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Dívidas e Reparos Históricos

O estado não deve promover a mendicância distribuindo esmolas que são as medidas assistencialistas, deve ater-se a distribuir de forma eqüitativa a Justiça. Mas é justo aplicarmos o mesmo critério a indivíduos que de forma artificial foram colocados à margem da cadeia produtiva? Defrontamos com outro grande paradigma brasileiro, que é a dívida histórica aos índios e afro-descendentes principalmente, paradigma devido ao fato de termos essa dívida, mas não se pode paga-lá promovendo a mendicância e tão pouco pode exigir submeter a grande parte da população que se encontra bestializada aos balizamentos da Lei.

O enfoque deve ser mudado, como coloquei no princípio deste trabalho, ao invés dos assistencialismos medidas que promovam a inserção dos excluídos na cadeia produtiva e elevando sua auto-estima. A dívida deve ser aceita e a forma de pagamento nunca confundida com filantropia e sim como reparações históricas, focado principalmente nas futuras gerações, afinal, a recuperação de certos segmentos a séculos artificialmente excluídos é inviável nos restando somente à reintegração dos mais jovens. É duro e cruel pode ser, mas é a verdade, não adianta negar que a recuperação de certos indivíduos é impossível e resta-nos, infelizmente, tentar salvar as maçãs boas no cesto que apesar de nossa total omissão ainda não se estragaram.

A reavaliação de fatos históricos do nosso país é imperiosa para que avancemos, essa revisão sustentasse por questões óbvias afinal não estamos, pelo menos abertamente, em meio a um conflito onde forças que oprimem travam duelo pelo poder contra os que são oprimidos, nossa sociedade prega que uma relação harmoniosa entre todos os setores deva ser o objetivo comum, mas essa visão se choca com a seguinte questão, as versões históricas não foram ajustadas, o lado vencedor unilateralmente desfila sua versão, seus heróis, suas conquistas enquanto que os perdedores são obrigados a reverenciar esse desfile humilhante. A maior parte do que é ensinado nas escolas constitui um atentado contra a auto estima dos afros e indo descendentes, levantarei alguns pontos.

O mito da bondade da colonização portuguesa persiste entre nós, sinceramente não sei por que razão. Nossa colonização foi a mais cruel, duradoura e bárbara das impostas pelas potências européias no Novo Mundo, a forma como Portugal e, posteriormente o Império Brasileiro e a República que herdaram sua estrutura, reprimiram os movimentos que reivindicavam mudanças e o fim da opressão são comparáveis aos métodos nazi-fascistas, analogamente às vezes penso que essa negação da barbárie ocorra de forma similar ao o que acontece na Alemanha de hoje, custa-nos acreditar, tal qual aos alemães de hoje, que fomos capazes de tamanha crueldade. Na nossa colonização chegamos ao máximo da exploração a que pode ser submetido um ser humano, ou rendiam-se à escravidão ou eram dizimados, os negros optaram pela sobrevivência, os índios pelo genocídio, mas todos pagaram um alto preço, que continua ser cobrado aos seus descentes.

Foi a partir da escravidão imposta por Portugal que se produziu no Brasil essa artificialidade na nossa organização socioeconômica onde o capital esteve condicionado a exploração humana, durante três séculos o nosso crescimento esteve ligado somente a esta variante que tolheu nossa capacidade de inventividade, pois era cômodo enriquecer através da mão de obra barata e grandes extensões de terra.

Essa forma de acomodação que o Capital estabeleceu no Brasil perdura até hoje, a maioria do empresariado tem em mente que a melhor forma de multiplicar seus lucros é com a exploração máxima dos seus empregados, sonegação de impostos ou com as benesses do governo. Latifúndios gigantescos estão aí para provar, e nos lembrar que o estado ainda não criou mecanismos que possibilitem o acesso de todos ao desenvolvimento, ainda estão enraizadas em nossas mentes estruturas esdrúxulas descendentes do período colonial. O brasileiro aceita certos comportamentos, pois lhe foi durante séculos negado o abrigo seguro do direito, as mutilações dantescas como a de cortar os tendões dos pés dos negros fujões, castrações, morte por chibatadas e outras atrocidades eram bem aceitas por toda a sociedade escravocrata brasileira que, tinham até o consentimento da Igreja que demorou a considerar os negros como possuidores de alma, há relatos que na beira do século XX, a partir do ano de 1871 com o advento da Lei do Ventre Livre ocorreram genocídios sistemáticos de crianças negras, afinal elas não constituíam em propriedades dos senhores de engenho, mas gerava um custo as manter.

Tudo no Brasil é artificial, foi criado no início propositadamente com o intuito de manter a exploração e depois, por conseqüência dos desdobramentos dos fatos históricos. Geramos uma criatura medonha e bastarda, que tentamos inutilmente abortar, nós seus pais, a rejeitamos, mas ela insiste em viver e por não conseguimos destruí-la mentimos sobre sua existência. Essa negação sobre a nossa herança que foi marcada pela exploração produziu essa nossa instabilidade social onde não nos reconhecemos como iguais na maioria das vezes, e em outras ocasiões sim. A loucura brasileira é impar no mundo, como ímpar é tudo o que se refere ao Brasil. Somos os mais tolerantes e racistas do planeta, na verdade não somos indecisos simplesmente não nos conhecemos e essa falta de compreensão nos empurra para a negação sistemática de nossa origem, criando esse conflito piscológico que aos mais desavisados soa como uma indecisão, afinal é boa a nossa essência, mas custa-nos acreditar na nossa origem perversa. A nação mais miscigenada do planeta não pode ser racista! Ouvi uma vez de um amigo, claro que pode, pois em seu gênesis essa miscigenação se deu sob égide da opressão.

Nossos sonhos eróticos são com as mulatas, mas casar com elas já vai uma distância enorme, sonhamos com uma companheira branca e uma amante mulata, as mulheres onde se predominam as características negras são na maioria das vezes rejeitadas e empurradas para a realização de tarefas menos importantes, confinando-as à condição de empregadas domésticas, faxineiras. Quando caminho à noite pelo centro do Rio não consigo dissociar a imagem dos mendigos, loucos e toda a sorte de marginalizados, negros em sua maioria, com as dos escravos recém libertos no início do século XX que, enxotados sem nenhuma compensação indenizatória das fazendas que ergueram foram colocados à margem da sociedade, sendo preteridos por imigrantes estrangeiros, afinal se é para pagar salários vamos pagar a brancos, nunca àqueles que nos pertenceram, teria dito um fazendeiro da época. Debret (21) hoje teria os mesmos modelos para pintar, talvez sua obra ficasse até mais chocante, ao invés da sinhazinha alimentando negrinhos embaixo da mesa como cães, ele retrataria esses mesmos negrinhos, cheirando solventes e revolvendo lixeiras em busca de comida em frente aos restaurantes da Avenida Rio Branco no Rio de Janeiro.

Isso é uma das várias abominações que herdamos dos senhores de engenho, e as reproduzimos sem saber o motivo, pois o nosso DNA está desde a concepção impregnada por elas. Os séculos de opressão imposta pelo período escravocrata brasileiro, produziram uma manifestação psíquica que apesar de macabra não deixa de ser interessante, que é a redução de um gênero humano definindo-o como uma coisa, melhor explicando, os negros do Brasil durante séculos não foram massacrados apenas com a imposição de uma cultura dominante, não foi só isso que aconteceu, os negros foram classificados, ou melhor, desclassificados de sua condição humana, no inconsciente da sociedade da época os negros eram comparados com os animais de tração. 50 alqueires de terra, 20 mulas, 8 cavalos, 10 vacas de leite, 2 touros, 15 negros… A maioria das pessoas pensa que isso é uma atitude comum nos momentos de opressão, mas na verdade essas atitudes são exceções, nos momentos em que um povo domina outro se criam metodologias com o objetivo de menosprezar as manifestações culturais do povo dominado, mas a sua humanidade não, os nazistas negavam a humanidade aos judeus, ciganos, eslavos e negros, mas reconheciam os povos germânicos e escandinavos onde os franceses, ingleses, suecos e dinamarqueses eram vistos como seres humanos, os romanos massacravam militarmente e culturalmente todos os povos bárbaros dominados e impunham aos príncipes dominados sua cultura e em relação aos gregos ao contrário a assimilaram, em ambos os casos isso é reconhecer sua humanidade, mesmo os escravizando, os nortes americanos apesar de não terem proporcionado o fenômeno da miscigenação como no Brasil, reconheciam como cidadãos os negros do norte, os do sul não possuíam o reconhecimento de sua condição humana, a Klu Klux Klan que já contou com mais de cinco milhões de membros no início do século XX e foi protagonista de massacres bárbaros perde felizmente nos dias atuais a sua força e isso só foi possível por uma única razão, o norte americano construiu uma nação que mesmo não respeitando no plano externo o direito autônomo dos povos, internamente são contemplados pelo fortalecimento de suas instituições que garantem o acesso ao direito de todos independente de sua raça, orientação religiosa ou sexual. Para os portugueses os negros eram animais domesticados, ficaram escandalizados quando começaram nascer mulatos onde esse termo por si só já denota toda a carga racista portuguesa, muitos acreditavam que seria até impossível que isso acontecesse.
Essa redução do gênero humano a uma coisa foi tão marcante entre nós que persiste em algumas manifestações até hoje, quando um negro entra em um lugar sofisticado, quando ele exige seus direitos, quando candidata-se a uma vaga disputada por brancos , essas situações não são bem aceitas pela nossa sociedade, as pessoas negam, mas elas causam um desconforto, podendo escolher ninguém quer um médico ou advogado negro, quanto mais um patrão nesse caso cedo ou mais tarde sua condição racial vai ser motivo de crítica em relação a alguma atitude profissional. Áreas de serviço com banheiros próprios destinados aos empregados da casa já carrega toda uma força segregacionista, onde aceitamos bem a condição de subordinação e não nos enxergamos como iguais, esse comportamento é bem aceito por todos assim como o fato de não causar constrangimento algum o pagamento de miserável salário aos empregados, isso é uma herança da cultura opressora européia e bem enraizada entre nós, que aceitamos por força de nossa gênesis cultural esse apartheid.

O que fazer então para debelar este câncer que é a estratificação sócio-racial criada artificialmente por nossa herança colonial portuguesa? Ora, temos que criar artificialmente também mecanismos que acelerem a cura desse mal, como por exemplo:

1.Promover através do sistema de cotas o acesso dos afros e indo-descendentes as universidades públicas e particulares;
2.Crédito em condições acessíveis para compra de terra aos afros e indo-descendentes;
3.Criação de programas de capacitação aos jovens afros e indo-descendentes;
4.Cotas para admissão no serviço público para os afros e indo-descendentes;
5.Subvenções aos bancos e entidades de crédito que financiarem o fomento de atividades comerciais e/ou industriais aos afros e indo-descendentes;
6.Demarcação definitiva das terras indígenas, contudo protegendo-as da exploração mineral e madeireira o que seria terminantemente proibido, fazendo que as terras indígenas contribuíssem para a manutenção de nossas reservas ambientais e proporcionassem a preservação da cultura indígena que sofre sensivelmente quando em contato com segmentos de exploração comercial;
7.Demarcação das áreas dos quilombolas que usando do mesmo critério utilizado com os grupos indígenas seriam restritos as atividades de subsistência;
8.Estabelecimento de parcerias com MST, onde em conjunto com os estado promoveriam o assentamento de milhares de famílias para o desenvolvimento da agricultura familiar de subsistência, creio que não seja preciso lembrar que 90% dos “sem terra” são negros e mestiços.

O sistema de cotas é necessário enquanto avanços mais efetivos no campo educacional não são implantados em nosso país, onde se a educação fosse um monopólio do estado e acessível a todos, obviamente essas medidas afirmativas não seriam necessárias.

Espero que tenha sido claro o bastante, e aproveito para retomar esse ponto, o ensino de História do Brasil necessita de reformas urgentes no seu enfoque, às populações afros e indo-descendentes precisam tomar sistematicamente conhecimentos de como se deu a sua integração na constituição étnica do povo brasileiro, das lutas de resistência e dos grandes líderes, valorizando suas conquistas que ao contrário do que é ensinado nunca foi algo graciosamente ofertado por uma princesa que fugia completamente ao estereotipo comum das de contos de fada, Isabel era feia e gorda, e sim fruto de muito derramamento de sangue. O período imperial brasileiro assim como o início da república representa um momento histórico negativo de nosso gênesis, nossos reis são figuras que deveriam passar por uma revisão antes de colocados nos bancos escolares, de Dom João VI até D. Pedro II, passando por D. Pedro I esses governos são bem representativos de uma sociedade segregacionista. Dom João VI não passava de um soberano covarde que se escondia sob a mesa toda vez que escutava um estampido tal era o seu pavor pelos exércitos de Napoleão, não hesitou em deixar o seu povo a própria sorte diante do inimigo francês fugindo desesperadamente para o Brasil, mas inexplicavelmente tentam vender a idéia de um líder com visão estratégica. Anos mais tarde com a ameaça napoleônica debelada pelos esforços heróicos do povo português, Dom João retorna à Portugal com a finalidade de exclusiva de garantir sua linhagem no poder, mas não sem antes é claro limpar de todas as maneiras possíveis os cofres do lugar que tanto “amava”, promovendo a falência do recém criado Banco do Brasil. Eram claras as tendências absolutistas de Dom João e isso parece que era um fator genético como veremos em Dom Pedro I.

Um país onde uma criatura como D. Pedro I, desprovida de qualquer vínculo com o Brasil e que durante toda a sua permanência aqui só teve duas obsessões na vida que era primeiro, a de perseguir qualquer rabo de saia e depois, tal qual o seu pai, garantir que sua linhagem se perpetuasse no poder, proclama a Independência faz com que o autor daquela célebre frase tenha razão, esse país, pelo menos historicamente, não é um país sério. Dom Pedro I passou de “Açougueiro de Bragança” a herói nacional e patrono da Independência, devemos creditar a ele como sendo um dos primeiros a cercear a liberdade de imprensa no Brasil quando do assassinato do Jornalista Libero Badaró, o que esperar da semente de D.Pedro I, algo ainda mais bizarro, seu filho D.Pedro II.

Criou-se na imagem de Dom Pedro II a idéia daquele senhor bonzinho amante das artes e da cultura erudita, aquela sua barba branca lembrava até Papai Noel, mas analisando friamente logo percebemos que essa visão não condiz com a realidade, o segundo reinado foi marcado por repressão violenta a vários movimentos libertários brasileiros, note que me refiro apenas ao segundo reinado quando da maioridade de Dom Pedro II. Aquele imperador bonzinho já em sua maioridade, reprimiu com força e truculência a Revolta Praieira, movimento que buscava em Pernambuco o fim do latifúndio através da distribuição de terras aos menos favorecidos, O Manifesto ao Mundo de Borges da Fonseca tal qual fazem nos Estados Unidos com os textos de Thomas Jefersom deveria ser ensinado nas escolas. Nesse episódio histórico brasileiro uma anistia foi proposta aos insurretos, mas como todas as anistias do Império Brasileiro não foram posteriormente cumpridas e os rebeldes encerrados na Fortaleza de Lajes. Devemos aprender com os fatos históricos, para que não repitamos os mesmos erros do passado e uma coisa que observo repetidamente é que não devemos acreditar piamente nas promessas dos governos brasileiros, isso não é exclusividade do Império, na República está recheado de momentos em que anistia é proposta, acordo selado com aperto de mãos e depois de sufocada a revolta, enforcamento, sumiços, cárceres, acidentes misteriosos… na Revolta da Chibata depois da ameaça de bombardeio ao Rio de Janeiro controlada com o aceno de uma anistia, os marinheiros foram perseguidos, mortos no Navio Satélite, presos e torturados na Ilha das Flores. Agora voltando ao período correspondente ao segundo reinado, no Maranhão nos anos de 1838 até 1841 aproximadamente, aconteceu uma das mais interessantes rebeliões do Brasil, que foi a Balaiada, seus personagens principais eram homens comuns, um era vaqueiro para ser mais preciso de nome de Raimundo Gomes, seus seguidores eram Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, o balaio, e um ex escravo chamado Cosme. Esses homens conseguiram congregar 3000 almas no seu ideal de liberdade, essas almas eram os excluídos de hoje, mestiços em sua maioria assim como escravos fugidos de toda a redondeza, essa revolta foi sufocada impiedosamente, como era de seu costume, pelo “patrono” do nosso exército o Coronel Luís Alves de Lima e Silva que mais tarde seria o Duque de Caxias, “herói” nacional e uma das criaturas mais perversas de nossa história. Após ferozes combates onde balaio foi morto, Cosme, que considero o primeiro general negro assim como João Candido que foi o primeiro almirante, refugiou-se no sertão para reorganizar a resistência, enquanto isso o outro líder Raimundo Gomes com o intuito de evitar mais carnificina aceita a anistia proposta pelo governo, coitado não conhecia história, Raimundo foi morto sob os cuidados do governo brasileiro quando ia preso para São Paulo. Cosme se entrega e com ele 2500 rebeldes que ele conseguiu reagrupar, Cosme é enforcado em setembro de 1842 apesar do decreto real com o selo do Imperador Bonzinho Dom Pedro II que contava já com dezessete anos.

Negamos tributo aos verdadeiros ícones nacionais quando reverenciamos a indivíduos artificialmente postos em lugar de destaque no nosso panteón de heróis. Nossos jovens precisam saber como se formou algumas das estruturas que possibilitaram ao embrionário estado brasileiro exercer o controle sobre os segmentos explorados, as forças policiais foram criadas originalmente com um único objetivo, recuperar e reprimir os negros fujões. Aí se encontram as matrizes da violência institucionalizada pela polícia militar do Rio de Janeiro que vem a ser a que mais assassina jovens negros com o respaldo do estado e, por conseguinte de toda a sociedade.

Os heróis negros, principalmente, estão reduzidos a Zumbi e ao Quilombo dos Palmares que apesar de inegavelmente possuir elementos interessantíssimos como a duração e organização de toda a estrutura político-administrativa do quilombo, com um complexo sistema logístico, confesso ter má vontade com esse levante uma vez que nesse quilombo era aceita a escravidão sobre minorias étnicas seguindo padrões de comportamento originários da áfrica, mas outros levantes não carregavam consigo tanta mácula, A Revolta dos Malês onde negros cultos (sabiam ler e escrever em árabe) e coesos por tradições religiosas travam combates ferozes contra a tirania européia, preferindo a morte e o desterro a viver sob o jugo humilhante e degradante da escravidão, A Cabanagem onde mestiços predominantemente indígenas em sua maioria, conseguiram enxergar pela primeira vez uma identidade genuinamente brasileira (negando até o idioma português que foi substituído pelo tupi-guarani) e ousaram tentar o sonho da liberdade com a instauração da República do Grão Pará.

A Guerra de Canudos onde se inaugurou os questionamentos sobre a liberdade religiosa e o uso comunitário do espaço agrícola em regiões de pobreza extrema. Poderia citar dezenas de fatos históricos e líderes negros, indígenas e mestiços, João Candido, As tribos Tupinambás… Mas, o que me incomoda são os mitos cultuados hoje por nós como símbolos de nossa nacionalidade, vejam Tiradentes, por exemplo, o mais modesto representante de um grupo de aristocratas mineiros que tinham como objetivo primeiro, facilidades na obtenção de riquezas, a liberdade era um meio não o fim para alcançarem seus objetivos, basta lermos sobre a Inconfidência Mineira que logo percebemos como questões comuns aos movimentos libertários passavam bem ao largo, nunca se questionou de forma contundente, por exemplo, a libertação dos escravos, a redação de uma constituição ou qualquer projeto de país, a maioria dos inconfidentes era inclusive monarquista. Podemos e devemos rever tudo isso. Podemos sonhar com um projeto de país pujante e orgulhoso de sua história, mas antes devemos valorizar tudo o que é nosso e inserir todos os segmentos étnicos e religiosos no Olimpio dos heróis e até mesmo ídolos nacionais, ou não é de notório conhecimento a quase total ausência de representantes afros ou indígenas na mídia nacional, fazendo com que se estabeleça um padrão de beleza que não condiz com a nossa diversidade racial, isso também deve ser colocado na conta das reparações históricas.

Confesso que não fico a vontade em defender a ingerência do estado nas atividades do setor cultural privado, o mesmo não acontece quando me refiro às áreas da educação e saúde, contudo no que se refere à mídia televisiva principalmente, não posso deixar de posicionar-me excepcionalmente contrário a esta ingerência, mesmo reconhecendo que a mídia televisiva necessite de uma concessão estatal para o seu funcionamento, essa ingerência que vou sugerir me incomodaria mais se estivesse em questão um outro setor que não fosse à imprensa. Seria perfeito se as redes de televisões conscientes da abrangência e de sua importância na formação de opinião abrassacem espontaneamente a causa da valorização dos grupos étnicos que estão à margem. Como sei que essa conscientização não é possível defendo que, usando da prerrogativa de que os sinais de televisão são concessões de competência do estado, mais uma cota deveria ser implantada junto com as que anteriormente propus, ou seja, todos os programas exibidos pelas redes de televisões deviriam obrigatoriamente conter, segundo critérios proporcionais da constituição racial brasileira, em seus quadros exibidos representantes de todos os grupos raciais.

Note que essa é a única cota em que não é de competência exclusiva do governo, sei que muitos criticarão essa idéia, apelarão aos direitos constitucionais, dirão que é uma sugestão retrógrada, mas convenhamos que em certas circunstâncias atitudes drásticas se façam necessárias, acredito que seja irresponsável a não ingerência por parte do poder público nessa questão, ela nos confina em um ciclo vicioso, percebam: as redes de televisão seguem tendências ditadas pelo mercado, à fatia do mercado que detém o maior poder de compra corresponde à classe média branca brasileira, a não veiculação de afros e indo-descendentes na mídia televisiva dificulta que esses grupos raciais sejam inseridos na cadeia produtiva, obrigando que os anunciantes queiram que a televisão represente na sua programação o seu público alvo que é ditado pelo mercado…

As redes de televisões brasileiras tiveram mais de meio século para contribuírem com os problemas sociais, negaram-se. Pois agora o estado assumindo sua dívida histórica com segmentos de nossa sociedade, apresenta parte da conta.

Quando uma criança reconhece padrões étnicos seus similares com os dos heróis-ídolos, sejam eles de qualquer tipo, cívico-nacionais ou até mesmo estrelas do meio artístico, ela estabelece um vínculo de identificação, criando consequentemente uma valorização do seu ego ainda que de forma inconsciente, mais na frente isso refletirá na capacidade de absorção de valores imprescindíveis para a formação de um cidadão pleno e consciente de suas responsabilidades para com a sociedade que, verdadeiramente faz parte. A sociedade, representada pelo estado o inclui e, por uma reciprocidade natural o indivíduo é alcançado em sua plenitude pelo estado que naturalmente também o defende. Agora quando o estado ao invés de agregar simplesmente exclui, ele possibilita que o indivíduo não reconheça a sua representatividade, tornando inútil a tentativa de inseri-lo posteriormente, pois sempre lhe parecerá falsa (artificial como costumo dizer).

Esse indivíduo, na acepção máxima da palavra, marginalizado não terá comprometimento nenhum com o respeito às normas básicas de convivência, afinal ele vem sendo vilipendiado constantemente pela sociedade que agora cobra a sua subordinação perante as autoridades constituídas, apesar de não a terem sido por ele. Mas como já mencionei antes, o estado é uma organização natural e inerente ao gênero humano, sempre nos organizamos e organizaremos em grupo. Não faltará a esses indivíduos colocados a margem mecanismos que possibilitem sua organização, de forma paralela é verdade, mas com mais legitimidade que a “oficial” afinal na sociedade regular eles são obrigados a usar sempre a entrada de serviço na “oficiosa” não, na “oficial” os que detêm o poder são de um grupo étnico diferente do seu ao contrário da “oficiosa” onde ele se reconhece, na “oficiosa” ele é respeitado enquanto que na” oficial” ele é apenas um negrinho favelado onde, até o idioma é diferente. Outro dia em um bar presenciei uma cena inusitada, dois jovens de comunidades carentes estavam conversando a respeito de uma determinação judicial que um deles seria submetido, os dois conversando com aquele hieróglifo nas mãos, onde todo o requinte do léxico do nosso vernáculo neolatino era descortinado, eles estavam achando graça daquele vocabulário, eu também estava achando engraçada a situação, quando um deles sentenciou: eu não to entendendo nada, isso tudo é coisa de branco. Nesse momento o meu riso cessou, o preciosismo de algum agente público estava tornando inacessível que a Justiça contemplasse quem realmente necessitava dela, o português daquele documento não era o mesmo falado por aqueles jovens, eles teriam que contratar um tradutor, no caso um advogado, mas como não possuíam recursos financeiros teriam que aguardar nos corredores de algum fórum lotado e, torcer para serem atendidos por algum defensor público. Eles tomaram a decisão correta, fizeram uma bolinha de papel com o documento da “Justiça Brasileira” e com um chute acertaram a lata de lixo, afinal aquilo não era para eles.

Aula de História

Hiroshima e a Primeira Bomba Atômica

A)    Título da aula: História Geral – Hiroshima. Explicar aos alunos o porquê aprender História, a razão de ser da disciplina.  Para atender aos anseios dos alunos do ensino fundamental é necessário que o professor de História busque novas maneiras de lidar com a disciplina e seu ensino.

B)     Série: Ensino Fundamental – 3 ª, 4ª, 5ª séries. Apresentar o ensino de História – como instrumento de luta e transformação social, levando os alunos a uma consciência crítica que supere o senso comum para que possam não somente ver os acontecimentos, mas enxergá-los de maneira mais crítica e reflexiva.

C)    Sobre o assunto Hiroshima, três aulas de cinquenta minutos, mais ou menos, depende de cada instituição de ensino. Os alunos de posse de um saber mais elaborado poderão ter condições de se organizar para a construção de uma sociedade melhor, menos excludente e realmente democrática.

D)    Objetivos: Levar os alunos a compreenderem:

1-     As circunstâncias militares e políticas em que a cidade japonesa foi bombardeada

2-     As conseqüências do uso de armas nucleares, sob o ponto de vista humano e moral;

3-     Estimular os alunos a reorganizar novas maneiras do tema proposto, fazendo com que complete o tema, construindo atividades sugeridas por eles.

E)     Habilidades: Questionar os alunos quanto a: Considerar os custos humanos provocados pela explosão atômica, bem como o que se evitou em virtude da bomba ter sido jogada.

F)     Conteúdo: Conceito: Propor um debate aos alunos: é possível justificar moralmente o uso da bomba?  E o Por quê?

1-     Com a compreensão aprofundar-se no conhecimento do assunto.

2-     Procedimento: Pedir a alguns dos alunos que se coloquem na posição dos americanos e se esforcem para compreender seu ponto de vista em relação à invasão do Japão e ao fim da guerra. Peça a outros que se coloquem na posição de observadores neutros, uma vez que, do ponto de vista japonês, nada pode justificar o acontecimento.

3-     Atitudes: Apresentar o filme “Hiroshima, Meu Amor”, propor que os alunos façam uma pesquisa sobre a cidade de Hiroshima na época da guerra, no período subseqüente e na atualidade. Vivemos na era das imagens. Centenas de canais exibem filmes, documentários, telejornais, e informações que penetram na mente dos alunos.  Essa quantidade imensa de audiovisuais auxilia na informação. O cinema pode ajudar e muito no ensino e nas discussões sobre o passado.

4-     Antes da pesquisa, sugerir a leitura sobre o assunto; no caso cito como exemplo o poema de Vinícius de Morais, fazer com que os alunos falem sobre o que entenderam da leitura do texto. Repetir a experiência após a pesquisa e confrontar o entendimento que eles tinham antes e depois de obterem mais informações sobre o tema do poema. Pesquisa baseada em literatura diversa e na observação sobre vários aspectos.

a-      Procurar fazer atividades juntamente com outras disciplinas, por exemplo, com o professor de língua portuguesa, propondo uma análise do texto pode ser desenvolvida, de modo a explicitar os recursos poéticos utilizados pelo autor parar expressar seu horror diante da violência nuclear.

b-      Apresentar textos, livros e o computador se possível. Quando possível ir a museus. Os museus se transformam em palco de discussões teóricas e ações práticas quanto ao reconhecimento. O professor pode utilizar os museus como recurso didático para que o aluno construa sua critica de forma independente. O museu permite concretizar mensagens e idéias.

1) definir os objetos da visita;

2) selecionar o museu mais apropriado;

3) ir à instituição com antecedência para se familiarizar com o espaço;

4) verificar se as atividades educativas do museu adéquam-se às propostas da aula.

5) preparar os alunos para a visita;

6) criar formas para dar continuidade à visita na sala de aula.

c-      Exemplo o texto: A rosa de Hiroshima de Vinícius de Morais:

Pensem nas crianças

Mudas telepáticas

Pensem nas meninas

Cegas inexatas

Pensem nas mulheres

Rotas alteradas

Pensem nas feridas

Como rosas cálidas

Mas oh não se esqueçam

Da rosa da rosa

Da rosa de Hiroshima

A rosa hereditária

A rosa radioativa

Estúpida e inválida

A rosa com cirrose

A anti-rosa atômica

Sem cor sem perfume

Sem rosa sem nada

G)    Formar grupos de discussão: caso os alunos tenham acesso ao computador em sala de aula ou em casa, eles podem manifestar sua opinião ou discutir o tema com internautas de todo o Brasil acessando salas de bate papo especifica e devidamente orientados e acompanhados.

I)        Após esse trabalho pedir que descrevam através de uma redação: exemplo a destruição da cidade de Hiroshima.

II)      Que leiam sobre: Segunda Guerra Mundial, Especial de Veja sobre o fim da Segunda Guerra Mundial, de como funcionam as bombas nucleares, Armas de destruição de massa – Biológicas químicas e nucleares. Teste seus conhecimentos sobre Hiroshima

J) Quanto à avaliação acredito que aprender não significa apenas absorver conhecimento, e reter na memória, mas promover uma abordagem construtivista, representada por maneiras de novos métodos de construção do conhecimento e na interação do processo (ensino) professor e (aprendizagem) aluno. A prova de História pode solicitar conhecimento nas informações básicas acerca dos aspectos apresentados de forma geral, criar avaliação para a capacidade de raciocínio crítico sobre o conteúdo da matéria, identificando os processos históricos essenciais, analisando seus desdobramentos, comparando-os com outros momentos da própria sociedade em questão ou de sociedades distintas. A fim de fornecer ao aluno um ponto de referência para a resolução das questões, que serão ministradas, avaliar o grupo, com textos, gráficos, mapas e ilustrações.

Conclusão: A escola já não é o único centro de aprendizagem e hoje os alunos têm acesso a múltiplos conteúdos educativos em plataformas de cinema, televisão e internet, além de livros e enciclopédias, que são tão presentes quanto à escola – e que ao professor caberá sempre guiar, intermediar e gerir esse conhecimento.

Bibliografia:

Enciclopédia Barsa,

www.pioxii-es.com.br

www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/educacao

www.ig.com.br/educacao

 

Barco de 2.000 Anos é Encontrado em Roma

Barco durante as escavações Um navio romano de aproximadamente 2.000 anos, foi encontrado no meio de uma planície, próximo ao antigo porto de Roma. A descoberta foi feita por arqueólogos italianos. A embarcação feita de madeira, foi encontrada em uma profundidade de 13 metros, durante o trabalho de reparo em um ponte que liga a moderna cidade de Ostia com Fiumicino, onde o principal porto de Roma está localizado.

Medindo 36 metros de comprimento, o navio é maior já escavado perto das ruínas de Ostia Antica, uma cidade portuária junto à foz do rio Tibre, que rivaliza com as riquezaz da Pompéia. Até agora, apenas o lado direito do barco é visível. Restos de cordas, usado pelos marinheiros, aos poucos vão aparecendo.

Origem do Homem

Há cerca de 3,2 milhões de anos, habitava a região do deserto de Afar, na África Oriental, uma espécie de hominídeo ancestral do homem moderno – que era bípede e suava os longos braços para colher sementes, nozes, frutas e capturar insetos. Vivia em pequenos bandos e ocupava ambientes variados, de savanas e florestas.

Em 1974, ossos de um dos integrantes desse grupo foram encontrados pela equipe de pesquisadores liderada pelo norte-americano Donald Johanson. Tratava-se do mais completo esqueleto de ancestrais humanos já localizados até então e tornou-se uma das maiores descobertas da paleantropologia. Era uma fêmea da espécie Autralopithecus aferensis, que foi batizada de Lucy – em referência a música “Lucy in the sky with diamonds”, dos Beatles.

Primeiros Hominídeos

Estima-se que os primeiros hominídeos surgiram há mais de 5 milhões de anos. Foram os pioneiros do gênero a trocar a vida nas árvores pelo chão. E mais: a andar sobre duas pernas, deixando as mãos livres para outras funções.

Na escala evolutiva humana, distinguem-se dois grandes gêneros: o Australopithecus e os Homo, do qual descende o homem moderno. Os primeiros mantinham traços dos símios, como mandíbula grande, testa achatada e cérebro pouco avantajado. Os dentes, pequenos e arredondados, indicam que esses hominídeos alimentavam-se basicamente de frutas e sementes, colhidas com as mãos diretamente das árvores.

Gênero Homo

As características simiescas só desapareceram há cerca de 2 milhões de anos, com a evolução do gênero Homo. O primeiro a se destacar foi o Homo habilis, que aprendeu a manipular instrumentos. A fabricação de utensílios representou o primeiro passo tecnológico.

Por volta de 1,7 milhão de anos atrás, uma nova espécie desenvolveu-se no processo evolutivo: o Homo erectus, cuja postura era mais erguida e as mãos hábeis do que o Homo habilis. Durante esse estágio, alguns grupos já alcançavam a Europa e a Ásia.

Homem moderno

Desde a época dos Australopithecus, a natureza africana era favorável à sobrevivência humana. Não havia necessidade de abrigo ou fogo. Com o aparecimento do gênero Homo, seus integrantes – como o Homo erectus e, posteriormente, o Homo sapiens – ocuparam outros continente, deparando-se com climas mais severos e menor oferta de alimentos.

Nesse momento o homem primitivo mostrou sua capacidade de adaptação a ambientes variados, superando adversidades, entre elas fome e frio. Assim, deu sequência à sua evolução até surgir, há cerca de 100 mil anos, o homem moderno – homo sapiens sapiens, o único sobrevivente do gênero Homo. Mais inteligente, ele desenvolveu tecnologia para caça e defesa, criou formas de linguagem e aprimorou a vida em sociedade.

A Conquista da Terra

O viajante mais antigo da família homo foi o homo erectus. Movido por uma curiosidade que seus antepassados não tiveram pela primeira vez ele prestava atenção no horizonte e ficava com vontade de descobrir o que a distante linha escondia.

As viagens inaugurais partiram da região do Quênia e da Etiópia, há aproximadamente 2 milhões de anos. O continente africano foi o primeiro a ser desvendado, mas à medida que o homem primitivo melhorava suas habilidades em construir ferramentas para coletar alimentos e se defende de animais, mais avançava pelo mundo. Como nômades, permaneciam em uma região apenas enquanto houvesse comida. Nessa época eles ainda não sabiam cultivar a terra nem criar animais.

A descoberta do fogo, há 500 mil anos, permitiu que o homo erectus avançasse para regiões distantes.

Saindo do norte da África, nômades dirigiam-se à Europa pelo estreito de Gibraltar, que liga África e a Península Ibérica. Outro grupo caminhou para o leste, na direção do Oriente médio, e dispersou-se pelo continente asiático. Em pouco tempo, já havia população na região das Ilhas Britânicas, em boa parte do sul europeu, no norte da China e no sul da Índia, conforme apontam os sítios arqueológicos.

A toda prova

Sabe-se atualmente que o homem só conseguiu perpetuar a espécie porque foi capaz de adaptar-se a diversos ambientes. O período que comprova essa teoria correspondente à Era do Gelo, movimenta de glaciação da Terra ocorrido entre 100 mil e 10 mil a.C.

Durante a fase glacial a temperatura média no planeta caiu vertiginosamente e extensas regiões foram cobertas de neve, destruindo a vegetação e inviabilizando a pesca, até então as duas principais fontes de alimento. Para sobreviver, o homem primitivo aprendeu a explorar o potencial do fogo e aperfeiçoou as técnicas de caça. Durante o longo e desafiador inverno, despontava uma nova linhagem da família humana: o homo sapiens, do qual descende o homem moderno.

A água congelada de mares e rios formou pontes naturais que permitiram a travessia a pé entre antes separadas por distâncias intransponíveis. Foi o momento em que grupos humanos espalharam-se em novas regiões, ampliando as fronteiras conhecidas e aumentando seu domínio sobre a terra.

América e Oceania

Tudo indica que a chegada do homo sapiens ao continente americano ocorreu nessa época, por volta de 14 mil anos a.C. partindo da Sibéria, nômades atravessaram o Estreito de Bering e alcançaram o Alasca.

Alguns ocuparam a América do Norte, outros desceram para o litoral da Venezuela, Peru, Chile e Patagônia. Na Oceania, a Austrália recebeu viajantes do sul da Ásia. As ilhas mais isoladas, próximas a Nova Guiné e a Nova Zelândia, foram as últimas a serem povoadas.

No final da Era do Gelo, o homem ocupava diversos continentes, mostrando-se adaptável, forte e inteligente. Enfim, vitorioso.

A Idade da Pedra Lascada

A Pré-História divide-se em períodos, de acordo com a evolução das habilidades humanas. A idade da Pedra Lascada, ou Paleolítico, começa há 4 mil anos e termina há cerca de 10 mil anos. Neste período, o homem mostrou a primeira características que o diferenciava dos outros primatas: a capacidade de criar ferramentas e utensílios.

O nome “pedra lascada” refere-se aos instrumentos da época, obtidos ao se bater uma pedra contra outra, com a intenção de moldar uma delas para determinada atividade, como cavar a terra, raspar um tronco de árvore ou arrancar um galho. Ao se retirar lascas do mineral, era possível transformá-lo em um instrumento pontiagudo.

O homem do Paleolítico vivia em florestas, cavernas, próximas a tronco de árvores ou cabanas cobertas de folhas. A alimentação dessa época era uma mistura de vegetais, peixes, frutas e, as vezes, carne.

Há cerca de 1 milhão de anos, o homem ainda não praticava a caça. Logo, acredita-se que a carne era proveniente de animais mortos.

Uso do fogo

A maior descoberta da Paleolítico ocorreu há 500 mil anos, quando o homem já dominava, relativamente, a técnica de manufaturar ferramentas com pedras e madeira. Em uma das vezes em que batia uma pedra contra outra, ele descobriu o fogo. Possivelmente, faíscas originadas do atrito das rochas entraram em contato com folhas secas e geraram chama.

O fogo foi o elemento que permitiu ao ser humano adaptar-se a diversos ambientes e a proteger-se da ameaça de animais ferozes. Por volta de 400 mil anos atrás o continente africano – habitat natural do homem – já era bastante povoado, conforme apontam vestígios encontrados em escavações arqueológicas.

Se não fosse o fogo, ele não teria conseguido avançar para o interior da Eurásia, tampouco, sobrevivido à Era do Gelo.

Além de protegê-lo do frio, o fogo foi preponderante para a alimentação do homem primitivo, e consequentemente para o desenvolvimento de sua inteligência. Somando-se a isso a habilidade de moldar instrumentos, ele passou a construir armas de caça, no final do Paleolítico. Há certa de 200 mil anos o homem inventou um tipo de lança com chama, que permitia atingir com mais segurança animais maiores – como o mamute – minimizando o risco de ser atacado por eles.

Vida em grupo

A medida que passou a comer mais carne, o homem tornou-se mais forte, inteligente e capaz de realizar tarefas de maior complexidade, que exigiam raciocínio apurado. A partir do momento em que os ossos dos animais também eram ótimas matérias-primas. Com as presas de mamutes, por exemplo, era possível construir uma cabana bastante resistente, à prova de ventos fortes e tempestades.

Na idade da Pedra Lascada o homem ainda vivia em grupos pequenos, com cerca de 30 pessoas, sem hierarquia estabelecida. Com o tempo, aprendeu a viver espontaneamente em comunidade. É bem provável que, nessa época os integrantes de cada bando se comunicassem por meios de códigos baseados em sons e gestos. Ao dominar o fogo e a produção de utensílios, o homem estava pronto para enfrentar o frio que se aproximava com a Era do Gelo, há aproximadamente 100 mil anos.

Era do Gelo

Atualmente, os cientistas calculam que a temperatura média da atmosfera seja de 15,5°C.

Essa medida, porém, não é constante. Ciclos de calor ou frio fazem parte da dinâmica natural da Terra. Supõe-se que períodos glaciais, com temperaturas rigorosas, são frequentes na história do planeta. Nos últimos 5 milhões de anos – grande parte dos continentes ficou coberta de gelo. Ou seja, exceção é o momento interglacial – de “veranico” – que vivemos nos últimos 10 mil anos.

Alteração global

A última glaciação, que engloba a chamada Era do Gelo, durou até cerca de 10 mil anos a.C.

A temperatura média caiu para aproximadamente 10°C. Por volta de 100 mil anos atrás, o frio tomou conta da Europa, Ásia e América do Norte, deixando vastas extensões de terra cobertas pelo gelo.

Mesmo as regiões que não foram congeladas, como o norte da África sofreram as consequências ambientais do esfriamento global.

O período glacial provocou uma espetacular evolução no modo de vida primitivo: para sobreviver ao frio, o homem teve de buscar novos recursos e provar sua capacidade de adaptação às penosas condições climáticas.

Muitos oceanos tiveram seus volumes reduzidos, depois de congelados. Pedaços da terra que, até então, eram separadas por água tornaram-se um só continente, o que possibilitou o trânsito entre diversas regiões. Desse modo viajantes primitivos atravessaram o Estreito de Bering, que separa o extremo leste da Ásia do Alasca, e alcançaram a América.

Criatividade e adaptação

Viver no frio era muito mais complicado para o homem primitivo. No entanto, a difícil sobrevivência – que incluía alimentar-se e cuidar dos filhos – gerada pelas baixas temperaturas obrigou-o a desenvolver criatividade.

Durante a Era do Gelo, o homem empregou técnicas de caça. Munidos de lanças e outras ferramentas, captura mamutes, bisões e felinos a longa distância. A alimentação rica em proteínas, hábito mantido por sucessivas gerações, favoreceu o aumento da capacidade cerebral e incrementou o ato de pensar e de superar desafios. Por volta de 10 mil anos a.C., a população humana aumentou consideravelmente, provocando a extinção de animais – apesar de um único mamute alimentar muitas pessoas. À medida que mamutes e bisões eram exterminados, a dificuldade de obtenção de alimentos tornou-se maior.

Com a diminuição das fontes de alimentação, o homem teve de rever seus hábitos. Ao mesmo tempo, o período glacial chegava ao fim, a temperatura da Terra voltava a subir gradativamente e o gelo derretia, descobrindo imensas áreas de terra produtiva. As novas condições climáticas apresentaram outras perspectivas ao homem primitivo, tais como plantar, colher e criar animais

Idade da Pedra Polida

O final da Era do Gelo, por volta de 10 mil a.C., trouxe mudanças determinantes para a humanidade. Com a temperatura mas alta, as geleiras recuaram, a vegetação rala cedeu lugar a  florestas abundantes e os animais, bem adaptados à natureza renovada, puderam se desenvolver e se reproduzir em maior escala. A vida do homem também mudou, inaugurando um novo período: o Neolítico ou Idade da Pedra Polida.

Vida sedentária

Se, por um lado, as alterações de clima e vegetação dificultaram a caça e a coleta, também possibilitaram novos hábitos ao forçar o homem primitivo a investigar alternativas para sobreviver. A grande transformação – que marcou o Neolítico e modificou de forma progressiva o modo de vida – foi a agricultura.

As comunidades estabeleciam-se em uma região, para plantar e colher seu próprio alimento – ou seja, abandonaram a vida nômade para adotar o sedentarismo – iniciativa essencial para o desenvolvimento da espécie.

As primeiras atividades agrícolas completavam a alimentação, baseada em carnes e peixes. Quanto mais plantava e colhia, mais alimento gerava e, consequentemente, mais a população aumentava. Com a formação de aldeias, a agricultura tornou-se o centro das relações humanas. Assim, o homem aprendeu a viver em sociedade.

A agricultura exigia organização do trabalho. A colheita dividia-se entre os moradores da aldeia e, na maioria das vezes, o patriarca cuidava da distribuição da água.

Objetos e Casas

O homem introduziu a técnica do polimento na confecção de objetos com pedras. Depois de lascá-las, ele esfregava-as, polindo e afiando as peças. Assim apareceram os primeiros modelos de facas, agulhas, machados, anzóis e lanças, bem como utensílios – pilões, pratos e vasos. Nessa época, o homem também produzia objetos com cerâmicas, como potes, jarros e bacias, além de construir casas de madeira revestidas com argila.

Evolução do raciocínio

Percebeu-se que a caça, praticada desde os antepassados, não era a melhor solução para saciar a fome. Concluiu-se que seria mais vantajoso domesticar cabras, carneiros, porcos e outros animais, para fornecerem a carne e subprodutos – como leite e lã – e força de trabalho no transporte de carga.

O cultivo da terra propiciou outro salto evolutivo. Pela primeira vez, o homem refletiu sobre os fenômenos naturais que ainda não tinha explicação racional, como o Sol, a chuva e a água.

Ele notou, por exemplo, que havia relação entre as fases da Lua e os períodos de plantio e colheita. Surgiram os primeiros questionamentos sobre assuntos abstratos, como a vida, morte, amor e deus.

As próximas gerações humanas ampliaram as crenças e os costumes primordiais, dando sequencia à evolução cultural, ao mesmo tempo que aprimorariam as tecnologias, aplicando novos métodos na agricultura e na fabricação de ferramentas e materiais.

Revolução Agrícola

A transição do homem caçador e nômade para o agricultor sedentário ocorreu de forma gradual, a partir de 10 mil a.C. Assim que a temperatura média da Terra aumentou, com o fim da Era do Gelo, o ambiente sofreu modificações. Ao adaptar-se às novas condições de vida, o ser humano descobriu que poderia controlar a produção de seu alimento.

A prática da agricultura surgiu ao observar-se que sementes de determinadas plantas, como trigo, quando espalhadas pelo vento na terra, geravam um novo fruto.

Acredita-se que os primeiros produtos agrícolas cultivados pela humanidade tenham sido o trigo, a cevada e a aveia. Esses cereais germinavam em abundancia e podiam ser estocados.

Para garantir o suprimento alimentar, porém, era necessário cuidar do plantio e da colheita e, muitas vezes, conformar-se com as intempéries da natureza. As áreas mais procuradas para a agricultura na Ásia, na África e no sul da Europa eram as terras férteis próximas aos grandes rios, como o Nilo, no Egito.

Nessas mesmas regiões também foram domesticados os primeiros animais selvagens entre eles os porcos, ovelhas, cavalos, cavalos e bois, que forneciam carne e leite.

Tecnologia de plantio

No início, o solo era utilizado até o completo esgotamento, quando se buscava outras regiões para plantio. À medida que a agricultura tomava o lugar da caça predatória, as técnicas de plantio e colheita foram aperfeiçoadas. Para tornar o trabalho mais eficiente e produtivo, criou-se ferramentas de pedra e madeira para trabalhar a terra.

A principal evolução técnica, no entanto, ocorreu graças aos métodos de irrigação e drenagem do solo, desenvolvidos por camponeses. Muitas regiões dependiam desses mecanismos para garantir a fertilidade da terra e, claro, o alimento. Em decorrência disso, a agricultura pôde ser adaptada a diversos climas.

Divisão do trabalho

A atividade agrícola transformou o modo de vida do homem primitivo, pois exigiu que ele se fixasse em um local para acompanhar sua produção. Quanto mais aprendia a lidar com a terra, melhor era o resultado da colheita.

Com mais alimentos disponíveis, a densidade demográfica das aldeias cresceu. A partir disso, estabeleceu-se uma nova organização do espaço, com a formação de concentrações populacionais maiores que, futuramente, se transformariam em vilarejos, os quais originariam as primeiras cidades.

Além disso, o trabalho agrícola também forçou o processo de divisão de funções entre aqueles que o realizavam, remodelando a organização social. Homens confeccionavam utensílios de pedra polida e mulheres cuidavam da coleta e do cultivo.

8 de Março – Dia Internacional da Mulher

8 de março de 1857 as operárias de uma fábrica de tecidos, situada em Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica para reivindicar melhores condições de trabalho, redução na carga diária de trabalho de dezesseis para dez horas, equiparação de salários com os homens e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi fortemente reprimida com violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas.

Em 1903, profissionais liberais norte-americanas criaram a Women’s Trade Union League que tinha como principal objetivo ajudar todas as trabalhadoras a exigirem melhores condições de trabalho.

Em 1908, mais de 14 mil mulheres marcharam nas ruas de Nova Iorque reivindicando o mesmo que as operárias mortas em de 1857, bem como o direito de voto. Utilizavam o slogan “Pão e Rosas”, em que o pão simbolizava a estabilidade econômica e as rosas uma melhor qualidade de vida.

No ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem às mulheres mortas naquele incêncio. Mas somente no ano de 1975 a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

A partir daí, na maioria dos países, realizam-se conferências e debates cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade tentando diminuir preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços e lutas, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional.

O dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.

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