos; a tecnologia pode e ajuda muita na educação desde que se faça com projetos.

Atualmente se vê e ouve tecnologia da impressão, tecnologia da indústria, tecnologia da agricultura, agricultura da informática, Pierre Lévy diz: “O cumulo da cegueira é atingido quando as antigas técnicas são declaradas culturais e impregnadas de valores enquanto as novas são denunciadas como bárbaros e contrarias a vida”. Alguém condena a informática e não pensa nunca em criticar a impressão e menos ainda escrita isto porque a impressão e a escrita são técnicas tanto quanto a informática. Através do computador estamos conseguindo perceber o mundo, isto não são apenas um plano teórico, processos cognitivos através de leitura informática, pois essa experiência pode ser estruturada também pelo computador; quando surgiu o telegrafo e o telefone serviram para pensar na comunicação em geral, portanto vamos pensar agora além da comunicação também na educação em conjunto.

O desafio que a discussão coloca para a educação não se resume apenas na apropriação de um conjunto de regras tecnológicas, outros modos de ver, de ler, de perceber e principalmente de representar.  A escola muda quando revê o conceito de cultura e permite a entrada da ciência e da tecnologia, tanto como de dispositivos que implicam em incorporar as novas tecnologias de comunicação e informação como tecnologias intelectuais – se referindo diretamente a Lévy e na hipótese da compreensão. Mas, como poderíamos entender o circulo comunicativo diário para além da discussão teórica? Para não reduzir a riqueza e a inovação do termo pode-se dizer que: esses sistemas mentais poderiam ser também técnicos.

Entretanto, admite-se que as novas tecnologias nos auxiliam a perceber que não há uma única forma de estruturar o pensamento, a idéia, a percepção e principalmente a representação é uma das discussões que a comunicação está travando hoje com as tecnologias e com a produção de conhecimento. Entretanto, ainda precisamos discutir coletivamente e decidir que o respeito às diferenças não eliminam o respeito à vida. Perceber que há várias verdades sobre um mesmo tema e idéia não é desrespeitar o outro, ao contrário, é respeitar o outro – é respeitar seu processo, sua história, seu cotidiano e principalmente como esse outro conseguiu sobreviver nesta sociedade contraditória, confusa e muitas vezes até desumana.