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Um Imenso Lençol Verde

O cotidiano na fazenda no meu tempo de criança é a imagem que com o passar do tempo foi se sedimentando para se transformar numa lembrança pura, doce, embora um tanto quanto rude como possa ser a vida no campo.

Preciso que se diga que sou a última de doze irmãos dos quais, nove estavam vivos quando nasci. Eram cinco homens e quatro mulheres. Aos homens cabiam as funções externas da casa, a lida com o gado, os porcos e a lavoura. Às filhas, os trabalhos domésticos. Os meninos aprendiam com o pai desde a administração dos negócios, os truques de como comprar e vender às pequenas tarefas como castrar uma porca ou colocar um bezerrinho recém-nascido pra mamar.

Às meninas os trabalhos domésticos, o ponto do doce, do requeijão, como bater o creme de leite pra fazer manteiga… os bordados delicados, ou movimentar o pedal da máquina de costura. De ver a mamãe fazer, acumulávamos a aprendizagem. Era assim que as moças se preparavam para o casamento.

Cresci na zona rural onde papai possuía uma fazenda, cuja maior produção era o cultivo de lavouras de café. Os cafezais se estendiam pelas encostas dos morros formando um imenso lençol de um verde escuro quase negro. Era um próspero negócio.

A região era famosa por ser propícia à cultura cafeeira.

A cafeicultura na segunda metade do século passado, era cultivada de forma rudimentar utilizando de forças braçais de empregados remunerados que chamávamos colonos. Estes moravam com suas famílias na colônia: uma fileira de casas simples, com paredes rebocadas, cobertura com telhas de barro e o piso de terra batida. Cada casa tinha dois quartos, sala e cozinha, onde um fogão à lenha servia a qualquer família que ali morasse.

Os colonos eram contratados para o trabalho nas lavouras e quase sempre chegavam de carro de bois, que papai mandava buscar onde estivessem morando. O contrato de serviço era informal bastando a palavra e os “assentamentos” que papai fazia em um caderno de capa dura. Ali era registrado o acerto de cada colono, as retiradas semanais e o salário. Sábado era o dia em que eles vinham pegar o adiantamento para as compras. Era quando encostavam a enxada, trocavam de roupa e rumavam para a venda junto com outros companheiros para irem se alegrar um pouco. Não era raro aquele que consumia todo o dinheiro em bebida e farra. Voltava pra casa sem nenhuma compra e caindo de bêbado. A mulher que se virasse pedindo emprestado algo com o que cozinhar com vizinhos, ou na fazenda como eles chamavam a casa dos patrões. Eram homens sem o mínimo senso de economia, objetividade e amor à família. Por isso, viviam sempre na extrema pobreza, baixíssima higiene e nenhum conforto. A grande maioria era analfabeta, e muitos nem documentos possuíam. Eram quase nômades. Mudavam-se para uma outra fazenda, já comprometidos com uma nova dívida: o pagamento da anterior.

Como as leis trabalhistas ainda não haviam chegado ao meio rural, cada fazendeiro entendia de empregar os próprios meios para se relacionar com os empregados. Muitas vezes eram relações desumanas, prepotentes, sem a menor compaixão. O empregador não admitia o menor prejuízo.

O meu pai procurava ser justo. Era enérgico, rigoroso e, às vezes, ríspido. Todos o temiam. Quando alguém o tirava do sério… sai de baixo, porque o tempo  fechava…Tudo tinha que correr como ele queria e determinava. Era frequente ouvir sua voz alterada com algum dos colonos que não cumpria suas ordens ou que não fazia do modo como ele havia determinado. Ele sempre se saía muito bem, porque  não havia quem o contestasse.

A irritação de meu pai quando chegava ao ponto de esbravejar, me causava pânico, eu sempre procurava algo útil pra fazer com medo que pudesse sobrar pra mim… Nesse exato momento em que evoco essa lembrança, posso experimentar o estranho sentimento que se apossava de mim  nessas ocasiões…

A Rotina na Fazenda

O dia principiava cedo na fazenda! Quando o sol despontava lá no horizonte a lida já andava alta. A vida ali começava a adquirir movimento com canto dos galos, da passarada, o mugido das vacas e bezerros! Quem tivesse que trabalhar não podia esperar o sol nascer para se levantar. Punha-se fora da cama ao primeiro chamado do papai. Primeiro ele raspava a garganta. Para um bom entendedor, meio rã-c-rãããã já basta. Quem primeiro ouvia o barulhinho característico, éramos nós as meninas (como meus pais nos chamavam) que dormíamos em quarto contíguo ao de meus pais cuja entrada se fazia pelo quarto deles. Uma das meninas se levantava rapidamente, passava pelo quarto dos meninos, os chamava, passava pelo banheiro e ia cuidar do café que seria servido para papai e mamãe na cama. Quando os outros se levantassem a mesa estava posta com as quitandas feitas em casa e leite fresco recém saído do úbere da vaca.

Cada um tinha sua tarefa especifica. Uma rotina diária de provocar estresse em qualquer cidadão urbanóide que se aventurasse passar ali uns tempos. Enquanto um cuidava das vacas pra tirar o leite, o outro ia cuidar dos porcos. Vez por outra, tinha uma vaca recém parida que exigia maiores cuidados. Se houvesse um trabalho extra pra fazer, geralmente era determinado na véspera. Ora correr (visitar) os pastos, ora supervisionar o trabalho dos colonos nas lavouras e ainda concertar cercas, pontes, mata-burros e outros serviços considerados da ala masculina da família. Os meninos trabalhavam pesado… Começavam quando amanhecia e só paravam para as refeições e quando terminassem todo o serviço do dia. As tarefas eram bem definidas.

O serviço de casa cabia às meninas. Minhas irmãs Teca e Maria I se incumbiam das refeições, da roupa, da arrumação da casa, dos doces e bolos. Elas trocavam as semanas. Uma cuidava da cozinha enquanto a outra se incumbia do restante do serviço feminino. Assim parecia justo. Cada semana era uma que tinha que pular da cama mais cedo pra acender o fogo e passar aquele cafezinho cheiroso! Era fácil acender o fogo, pois sempre tinha uma tora queimando a noite toda para cozinhar o feijão. Logo o cheirinho do café chegava até minhas narinas, então eu que não tinha que “pegar no batente”, virava pro canto e dormia até que me chamassem. Barulho algum me acordava… Que soninho bom! Nesse tempo eu ainda era ainda criança, não entrava nessa divisão de tarefas, mas era chamada toda hora para ajudar alguém, até lá fora nos afazeres masculinos. Meus irmãos Rubens e Quincas um pouco mais velhos que eu faziam serviços mais leves enquanto João que já beirava os 20 anos cuidava das obrigações de maior relevância.

Quando todas as tarefas estavam cumpridas, as meninas se reuniam com a mamãe no quarto de costura para fazer pequenos concertos, bordados ou passar roupa. Mamãe tinha uma meta de fazer uma colcha de retalhos para cada um dos filhos. Era nesse espaço de tempo, entre as refeições, que acontecia um dos momentos de maior importância para nossa formação moral e religiosa. Mamãe contava histórias, falava dos livros que lia fazia comentários das notícias sempre com uma conotação moral.

Esse foi um tempo em que eu, caçula dessa família, convivi com meus queridos irmãos e irmãs cujos nomes foram alterados em respeito às suas identidades. Como éramos nove filhos vivos, acima de João, ainda tinha Ester, Josias e Mateus, casados, com os quais não tive convivência diária porque moravam fora da fazenda.

Viajar pelo Mundo Através dos Mapas

Ela era doce, meiga e carinhosa. Sempre paciente, mamãe foi a nossa alfabetizadora, nos preparando para alcançarmos classes mais altas quando chegasse o ponto de irmos para o colégio interno. Nossos pais faziam questão que todos tivessem uma boa educação. Como morávamos na fazenda, a saída seria pagar internato.
A época de assumirmos essa nova etapa da vida, era determinada pela saída dos mais velhos do colégio, ou a saída dos mais velhos é que dependia da idade dos mais novos que fossem alcançando a época de irem para o internato.

Dos filhos mais velhos aos mais novos, a didática era a mesma.

As aulas eram ministradas em casa, sem horário fixo. Mamãe nos reunia ao redor de uma mesa e ali ministrava as primeiros conhecimentos – alfabetização, a caligrafia, pra ficar com a letra bonita (era prioridade para papai!), as quatro operações… A tabuada… Ah! Essa, papai fazia questão de “tomar”! Acho que é daí a origem do meu horror pela matemática. Morria de medo quando papai me chamava! Se errasse, levava um cocorote na cabeça! Isso pra mim era a morte! Os meus irmãos Rubens e Quincas, mais velhos que eu, já não se incomodavam tanto, mas às vezes a coisa ficava feia… o bicho pegava… Alem dos cocorotes, o castigo até aprender de cor a maldita tabuada! Pra amenizar a tensão, mamãe dava um jeito e deixava-nos merendar e em seguida voltar aos estudos. Só podia sair se cumprisse o determinado.

Os exercícios, principalmente os de matemática (continhas) eram passados em uma pequena lousa verde retangular (30×20 cm), com uma argolinha na lateral onde se prendia uma tira de retalho que servia para limpar a pedra. Para que a louza ficasse bem limpa, usávamos molha-la na língua. A ponta dessa tira era engomada de tanto cuspe acumulado… Uma peça no formato de um palito de churrasquinho de uns oito centímetros de comprimento, do mesmo material da pedra, era o instrumento de escrita. Quando precisávamos apagar, era só passar o trapinho… molhado.

Ler mapas, decorar os nomes dos estados e suas respectivas capitais, conhecer os fatos mais relevantes da História do Brasil, fazia parte do “currículo” doméstico. Disso eu gostava, tinha o maior prazer, decorava com facilidade e sabia a localização dos continentes, paises suas capitais e principais cidades.

Fazia verdadeiras viagens pelo mundo através dos mapas! Desembarcava em Portugal e dali partia para os países vizinhos! Visitava as cidades da Europa, a localização das capitais, o relevo, bacias hidrográficas! Tudo isso por meio de um Atlas, que nessa fase da minha vida proporcionou parte dos meus devaneios. Mamãe me ajudava bastante. Ela tinha um bom conhecimento geral, gostava de ler livros e jornais que papai assinava. O jornal trazia a notícia e nós íamos localizar no mapa o local da ocorrência.
Após esse estudo, procurava gravar na memória, para mais tarde quando estivesse livre, viajar mentalmente, passando pelas situações, as quais haviam sido comentadas pela mamãe.

Um dos trechos mais visitados por mim era a palestina cujas histórias eram contadas em um livro intitulado História sagrada. Nele havia alguns mapas que eu queria identificar no Atlas, mas quase sempre sem resultado devido à diferença de escala.

Posso atribuir à mamãe o fato de toda a minha vida ter sido uma leitora contumaz, assim como o método de ensino da matemática aplicado pelo meu pai, em mim produziu efeitos que nunca mais consegui corrigir.

Meu Pai, Uma Pessoa Fora do Comum

A imagem que tenho, enquanto criança, de meu pai, era de uma pessoa de idade. O fato de eu ter sido a ultima de uma prole grande foi peremptório para que em minha mente ressaltasse o conceito de uma pessoa bem idosa, sempre tratada com muito respeito e cuidados para que não fosse contrariado de modo algum, até nos mínimos detalhes. O que eu não sabia ainda, era que ele se resguardava porque era doente, havia sofrido tuberculose. Isso deixava minha mãe e meus irmãos em pé de alerta a qualquer manifestação de gripe ou resfriado. O tratamento pra vida inteira, era seguido à risca. Mesmo assim teve várias recaídas. Por isso era tratado com tanta deferência. Era muito nervoso e autoritário, qualquer manifestação sua era uma ordem.

Ninguém se assentava à mesa ou se servia antes dele; os melhores pedaços eram separados para ele. Tomávamos as refeições em silêncio, porque se ele não comandasse a conversa, ninguém mais tinha o direito de se manifestar a não ser para responder às suas perguntas.

Era obedecido, reverenciado, temido, mas…não conseguiu se fazer compreendido e amado por mim enquanto pequena. Não que fosse desprovido da capacidade de um sentimento maior. Ele amava sua família, adorava a mamãe, mas do seu jeito ranzinza e autoritário de ser, sem fazer demonstrações. Sim porque com esse temperamento irascível, somado a uma severa educação, só podia surgir um ser durão, travado na manifestação dos sentimentos… Demonstrações de afeto, de carinho eram atitudes piegas. Raramente me lembro de assentar em seu colo, mas eu gostava que ele descascasse uma fruta para mim, era a maneira como eu encontrava para me aproximar dele. Era também o máximo que eu conseguia fazer. Precisava observar se o sinal estava verde para avançar. Nesse aspecto foi assim a vida toda. Quando ele estava de bom humor, o máximo carinho que ele conseguia expressar era dizer: “minha filha que é bilha!” acho que a palavra “bilha” era usada só pra fazer rima, mas eu ficava feliz porque interpretava como carinho, ou bom humor.

Passava muito bem a imagem forte de quem protege, provê, administra, e comanda. Às vezes, enquanto calmo, usava a didática do convencimento, pedia opinião, mas só para ver o pensamento do outro. Já tinha a sua formada, e isto bastava. Não admitia réplica, a sua opinião era a que prevalecia. A única pessoa que raramente ouvia e acatava fora mamãe, era meu irmão João. Esse era diplomata! Sabia levar a fera com jeito. Conversa vai, conversa vem, quantas vezes vi papai ceder depois de muito rodeio, como se tivesse apurando o pensamento, numa discussão acadêmica. Meu cunhado Julhinho também tinha um relacionamento, digamos, amigável com ele. Fora essas ocasiões, a imposição era o método empregado. Não admitia erros. Se não alcançasse êxito, a falha era sempre do executor.

Havia um momento muito importante nas nossas vidas em que nas noites mais quentes nos reuníamos no alpendre. Papai não dizia, mas hoje eu reconheço o prazer que sentia e intimamente agradecia a companhia quando espontânea de qualquer um dos filhos, principalmente os meninos. Ali era seu lugar preferido onde passava quase o dia todo lavrando pauzinhos ou lendo jornais. Era quando passava com os meninos as tarefas do dia seguinte, relembrava casos da família, pessoas que eu não conhecia, mas pude guardar alguns nomes; às vezes fazia comentários das notícias dos jornais que assinava.

Meu pai era uma pessoa bem informada, politizada, estava sempre por dentro dos principais assuntos do momento. Nas noites mais frias essa reunião era feita na cozinha em volta de uma lata aberta como assadeira cheia de brasa. Assentávamos em volta para nos aquecer e ouvi-lo. Detestava conversas paralelas enquanto estivesse falando. Ambos, ele e mamãe faziam questão que estivéssemos todos juntos nessa hora.

Apesar dessa ranzinzisse, e de ser o responsável pelo meu caráter submisso, guardo com saudade a lembrança de meu pai; a minha infância e tudo o que me relaciona com ela inclusive e principalmente a educação severa que nos tornou a todos, seus filhos,pessoas de bem.

Minha Mãe, Meu Exemplo

Quando nasci minha mãe já contava com 42 anos. Já era possuidora de uma vasta experiência de vida, de esposa e mãe, pois já colocara no mundo os meus onze irmãos. Casou-se aos 16 anos e começou a ter filhos. Saiu da casa dos pais onde tinha quem fizesse os trabalhos domésticos e era tratada com muito zelo pela ex-escrava Sá Cândia, para uma vida de responsabilidades e trabalho na fazenda.

Passou por experiências dolorosas com a doença de meu pai na época em que ele saiu de casa para se tratar, ficando sozinha com a administração da fazenda, da família ainda crianças e adolescentes. O sofrimento torna as pessoas mais maduras, sensatas e decididas.

Aprendeu muito com a vida, “na raça”, sem demonstrar fraqueza nem temor às adversidades que lhe estavam sendo impostas. Sua coragem e exemplo de fé é motivo de orgulho e motivação para todos nós seus filhos. As dificuldades pelas quais passou em sua vida fizeram-na uma mulher forte, corajosa, e determinada.
Mantinha atitude submissa como era próprio das esposas na primeira metade do século 20 e até bem pouco tempo. Havia, porém momentos em que exibia sua personalidade e sua vontade prevalecia diante das imposições de meu pai. Muitas vezes era sua a última palavra. Ela sabia quando fazer a interferência, o momento certo de falar pra ser ouvida. Sofria com o jeito duro de ser do meu pai com a sua intransigência, porém nunca a vi chorar ou se lamentar, muito menos replicar.

Mamãe era a conciliadora em todos os momentos.

Com os filhos encontrava continuamente um pretexto para relevar as atitudes egocêntricas e autoritárias do meu pai. Uma palavra apaziguadora era o bastante para justificar a conduta dele. Já com ele sua tática era outra em defesa dos filhos. Mesmo que estivessem errados, como para abrandar um pouco a situação, encontrava saída para amortizar a falta. Só que ela não deixava passar em branco, não alisava, com um jeito que só ela tinha de entender as pessoas, corrigia como verdadeiramente precisava. Repreensões e castigos… Nada de rebeldia porque não surtia efeito. O castigo durava até a hora determinada. Eu imagino o quanto ela sofria quando tinha que impor um corretivo mais forte! Sua vontade talvez fosse agir com mais brandura, mas sabia por intuição talvez, das consequências para a educação daquele ser em formação. E não deu outra!Todos nós somos no mínimo pessoas honradas, descentes!

Não havia cursado nenhuma escola formal, mas entendia o ser humano como ninguém. Sabia agir no momento certo com o corretivo adequado. Mamãe era uma sábia!
Teve, como papai, o privilégio de “nascer bem” isto é, ter uma família de recursos que mantinha um professor para “educar” toda a prole em casa. Os colégios eram escassos, distante e difícil acesso. Mais pratico era conseguir alguém com bom conhecimento geral que desse aulas para todos os filhos, morasse com a família e ainda tivesse um salário livre. Não era difícil encontrar uma pessoa com essa disponibilidade, porem dentro dos critérios estabelecidos pela tradição familiar, havia certos inconvenientes. A pessoa tinha que ser católica praticante e seus princípios pautados nos ensinos e praticas religiosas.

Mamãe foi uma das pessoas que mais marcaram a minha personalidade. Não saberia falar de mim sem sentir os reflexos dos seus ensinamentos, do seu exemplo, da sua influência na minha maneira de ser. Às vezes me pego repetindo suas falas, seu modo de fazer as coisas, recordando: “como é mesmo que mamãe fazia isso?”

O Leite Usurpado

Percorrendo as minhas lembranças na década de 1950 e alguns anos anteriores, vamos encontrar a motivação que me levou a escrever os retalhos de minhas memórias. Situações inusitadas para os mais jovens  urbanos e provavelmente motivo de saudade para os contemporâneos rurais.

Do alpendre da casa da fazenda podiam-se ver os currais, alguns pastos como o piquete, parte da invernada e uma pequena área onde era plantado um mandiocal. Ah! Um pé de eucalipto bem na esquina da lavourinha, lindo, enorme, que balançava, balançava ao vento… Ali tinha também aboboreiras, cana de açúcar e batata doce. Logo acima, uma pequena lavoura de café que ia até o terreiro e a tulha. Era aí onde as frutinhas eram despejadas para começar o processo de secagem e armazenagem do café em grão.

Nos fundos da casa, rodeando o quintal, havia outras divisões de pasto, todas com seus respectivos nomes, mangueiro  e pastinho, onde eram soltos os animais da lida diária, os cavalos e éguas de serviço.

Alguns degraus separavam a casa do curralzinho que ficava bem debaixo de algumas janelas inclusive uma do quarto dos meus pais, de onde se viam toda a movimentação da lida com o gado. Os currais em número de dois, eram cercados de tábuas e se permitiam passagem entre eles por porteiras. Adiante, após o primeiro curral ficava o barracão que o papai chamava de casa, onde os bezerros passavam a noite separados de suas mães. Ao lado do barracão, uma varanda onde se guardavam as tralhas mais pesadas da fazenda, inclusive o carro de bois.

Todas as tardes impreterivelmente, as vacas paridas, ou seja, as que ainda estavam amamentando, eram recolhidas junto com os bezerrinhos em um dos currais onde era feita a apartação que era separar as vacas de suas crias. Esse procedimento era para que a vaca pudesse reservar o leite produzido durante a noite, para que no dia seguinte, bem cedo, fosse ordenhada, ou seja, extraído o leite que por direito pertencia ao bezerrinho. Este, coitadinho, ficava preso no curral, berrando… berrando, sentindo falta da mãe ou com fome mesmo, quem sabe? A vaca, do lado de fora,em pleno exercício do instinto maternal, mugindo, como que externando indignada a ausência do filhote.

Bem, o leite usurpado da vaca virava queijo, manteiga, doce, requeijão da melhor qualidade, consumido pela família ou vendido na cidade. Essa era uma tarefa que mamãe sozinha exercia muito bem! Não só porque a produção era pequena, mas principalmente porque era muito caprichosa, sempre com muito cuidado, e higiene, dentro dos padrões da época. Nem por isso deixavam de ser deliciosos e muito procurados!

O queijo, trabalhado artesanalmente, o tipo meia cura, aquele amarelo e liso por fora, sem imperfeições, tinha a cor creme por dentro. Era macio, rendado e delicioso! Ao corte, podia-se ver a manteiga escondida nas pequenas cavas.

Durante o processo de manufatura, havia um momento ímpar para as crianças, eu adorava! A massa, isto é, a qualhada era colocada nas fôrmas, espremida, “espinicada,” em seguida, mais massa e repete o processo de espremer para dar liga e o queijo ficar uniforme. No momento em que a qualhada era “espinicada” e espremida, o soro saia carregado de pequenas partículas de massa. Era um soro esbranquiçado e mais espesso que aparávamos em nossas canequinhas! Era um alimento rico e muito saboroso, um momento que esperávamos com ansiedade!

Em tempos de temperatura mais elevada, às vezes, o queijo fresco ainda na fôrma ou aquele de um dia, sofria alteração e aumentava de volume. Embora contrariada, mamãe tratava de consertar o dano.

Este queijo inchado era transformado em queijo cozido tipo mussarela. O manuseio é simples: fatiar o queijo numa vasilha com água bem quente para cozinhar; quando a massa estiver no ponto de modelar, pega-se uma porção, trabalha-a bastante com as mãos para eliminar o excesso de água e começa a dar a forma desejada. Mamãe dava o formato de cabacinha. Quando os queijos inchavam… a saída pra aproveitar, era ter mais trabalho. Eu então adorava! Aquele queijinho de cabacinha era uma delicia!  Divertido era comê-lo desfolhado até o final!

Hoje aos 70 anos, enquanto exercito minha memória buscando os fatos vividos enquanto criança, recordo com saudade a vida saudável, despreocupada, tranqüila, tanto que chegava a ser monótona, porem feliz!

Katipsoi Zunontee e a Missão de Salvar o Mundo

Katipsoi Zunontee é um guerreiro Maia, o mesmo povo que previu o fim do mundo no ano de 2012. E, por ironia do destino, esse guerreiro será o responsável de salvar a humanidade de uma grande catástrofe.

Os Maias

Os Maias

Segundo a lenda, em 2012 grandes catástrofes iriam acontecer na terra, vários estudiosos e paranormais pregam isso por aí já faz algum tempo. A história veio a tona quanto um grupo de escavadores encontraram na América do Sul um livro milenar que falava sobre a vitória de um guerreiro chamado Katipsoi Zunontee

Ele vem de linhagem nobre e dizem que é imortal. Foi treinado desde criança para enfrentar os piores inimigos e adversidades. Já passou por situações que um mortal não agüentaria e isso fez com que seu povo acreditasse fielmente no que dizem as escrituras.

Segundo a lenda, muitos desses inimigos que Katipsoi enfrentaria seriam parecidos com humanos. Outros, nem tanto. E isso explica seus desentendimentos com vilões com o decorrer dos anos, nada demais, apenas alguns desentendimentos catastróficos, pessoas como Vingador, Darth Vader, Majin Boo, Rita Repulsa (odiava voz dessa mulher), Shang Tsung, Hades e a mais recente delas: Chuck Norris.

Esse último confronto aconteceu no dia 13 de janeiro. A primeira sexta-feria 13 de 2012. E depois desse dia muitos passaram a ouvir barulhos estranhos no céu. Como se fossem jatos ultrasônicos rasgando a atmosfera. Há versões que afirmam que esses barulhos são Katipsoi Zunontee treinando corridas. Dizem que sua velocidade é semelhante à velocidade da luz. Outros dizem que ele está apenas brincando de pega-pega. E, há ainda quem diga que são extraterrestres querendo descobrir o segredo de tanta força.

O fato é que o nobre Katipsoi não está nem aí para essa missão. Ele sequer acredita ser o salvador da humanidade. O que ele quer mesmo é deixar de ser incomodado por esses vilões chatos de filmes e histórias em quadrinhos e curtir sua boa cervejinha, de frente pro mar  e de costas pro bar. Cabra bom esse, não?

 

O Conflito

O conflito interno é necessário para que ocorra o caos, do caos surge à luz.

No principio era o conflito e o conflito estava com Deus, o conflito era Deus (24). Ele estava no princípio com Deus. E sem Ele nada do que foi feito se fez. Nele estava à vida, e a vida era a luz dos Homens.

Sob a luz da gramática percebemos que a definição de verbo possui correlações semânticas com a definição de conflito, essa correlação se estabelece no sentido de que a variação implica na ruptura de padrões estabelecidos e toda mudança provoca o confronto, melhor dizendo, o conflito. O consenso surge depois como a resultante do somatório de todas as vertentes.

Tendo feito minha defesa diante aos mais sensíveis quanto à modificação do texto bíblico, redireciono agora para o que proponho que é ilustrar com alguns poucos exemplos, mas significativos, a seguinte citação:

“O conflito é a luz dos Homens”

Como todo leitor compulsivo por biografias, busco inconscientemente no estudo da vida das grandes personalidades, alguma fórmula a qual pudesse nortear meus passos no sentido de acrescentar algum resquício de genialidade em minha existência, claro que essa fórmula não existe e minha pretensão é descabida, mas entre sonhar e não sonhar fico sempre com a primeira opção, pois será sempre infrutífero o intento de repetir as veredas trilhadas pelos homens, quanto mais dos gênios. Ninguém poderá reproduzir os caminhos que propiciaram o surgimento de um ser como Newton (25), ainda que lêssemos o que leu, vivêssemos com quem viveu, estudássemos o que estudou, jamais poderíamos sentir da mesma forma como sentiu.Newton, como todo ser humano, é único e a forma de enxergar a natureza sofre variação de acordo com a pessoa, o azul do céu que Newton tanto contemplava não existe em nenhum outro lugar, o que sua retina transmitia ao seu cérebro sofria influências e era modificado e decodificado com impressões pessoais, o que torna o azul do céu da Inglaterra como sendo o seu azul, do seu céu, da sua Inglaterra.

Newton tinha uma relação íntima com o espaço, gostava de passar horas observando os astros, imagino que o céu da Inglaterra no século XVII não fosse tão cinzento como hoje. Sua infância foi marcada pelo falecimento do pai, e tendo sua mãe contraído novas núpcias, foi naturalmente levado a ter um convívio maior com seus avós, talvez esse fato desenvolva no menino o costume de se isolar, gosta de trabalhos manuais e não demonstra muito interesse pela ciência. Foi a imposição de um tio, funcionário de Cambridge, que o levou para a universidade onde não se destacou como aluno, no entanto possuía uma característica peculiar: Newton necessitava de motivação para desenvolver o seu potencial. Como exemplo temos o famoso binômio, recurso matemático que é utilizado até hoje como facilitador do cálculo das potências da soma de dois termos. Como percebemos uma vez despertada a sua genialidade não havia limites. Elaborou conceitos e cálculos de vital importância nos mais diversos campos, da astronomia à óptica. Em Newton observamos o gênio e o seu conflito, é histórica sua suscetibilidade às criticas, sua forma despretensiosa de ver a vida e, somado a sua timidez, tais fatores pareciam ser um empecilho ao seu desenvolvimento. E foi, justamente, sua personalidade que propiciou o florescimento de sua genialidade ímpar.

Outro legado de Newton nos foi proporcionado em sua célebre frase – “se enxerguei mais do que os outros, foi porque me apoiei no ombro de gigantes”, onde sintetiza em uma frase todo o conhecimento que os educadores parecem ter esquecido, quando ficam discutindo bobagens e apresentando teorias sem o menor conteúdo, deveriam aprender com essa frase e entender de uma vez por todas que o gênio não floresce em qualquer terreno, ele só ocorre onde a terra anteriormente já fora cultivada, é por essa razão que uma educação formal e austera é importante para que nossos jovens tenham a possibilidade de escalar até os ombros dos gigantes. É importante que o estado promova o encontro dos nossos jovens com os grandes pensadores, com o conhecimento clássico, para que possam, munidos de informações, pensar o novo e não serem condenados a se tornarem mão de obra especializada e repetidores de teorias desenvolvidas por outros.

Outro gênio brinda a humanidade com a sua existência. Einstein (26) era tão quieto e solitário que esse seu comportamento levou seus dedicados pais, Hermann e Pauline, a desconfiarem de que seu filho único teria problemas mentais, suspeita endossada pelo estranho formato de sua cabeça (na verdade não era o formato que impressionava e sim o tamanho grande se comparado com as outras crianças), característica que sua mãe interpretava como um prenúncio de retardo mental. Felizmente o que os pais de Einstein iriam mais tarde descobrir, aproximadamente quando o menino contava com cinco anos, era que o garoto simplesmente gostava de ficar só e o seu rendimento intelectual era extraordinariamente potencializado quando não interagia. Creio que seria uma atitude justa se o instituto sueco que administra o Premio Nobel concedesse um pós mortem aos pais de Einstein, pela contribuição à humanidade, explico – se seus pais tivessem seguido o s conselhos dos educadores nós não seriamos abençoados com o pensamento pujante de Einstein. Hoje há mais de um século do seu nascimento é comum a padronização da interatividade no processo educacional moderno, e toda a padronização, como dizia Nelson Rodrigues (27), é uma burrice. Costumo dizer que a pérola só é formada por ter a ostra se fechado do mundo exterior, impedindo que impurezas a contaminasse. É claro que nem todo o aluno que se isola será um gênio, mas o estresse causado pela imposição com que certos educadores submetem os seus alunos a interação total, como se isso representasse um pré-requisito para a assimilação de conhecimento, representa sem a menor dúvida em danos graves e muitas vezes irreversíveis no processo educacional. A própria estrutura dos cursos de pedagogia, onde os futuros mestres não são apresentados aos grandes pensadores, e a total ausência de disciplinas exatas, como a matemática, física, química e, também, às ciências biológicas, sem contar com o ensino fundamental de história, português e uma língua estrangeira como instrumental, faz com que esses profissionais apresentem déficits quanto a sua formação. Estudam muito Paulo Freire (28) e Piaget (29) como se isso significasse algo relevante. O Estado forma péssimos mestres e, por conseguinte, a nossa sociedade estará condenada à mediocridade. Essa é a razão do restabelecimento da Faculdade de Humanidades onde todos os cursos da área de humanas fossem fundidos em um único curso, e a formação acadêmica de oito anos é fundamental.

Voltando a Einstein, ele foi uma criança diferente, como aluno foi brilhante e é comum a lenda de que foi reprovado na escola em matemática, reprovado ele foi, mas por indisciplina, Einstein tinha dificuldade de se relacionar com os professores. Em casa sua personalidade era respeitada, sua mãe tão logo percebeu sua característica passou de modo sistemático a ler para o filho. Assim que foi alfabetizado, sua zelosa mãe se encarregava de espalhar pela casa revistas e livros para que o menino os encontrasse. A harmonia do casal era completa e todos se empenhavam em promover uma melhor formação educacional ao menino, isso é outra lição que devemos aprender com o estudo biográfico de Einstein, a educação é um processo onde todos os atores devem estar empenhados na sua promoção (estado, sociedade e família). O Sr. Hermann vendo que o seu filho não gostava de brinquedos lhe deu uma bússola de presente, sem perceber havia despertado a paixão pela ciência em seu filho. O termo é paixão, pois o menino ficou de uma forma tão avassaladora envolvido com o objeto e com a força “mágica” que direcionava a agulha para o norte, que teve febre e calafrios à noite, tamanha foi sua excitação; e isso aos seis anos.

Seu tio Jakob juntamente com o seu pai, respeitava o seu modo de vida, a ponto de rolarem no tapete da sala com a pequena Maja, sua irmã caçula, e ao jovem Einstein proporem problemas matemáticos que eram de forma ávida procurados entre amigos e vizinhos. Isso se chama respeito e essa lição Einstein iria levar por toda a sua vida, o respeito às diferenças. Amigo teve poucos (Max Talmud, Marcel Grossman, Mileva Maric que mais tarde se tornaria sua esposa e grande colaboradora), mas para a vida toda, Einstein recebeu orientação religiosa dentro dos princípios judaicos, tornou-se um pacifista ferrenho, ecologista, defensor das liberdades e das minorias, amou as pessoas mesmo as mantendo longe.

Antes de falar sobre outro grande exemplo da genialidade humana, e de sua relação intrínseca com o ambiente onde primitivamente obtém formação, quero enfatizar que tenho noção da dimensão entre o gênio e a forma em que a genialidade se manifesta. Quando usei os exemplos de Newton e Einstein o objetivo era demonstrar que teve papel fundamental, a forma como se desenvolveram intelectualmente. Foram o resultado de sólidos sistemas educacionais que, somados aos mais variados incentivos e a sua condição intelectual inata, produziu esses seres extraordinários, mas para não ficar restrito a ciência menciono agora um general, melhor dizendo, o maior general da história da humanidade.

O maior gênio militar de toda a história, o homem que consolidou e propagou os ideais da Revolução Francesa, o homem que dominou toda a Europa e foi decisivo nos destinos dos Estados Unidos e do Brasil, Napoleão Bonaparte, o revolucionário, o general, o Imperador da França, queria na verdade viver bucolicamente no campo, ao invés de dominar o mundo o seu sonho era ser mecânico.

Durante o período em que, forçado por imposição de sua família, ficou na Real Academia Militar de Brienne como Cadete do Rei, Napoleão sofreu com a saudade da Córsega, sua terra natal, onde corria pelos campos e andava livremente, sua paixão pela ilha era um caso único que inclusive o motivou a escrever um volumoso livro sobre a sua história, ele durante toda a sua vida sempre repetiu que por ele nunca sairia da ilha, ou melhor, da sua perfumada ilha onde era só fechar os olhos e sentir o aroma e imaginar-se no paraíso.

O jovem Napoleão, uma vez obrigado a viver na França forjou o seu espírito; sua vontade e determinação traçaram um novo destino e o da humanidade também. O jovem, que gostava de botânica e poesias, dedicou-se ao máximo a arte da guerra, sua especialidade era a artilharia, mas Napoleão não aceitou o estreitamento intelectual, tornou-se o melhor cadete, buscando as abrangências e dedicando-se de forma exasperada a obtenção de conhecimento e nada foi capaz de removê-lo de seu intento. Diante de uma instituição de ensino que proporcionava a excelência acadêmica ainda que voltada para as artes da guerra, encontra em Napoleão terreno fértil onde pode desenvolver todas as suas potencialidades. Como já disse sou um leitor ávido de biografias, e em Napoleão encontro algumas frases mais fantásticas das proferidas pelos gênios, com certeza muitos não compartilharão dessa opinião, mas em defesa registro que essas frases apesar de desprovidas de requintes literários denotam a objetividade no intuito e da importância da formação abrangente.
“Não há nada que eu próprio não possa fazer.”

“Se não há quem possa fazer a pólvora, eu sei prepará-la; sei construir o reparo e a carreta do canhão; se houver necessidade de fundir canhões, também sei fazê-lo; se for necessário ensinar os detalhes da manobra, eu os ensinarei…”

E continua com uma frase que costumava repetir frequentemente. “Conhecer seu trabalho a fundo e fazê-lo até ao limite das forças.”

Em Napoleão observamos a importância da educação na formação do caráter do individuo, a sua formação onde o interesse pelos mais variados assuntos foi o que possibilitou o surgimento de sua genialidade, se ele optasse pela especialização em apenas um ramo do conhecimento nunca o seu potencial seria despertado, Napoleão é um produto do eficiente sistema educacional Francês, da mesma maneira que possibilitou o surgimento de Santos Dumont, costumo até brincar com a história de que tanto a vinda da família imperial ao Brasil e o maior inventor brasileiro só aconteceram graças à França e ao seu sistema público de educação, essa forma de promoção educacional clássica onde os estabelecimentos de ensino fornecem todos os recursos aos seus alunos, que apoderam dessas informações e durante um longo período estão focados unicamente na progressão intelectual, isso é fundamental e constitui no maior patrimônio que uma nação pode almejar, não são os recursos naturais que diferenciam as grandes das pequenas nações e sim o índice de desenvolvimento humano, a educação é o único caminho para esse objetivo, e os estudos de biografias revela que são os indivíduos que transformam os destinos dos povos, e sempre foram pessoas que de alguma maneira tiveram possibilidades de estudarem, o nosso país parece que não compreendeu ainda essa questão.

Choca-me quando vejo um governante brasileiro vangloriar-se de ter possibilitado a inserção de jovens no mercado de trabalho e ter também oferecido “a oportunidade” de algum curso de especialização, o caminho não é esse, a formação onde a universalidade acadêmica faça parte de todos os currículos, onde o jovem tenha tempo para conhecer os clássicos da literatura universal, os grandes filósofos, noções sólidas de todas as áreas do conhecimento e não a mediocridade que tomou por completo o ensino superior no Brasil, onde as universidades não passam de grandes cursos profissionalizantes que colocam viseiras em nossos jovens, que da mesma maneira que os eqüinos só conseguem enxergar o que está na sua frente. A tendência natural é que as coisas evoluam com o tempo, mas no que diz respeito ao ensino parece que essa regra não se aplica e a cada geração ficamos mais bestializados, as pessoas cultuam o descartável em todos os segmentos do conhecimento humano, a arte é descartável, os valores são descartáveis e a vida também passou a ser. Essa cultura perniciosa é algo que poderia através de um esforço conjunto de toda a sociedade ser modificada, nós podemos mudar desde que queiramos e foquemos na educação dos nossos jovens.

Presente de Natal

Nos  anos  80,  acredito  que  muitas pessoas  conseguiram  ganhar  de  presente  de natal    algo que  marcou suas vidas!  Foi neste   ano  que  conheci   um grupo   musical   que  marcou  a vida  de  muitas adolescentes, os    Menudos. O Menudo na década de 1980 era o grupo musical de maior visibilidade na mídia brasileira, os garotos porto-riquenhos apareciam à maior parte do tempo em programas televisivos, de rádios, revistas, jornais, enfim toda a imprensa específica para celebridades estava voltada para o fenômeno artístico Menudo.

Foi quando me apaixonei pelo Charlie, minha  família,  já não agüentavam ficar ao meu lado, pois estavam  com  os  seus   ouvidos cansados de tanto me ouvir dizer: – Encontrei o meu príncipe encantado e vou me casar com ele! Tenho a certeza que não fui a única no mundo a ter um sonho deste, mas posso te garanti que foi muito bom ter expressado os meus sentimentos para  minha  família  ,   porque  eles  não conseguiram iguinorar o  meu   olhar  de tristeza ao   me ver olhando   as fotos dos meninos    nas  revistas.  Eles ficaram tão comovidos que me deram de presente de natal, um   lindo compacto  dos  meninos. O gesto de amor da minha família marcou  o  meu natal  daquele  ano. Desejo a todos um feliz  natal e um próspero ano novo!

O Sentido da Vida

A vida é composta de momentos, momentos estes que se traduzem das mais diversas formas, dependendo diretamente da fase que vivemos e das experiências que vivenciamos.

A vida pode ser considerada um ciclo, ou melhor, vários, mas que nem sempre o término de um pode significar o início de outro.

Os pseudo fechamentos de experiências passadas nos prendem aos sentimentos de culpa, gerando, muitas vezes, às sensações de “algo” inacabado.

Se libertar dessas experiências pode parecer simples, mas não é. Isto se dá porque o ser humano, intuitivamente, é um ser de doação. Doa amor, doa carinho. doa atenção e, principalmente, doa momentos, que uma vez entregues não voltam mais, motivo pelo qual continuam a povoar nossa vida à partir de nossos pensamentos, na forma de lembranças.

O perigo reside no tipo de lembranças que interiorizamos, pois àquelas que nos fazem bem nos impulsionam a sermos homens e mulheres melhores; porém, as lembranças cultivadas entre espinheiros e ervas daninhas nos impedem de saborearmos o gosto pelo novo e pelo inusitado, tornando-nos prisioneiros de nós mesmos e na eterna busca de porquês, que na verdade, são borrões de experiências mal acabadas e nas quais relutamos em liberá-las.

Portanto, para sermos felizes e caminharmos na busca da evolução constante, devemos fazer uso das lembranças que nos enaltecem como pessoas do bem para não nos tornarmos escravos daquelas que nos inferiorizam e nos remetem aos porquês sem resposta definida.

Dessa forma, aprenderemos a lição mais importante e o verdadeiro sentido da vida, que se traduz no amor…um sentimento e não uma explicação.

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