Fukushima – Nível 7

Como muita gente desconfiava e tantos tinham certeza, a tragédia na usina nuclear de Fukushima chegou ao nível 7. E agora que acontece? Inventamos um nível oito, um nove e um dez?

Fukushima, Japão

Fukushima, Japão

Dizem que todos esses outros níveis existem só que ninguém se preocupou em considerá-los.

Também pra quê né se estaremos todos mortos? Assim é melhor parar no 7 mesmo e rezar muito para que não vá adiante.

Não podemos nos esquecer que o Japão é um arquipélago cujo território é um pouco maior que o estado de São Paulo. Tokyo está logo ali, um pouco mais de 200km de distância. Que fazer então? Evacuar 12 milhões de habitantes?

E para onde?

Podemos afirmar desde já que uma região considerável do país morreu, que jamais poderá abrigar seres humanos ali. E para sempre! Que palavra tremenda e absurda meu Deus! A não ser que alguém esteja decidido a viver 300.000 anos para me contestar.

E se o núcleo do reator estiver se fundindo? Poderá penetrar no terreno até encontrar um lençol freático em seu caminho? Nesse caso aí sim a coisa ficaria preta para todo mundo. A água evaporada, com altas concentrações de radioatividade subiria para atmosfera e então babau. Vai chover radiação onde o vento decidir.

Pode ser logo ali ao lado, na China; pode ser a quilômetros e quilômetros de distância, como no Brasil por exemplo. E então nosso complexo de inferioridade, disfarçado de ufanismo, cairá por terra:

Yes, não temos vulcão, não temos terremoto! Mas temos uma boa e bela chuva radioativa!

Ou então:

como é bom meu alfacezinho contaminado! Come filho, come que alface faz bem!”

Por isso o problema japonês não é mais um problema japonês, é mundial! No entanto, cadê as notícias na mídia, nos telejornais do Brasil e do mundo?

Quem ou o quê estará por detrás de tanto silêncio pra lá de suspeitoso?

Onde está a ONU que rapidinho patrocinou o bombardeio na Líbia e não tomou qualquer providência para enfrentar os problemas que já ocorreram e que irão piorar em breve lá em Fukushima?

Estranho silêncio. Apenas umas notinhas espalhadas aqui e ali.

O nuclear rende grana minha gente e por isso, em busca do lucro que proporciona, passa por cima de tudo. Que o diga o infeliz Niger, um dos países mais pobres e corruptos do mundo que teve a infelicidade de ter o subsolo rico em urânio – a região de Arlit agoniza envenenada pelas minas de urânio à céu aberto que contaminam a terra, o ar e as escassas fontes de água daquele sedento e miserável país.

A propósito, a maior empresa nuclear do mundo e proprietária de minas em Arlit é a AREVA, multinacional francesa.

Nesse ínterim o presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi o primeiro chefe de estado a visitar o Japão depois da tragédia.

Hum!

Essa visita teria algum motivo especial além de uma simples solidariedade diplomática?

Hum! Hum!