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Um Imenso Lençol Verde

O cotidiano na fazenda no meu tempo de criança é a imagem que com o passar do tempo foi se sedimentando para se transformar numa lembrança pura, doce, embora um tanto quanto rude como possa ser a vida no campo.

Preciso que se diga que sou a última de doze irmãos dos quais, nove estavam vivos quando nasci. Eram cinco homens e quatro mulheres. Aos homens cabiam as funções externas da casa, a lida com o gado, os porcos e a lavoura. Às filhas, os trabalhos domésticos. Os meninos aprendiam com o pai desde a administração dos negócios, os truques de como comprar e vender às pequenas tarefas como castrar uma porca ou colocar um bezerrinho recém-nascido pra mamar.

Às meninas os trabalhos domésticos, o ponto do doce, do requeijão, como bater o creme de leite pra fazer manteiga… os bordados delicados, ou movimentar o pedal da máquina de costura. De ver a mamãe fazer, acumulávamos a aprendizagem. Era assim que as moças se preparavam para o casamento.

Cresci na zona rural onde papai possuía uma fazenda, cuja maior produção era o cultivo de lavouras de café. Os cafezais se estendiam pelas encostas dos morros formando um imenso lençol de um verde escuro quase negro. Era um próspero negócio.

A região era famosa por ser propícia à cultura cafeeira.

A cafeicultura na segunda metade do século passado, era cultivada de forma rudimentar utilizando de forças braçais de empregados remunerados que chamávamos colonos. Estes moravam com suas famílias na colônia: uma fileira de casas simples, com paredes rebocadas, cobertura com telhas de barro e o piso de terra batida. Cada casa tinha dois quartos, sala e cozinha, onde um fogão à lenha servia a qualquer família que ali morasse.

Os colonos eram contratados para o trabalho nas lavouras e quase sempre chegavam de carro de bois, que papai mandava buscar onde estivessem morando. O contrato de serviço era informal bastando a palavra e os “assentamentos” que papai fazia em um caderno de capa dura. Ali era registrado o acerto de cada colono, as retiradas semanais e o salário. Sábado era o dia em que eles vinham pegar o adiantamento para as compras. Era quando encostavam a enxada, trocavam de roupa e rumavam para a venda junto com outros companheiros para irem se alegrar um pouco. Não era raro aquele que consumia todo o dinheiro em bebida e farra. Voltava pra casa sem nenhuma compra e caindo de bêbado. A mulher que se virasse pedindo emprestado algo com o que cozinhar com vizinhos, ou na fazenda como eles chamavam a casa dos patrões. Eram homens sem o mínimo senso de economia, objetividade e amor à família. Por isso, viviam sempre na extrema pobreza, baixíssima higiene e nenhum conforto. A grande maioria era analfabeta, e muitos nem documentos possuíam. Eram quase nômades. Mudavam-se para uma outra fazenda, já comprometidos com uma nova dívida: o pagamento da anterior.

Como as leis trabalhistas ainda não haviam chegado ao meio rural, cada fazendeiro entendia de empregar os próprios meios para se relacionar com os empregados. Muitas vezes eram relações desumanas, prepotentes, sem a menor compaixão. O empregador não admitia o menor prejuízo.

O meu pai procurava ser justo. Era enérgico, rigoroso e, às vezes, ríspido. Todos o temiam. Quando alguém o tirava do sério… sai de baixo, porque o tempo  fechava…Tudo tinha que correr como ele queria e determinava. Era frequente ouvir sua voz alterada com algum dos colonos que não cumpria suas ordens ou que não fazia do modo como ele havia determinado. Ele sempre se saía muito bem, porque  não havia quem o contestasse.

A irritação de meu pai quando chegava ao ponto de esbravejar, me causava pânico, eu sempre procurava algo útil pra fazer com medo que pudesse sobrar pra mim… Nesse exato momento em que evoco essa lembrança, posso experimentar o estranho sentimento que se apossava de mim  nessas ocasiões…

A Rotina na Fazenda

O dia principiava cedo na fazenda! Quando o sol despontava lá no horizonte a lida já andava alta. A vida ali começava a adquirir movimento com canto dos galos, da passarada, o mugido das vacas e bezerros! Quem tivesse que trabalhar não podia esperar o sol nascer para se levantar. Punha-se fora da cama ao primeiro chamado do papai. Primeiro ele raspava a garganta. Para um bom entendedor, meio rã-c-rãããã já basta. Quem primeiro ouvia o barulhinho característico, éramos nós as meninas (como meus pais nos chamavam) que dormíamos em quarto contíguo ao de meus pais cuja entrada se fazia pelo quarto deles. Uma das meninas se levantava rapidamente, passava pelo quarto dos meninos, os chamava, passava pelo banheiro e ia cuidar do café que seria servido para papai e mamãe na cama. Quando os outros se levantassem a mesa estava posta com as quitandas feitas em casa e leite fresco recém saído do úbere da vaca.

Cada um tinha sua tarefa especifica. Uma rotina diária de provocar estresse em qualquer cidadão urbanóide que se aventurasse passar ali uns tempos. Enquanto um cuidava das vacas pra tirar o leite, o outro ia cuidar dos porcos. Vez por outra, tinha uma vaca recém parida que exigia maiores cuidados. Se houvesse um trabalho extra pra fazer, geralmente era determinado na véspera. Ora correr (visitar) os pastos, ora supervisionar o trabalho dos colonos nas lavouras e ainda concertar cercas, pontes, mata-burros e outros serviços considerados da ala masculina da família. Os meninos trabalhavam pesado… Começavam quando amanhecia e só paravam para as refeições e quando terminassem todo o serviço do dia. As tarefas eram bem definidas.

O serviço de casa cabia às meninas. Minhas irmãs Teca e Maria I se incumbiam das refeições, da roupa, da arrumação da casa, dos doces e bolos. Elas trocavam as semanas. Uma cuidava da cozinha enquanto a outra se incumbia do restante do serviço feminino. Assim parecia justo. Cada semana era uma que tinha que pular da cama mais cedo pra acender o fogo e passar aquele cafezinho cheiroso! Era fácil acender o fogo, pois sempre tinha uma tora queimando a noite toda para cozinhar o feijão. Logo o cheirinho do café chegava até minhas narinas, então eu que não tinha que “pegar no batente”, virava pro canto e dormia até que me chamassem. Barulho algum me acordava… Que soninho bom! Nesse tempo eu ainda era ainda criança, não entrava nessa divisão de tarefas, mas era chamada toda hora para ajudar alguém, até lá fora nos afazeres masculinos. Meus irmãos Rubens e Quincas um pouco mais velhos que eu faziam serviços mais leves enquanto João que já beirava os 20 anos cuidava das obrigações de maior relevância.

Quando todas as tarefas estavam cumpridas, as meninas se reuniam com a mamãe no quarto de costura para fazer pequenos concertos, bordados ou passar roupa. Mamãe tinha uma meta de fazer uma colcha de retalhos para cada um dos filhos. Era nesse espaço de tempo, entre as refeições, que acontecia um dos momentos de maior importância para nossa formação moral e religiosa. Mamãe contava histórias, falava dos livros que lia fazia comentários das notícias sempre com uma conotação moral.

Esse foi um tempo em que eu, caçula dessa família, convivi com meus queridos irmãos e irmãs cujos nomes foram alterados em respeito às suas identidades. Como éramos nove filhos vivos, acima de João, ainda tinha Ester, Josias e Mateus, casados, com os quais não tive convivência diária porque moravam fora da fazenda.

Viajar pelo Mundo Através dos Mapas

Ela era doce, meiga e carinhosa. Sempre paciente, mamãe foi a nossa alfabetizadora, nos preparando para alcançarmos classes mais altas quando chegasse o ponto de irmos para o colégio interno. Nossos pais faziam questão que todos tivessem uma boa educação. Como morávamos na fazenda, a saída seria pagar internato.
A época de assumirmos essa nova etapa da vida, era determinada pela saída dos mais velhos do colégio, ou a saída dos mais velhos é que dependia da idade dos mais novos que fossem alcançando a época de irem para o internato.

Dos filhos mais velhos aos mais novos, a didática era a mesma.

As aulas eram ministradas em casa, sem horário fixo. Mamãe nos reunia ao redor de uma mesa e ali ministrava as primeiros conhecimentos – alfabetização, a caligrafia, pra ficar com a letra bonita (era prioridade para papai!), as quatro operações… A tabuada… Ah! Essa, papai fazia questão de “tomar”! Acho que é daí a origem do meu horror pela matemática. Morria de medo quando papai me chamava! Se errasse, levava um cocorote na cabeça! Isso pra mim era a morte! Os meus irmãos Rubens e Quincas, mais velhos que eu, já não se incomodavam tanto, mas às vezes a coisa ficava feia… o bicho pegava… Alem dos cocorotes, o castigo até aprender de cor a maldita tabuada! Pra amenizar a tensão, mamãe dava um jeito e deixava-nos merendar e em seguida voltar aos estudos. Só podia sair se cumprisse o determinado.

Os exercícios, principalmente os de matemática (continhas) eram passados em uma pequena lousa verde retangular (30×20 cm), com uma argolinha na lateral onde se prendia uma tira de retalho que servia para limpar a pedra. Para que a louza ficasse bem limpa, usávamos molha-la na língua. A ponta dessa tira era engomada de tanto cuspe acumulado… Uma peça no formato de um palito de churrasquinho de uns oito centímetros de comprimento, do mesmo material da pedra, era o instrumento de escrita. Quando precisávamos apagar, era só passar o trapinho… molhado.

Ler mapas, decorar os nomes dos estados e suas respectivas capitais, conhecer os fatos mais relevantes da História do Brasil, fazia parte do “currículo” doméstico. Disso eu gostava, tinha o maior prazer, decorava com facilidade e sabia a localização dos continentes, paises suas capitais e principais cidades.

Fazia verdadeiras viagens pelo mundo através dos mapas! Desembarcava em Portugal e dali partia para os países vizinhos! Visitava as cidades da Europa, a localização das capitais, o relevo, bacias hidrográficas! Tudo isso por meio de um Atlas, que nessa fase da minha vida proporcionou parte dos meus devaneios. Mamãe me ajudava bastante. Ela tinha um bom conhecimento geral, gostava de ler livros e jornais que papai assinava. O jornal trazia a notícia e nós íamos localizar no mapa o local da ocorrência.
Após esse estudo, procurava gravar na memória, para mais tarde quando estivesse livre, viajar mentalmente, passando pelas situações, as quais haviam sido comentadas pela mamãe.

Um dos trechos mais visitados por mim era a palestina cujas histórias eram contadas em um livro intitulado História sagrada. Nele havia alguns mapas que eu queria identificar no Atlas, mas quase sempre sem resultado devido à diferença de escala.

Posso atribuir à mamãe o fato de toda a minha vida ter sido uma leitora contumaz, assim como o método de ensino da matemática aplicado pelo meu pai, em mim produziu efeitos que nunca mais consegui corrigir.

Meu Pai, Uma Pessoa Fora do Comum

A imagem que tenho, enquanto criança, de meu pai, era de uma pessoa de idade. O fato de eu ter sido a ultima de uma prole grande foi peremptório para que em minha mente ressaltasse o conceito de uma pessoa bem idosa, sempre tratada com muito respeito e cuidados para que não fosse contrariado de modo algum, até nos mínimos detalhes. O que eu não sabia ainda, era que ele se resguardava porque era doente, havia sofrido tuberculose. Isso deixava minha mãe e meus irmãos em pé de alerta a qualquer manifestação de gripe ou resfriado. O tratamento pra vida inteira, era seguido à risca. Mesmo assim teve várias recaídas. Por isso era tratado com tanta deferência. Era muito nervoso e autoritário, qualquer manifestação sua era uma ordem.

Ninguém se assentava à mesa ou se servia antes dele; os melhores pedaços eram separados para ele. Tomávamos as refeições em silêncio, porque se ele não comandasse a conversa, ninguém mais tinha o direito de se manifestar a não ser para responder às suas perguntas.

Era obedecido, reverenciado, temido, mas…não conseguiu se fazer compreendido e amado por mim enquanto pequena. Não que fosse desprovido da capacidade de um sentimento maior. Ele amava sua família, adorava a mamãe, mas do seu jeito ranzinza e autoritário de ser, sem fazer demonstrações. Sim porque com esse temperamento irascível, somado a uma severa educação, só podia surgir um ser durão, travado na manifestação dos sentimentos… Demonstrações de afeto, de carinho eram atitudes piegas. Raramente me lembro de assentar em seu colo, mas eu gostava que ele descascasse uma fruta para mim, era a maneira como eu encontrava para me aproximar dele. Era também o máximo que eu conseguia fazer. Precisava observar se o sinal estava verde para avançar. Nesse aspecto foi assim a vida toda. Quando ele estava de bom humor, o máximo carinho que ele conseguia expressar era dizer: “minha filha que é bilha!” acho que a palavra “bilha” era usada só pra fazer rima, mas eu ficava feliz porque interpretava como carinho, ou bom humor.

Passava muito bem a imagem forte de quem protege, provê, administra, e comanda. Às vezes, enquanto calmo, usava a didática do convencimento, pedia opinião, mas só para ver o pensamento do outro. Já tinha a sua formada, e isto bastava. Não admitia réplica, a sua opinião era a que prevalecia. A única pessoa que raramente ouvia e acatava fora mamãe, era meu irmão João. Esse era diplomata! Sabia levar a fera com jeito. Conversa vai, conversa vem, quantas vezes vi papai ceder depois de muito rodeio, como se tivesse apurando o pensamento, numa discussão acadêmica. Meu cunhado Julhinho também tinha um relacionamento, digamos, amigável com ele. Fora essas ocasiões, a imposição era o método empregado. Não admitia erros. Se não alcançasse êxito, a falha era sempre do executor.

Havia um momento muito importante nas nossas vidas em que nas noites mais quentes nos reuníamos no alpendre. Papai não dizia, mas hoje eu reconheço o prazer que sentia e intimamente agradecia a companhia quando espontânea de qualquer um dos filhos, principalmente os meninos. Ali era seu lugar preferido onde passava quase o dia todo lavrando pauzinhos ou lendo jornais. Era quando passava com os meninos as tarefas do dia seguinte, relembrava casos da família, pessoas que eu não conhecia, mas pude guardar alguns nomes; às vezes fazia comentários das notícias dos jornais que assinava.

Meu pai era uma pessoa bem informada, politizada, estava sempre por dentro dos principais assuntos do momento. Nas noites mais frias essa reunião era feita na cozinha em volta de uma lata aberta como assadeira cheia de brasa. Assentávamos em volta para nos aquecer e ouvi-lo. Detestava conversas paralelas enquanto estivesse falando. Ambos, ele e mamãe faziam questão que estivéssemos todos juntos nessa hora.

Apesar dessa ranzinzisse, e de ser o responsável pelo meu caráter submisso, guardo com saudade a lembrança de meu pai; a minha infância e tudo o que me relaciona com ela inclusive e principalmente a educação severa que nos tornou a todos, seus filhos,pessoas de bem.

Minha Mãe, Meu Exemplo

Quando nasci minha mãe já contava com 42 anos. Já era possuidora de uma vasta experiência de vida, de esposa e mãe, pois já colocara no mundo os meus onze irmãos. Casou-se aos 16 anos e começou a ter filhos. Saiu da casa dos pais onde tinha quem fizesse os trabalhos domésticos e era tratada com muito zelo pela ex-escrava Sá Cândia, para uma vida de responsabilidades e trabalho na fazenda.

Passou por experiências dolorosas com a doença de meu pai na época em que ele saiu de casa para se tratar, ficando sozinha com a administração da fazenda, da família ainda crianças e adolescentes. O sofrimento torna as pessoas mais maduras, sensatas e decididas.

Aprendeu muito com a vida, “na raça”, sem demonstrar fraqueza nem temor às adversidades que lhe estavam sendo impostas. Sua coragem e exemplo de fé é motivo de orgulho e motivação para todos nós seus filhos. As dificuldades pelas quais passou em sua vida fizeram-na uma mulher forte, corajosa, e determinada.
Mantinha atitude submissa como era próprio das esposas na primeira metade do século 20 e até bem pouco tempo. Havia, porém momentos em que exibia sua personalidade e sua vontade prevalecia diante das imposições de meu pai. Muitas vezes era sua a última palavra. Ela sabia quando fazer a interferência, o momento certo de falar pra ser ouvida. Sofria com o jeito duro de ser do meu pai com a sua intransigência, porém nunca a vi chorar ou se lamentar, muito menos replicar.

Mamãe era a conciliadora em todos os momentos.

Com os filhos encontrava continuamente um pretexto para relevar as atitudes egocêntricas e autoritárias do meu pai. Uma palavra apaziguadora era o bastante para justificar a conduta dele. Já com ele sua tática era outra em defesa dos filhos. Mesmo que estivessem errados, como para abrandar um pouco a situação, encontrava saída para amortizar a falta. Só que ela não deixava passar em branco, não alisava, com um jeito que só ela tinha de entender as pessoas, corrigia como verdadeiramente precisava. Repreensões e castigos… Nada de rebeldia porque não surtia efeito. O castigo durava até a hora determinada. Eu imagino o quanto ela sofria quando tinha que impor um corretivo mais forte! Sua vontade talvez fosse agir com mais brandura, mas sabia por intuição talvez, das consequências para a educação daquele ser em formação. E não deu outra!Todos nós somos no mínimo pessoas honradas, descentes!

Não havia cursado nenhuma escola formal, mas entendia o ser humano como ninguém. Sabia agir no momento certo com o corretivo adequado. Mamãe era uma sábia!
Teve, como papai, o privilégio de “nascer bem” isto é, ter uma família de recursos que mantinha um professor para “educar” toda a prole em casa. Os colégios eram escassos, distante e difícil acesso. Mais pratico era conseguir alguém com bom conhecimento geral que desse aulas para todos os filhos, morasse com a família e ainda tivesse um salário livre. Não era difícil encontrar uma pessoa com essa disponibilidade, porem dentro dos critérios estabelecidos pela tradição familiar, havia certos inconvenientes. A pessoa tinha que ser católica praticante e seus princípios pautados nos ensinos e praticas religiosas.

Mamãe foi uma das pessoas que mais marcaram a minha personalidade. Não saberia falar de mim sem sentir os reflexos dos seus ensinamentos, do seu exemplo, da sua influência na minha maneira de ser. Às vezes me pego repetindo suas falas, seu modo de fazer as coisas, recordando: “como é mesmo que mamãe fazia isso?”

O Leite Usurpado

Percorrendo as minhas lembranças na década de 1950 e alguns anos anteriores, vamos encontrar a motivação que me levou a escrever os retalhos de minhas memórias. Situações inusitadas para os mais jovens  urbanos e provavelmente motivo de saudade para os contemporâneos rurais.

Do alpendre da casa da fazenda podiam-se ver os currais, alguns pastos como o piquete, parte da invernada e uma pequena área onde era plantado um mandiocal. Ah! Um pé de eucalipto bem na esquina da lavourinha, lindo, enorme, que balançava, balançava ao vento… Ali tinha também aboboreiras, cana de açúcar e batata doce. Logo acima, uma pequena lavoura de café que ia até o terreiro e a tulha. Era aí onde as frutinhas eram despejadas para começar o processo de secagem e armazenagem do café em grão.

Nos fundos da casa, rodeando o quintal, havia outras divisões de pasto, todas com seus respectivos nomes, mangueiro  e pastinho, onde eram soltos os animais da lida diária, os cavalos e éguas de serviço.

Alguns degraus separavam a casa do curralzinho que ficava bem debaixo de algumas janelas inclusive uma do quarto dos meus pais, de onde se viam toda a movimentação da lida com o gado. Os currais em número de dois, eram cercados de tábuas e se permitiam passagem entre eles por porteiras. Adiante, após o primeiro curral ficava o barracão que o papai chamava de casa, onde os bezerros passavam a noite separados de suas mães. Ao lado do barracão, uma varanda onde se guardavam as tralhas mais pesadas da fazenda, inclusive o carro de bois.

Todas as tardes impreterivelmente, as vacas paridas, ou seja, as que ainda estavam amamentando, eram recolhidas junto com os bezerrinhos em um dos currais onde era feita a apartação que era separar as vacas de suas crias. Esse procedimento era para que a vaca pudesse reservar o leite produzido durante a noite, para que no dia seguinte, bem cedo, fosse ordenhada, ou seja, extraído o leite que por direito pertencia ao bezerrinho. Este, coitadinho, ficava preso no curral, berrando… berrando, sentindo falta da mãe ou com fome mesmo, quem sabe? A vaca, do lado de fora,em pleno exercício do instinto maternal, mugindo, como que externando indignada a ausência do filhote.

Bem, o leite usurpado da vaca virava queijo, manteiga, doce, requeijão da melhor qualidade, consumido pela família ou vendido na cidade. Essa era uma tarefa que mamãe sozinha exercia muito bem! Não só porque a produção era pequena, mas principalmente porque era muito caprichosa, sempre com muito cuidado, e higiene, dentro dos padrões da época. Nem por isso deixavam de ser deliciosos e muito procurados!

O queijo, trabalhado artesanalmente, o tipo meia cura, aquele amarelo e liso por fora, sem imperfeições, tinha a cor creme por dentro. Era macio, rendado e delicioso! Ao corte, podia-se ver a manteiga escondida nas pequenas cavas.

Durante o processo de manufatura, havia um momento ímpar para as crianças, eu adorava! A massa, isto é, a qualhada era colocada nas fôrmas, espremida, “espinicada,” em seguida, mais massa e repete o processo de espremer para dar liga e o queijo ficar uniforme. No momento em que a qualhada era “espinicada” e espremida, o soro saia carregado de pequenas partículas de massa. Era um soro esbranquiçado e mais espesso que aparávamos em nossas canequinhas! Era um alimento rico e muito saboroso, um momento que esperávamos com ansiedade!

Em tempos de temperatura mais elevada, às vezes, o queijo fresco ainda na fôrma ou aquele de um dia, sofria alteração e aumentava de volume. Embora contrariada, mamãe tratava de consertar o dano.

Este queijo inchado era transformado em queijo cozido tipo mussarela. O manuseio é simples: fatiar o queijo numa vasilha com água bem quente para cozinhar; quando a massa estiver no ponto de modelar, pega-se uma porção, trabalha-a bastante com as mãos para eliminar o excesso de água e começa a dar a forma desejada. Mamãe dava o formato de cabacinha. Quando os queijos inchavam… a saída pra aproveitar, era ter mais trabalho. Eu então adorava! Aquele queijinho de cabacinha era uma delicia!  Divertido era comê-lo desfolhado até o final!

Hoje aos 70 anos, enquanto exercito minha memória buscando os fatos vividos enquanto criança, recordo com saudade a vida saudável, despreocupada, tranqüila, tanto que chegava a ser monótona, porem feliz!

Respeite o Músico

Juno Rodrigues. Acústico Caçula Pub

Quantas vezes você já foi a um lugar onde tem música ao vivo e, percebeu que na maioria das vezes, se o músico não for famoso, as pessoas fazem questão de não dar atenção ao profissional da música que ali se encontra?

Pois é, mas na maioria das vezes é exatamente isso que acontece, por isso, resolvi dar algumas dicas para essas pessoas que fingem não perceber a existência de quem está abrilhantando o recinto:

01- Nunca sente de costas para o músico se você puder.
02- Deixe a música terminar antes de levantar-se para ir embora.
03- Participe, mesmo que seja para vaiar, isso faz bem pra você e para o músico.
04- Não reclame do som com o garçon se a maioria do público estiver gostanto, certamente é Você quem está no lugar errado.
05- Quando o músico for bom, admita e não procure roubar a cena.
06- Não coloque a mão no ouvido logo que entrar no recinto, (simulando que o som está alto), todos sabemos que você faz isso para chamar a atenção ou por que está inseguro.
07-Cumprimente o músico ao entrar e ao sair, afinal de contas ele é um ser humano e não um objeto de decoração do ambiente.
08- E, finalmente, confie em você! Não permita que somente a mídia lhe diga o que é bom. Maria vai com as outras está em decadência faz tempo.

Katipsoi Zunontee e a Missão de Salvar o Mundo

Katipsoi Zunontee é um guerreiro Maia, o mesmo povo que previu o fim do mundo no ano de 2012. E, por ironia do destino, esse guerreiro será o responsável de salvar a humanidade de uma grande catástrofe.

Os Maias

Os Maias

Segundo a lenda, em 2012 grandes catástrofes iriam acontecer na terra, vários estudiosos e paranormais pregam isso por aí já faz algum tempo. A história veio a tona quanto um grupo de escavadores encontraram na América do Sul um livro milenar que falava sobre a vitória de um guerreiro chamado Katipsoi Zunontee

Ele vem de linhagem nobre e dizem que é imortal. Foi treinado desde criança para enfrentar os piores inimigos e adversidades. Já passou por situações que um mortal não agüentaria e isso fez com que seu povo acreditasse fielmente no que dizem as escrituras.

Segundo a lenda, muitos desses inimigos que Katipsoi enfrentaria seriam parecidos com humanos. Outros, nem tanto. E isso explica seus desentendimentos com vilões com o decorrer dos anos, nada demais, apenas alguns desentendimentos catastróficos, pessoas como Vingador, Darth Vader, Majin Boo, Rita Repulsa (odiava voz dessa mulher), Shang Tsung, Hades e a mais recente delas: Chuck Norris.

Esse último confronto aconteceu no dia 13 de janeiro. A primeira sexta-feria 13 de 2012. E depois desse dia muitos passaram a ouvir barulhos estranhos no céu. Como se fossem jatos ultrasônicos rasgando a atmosfera. Há versões que afirmam que esses barulhos são Katipsoi Zunontee treinando corridas. Dizem que sua velocidade é semelhante à velocidade da luz. Outros dizem que ele está apenas brincando de pega-pega. E, há ainda quem diga que são extraterrestres querendo descobrir o segredo de tanta força.

O fato é que o nobre Katipsoi não está nem aí para essa missão. Ele sequer acredita ser o salvador da humanidade. O que ele quer mesmo é deixar de ser incomodado por esses vilões chatos de filmes e histórias em quadrinhos e curtir sua boa cervejinha, de frente pro mar  e de costas pro bar. Cabra bom esse, não?

 

Tempo Não é Dinheiro

Minha banda fez uma música criticando o capitalismo e ao mesmo tempo dizendo que estar perdendo as pessoas que ama por causa disso

Adele – Sucesso do Pop

Adele

Adele

A cantora e compositora britânica Adele Laurie Blue Adkins, conhecida no meio artístico apenas como Adele, natural de Tottenham, Londres, e filha de Penny Adkins. Aos quatro anos de idade, Adele começou a dar sinais da grande cantora que se tornaria futuramente.

Entre os estilos musicais pelos quais Adele passou a se interessar estão, Pop-Rock, Soul e Jazz, que foram trabalhados em suas músicas. No ano de 2006, Adele apresentou algumas demos à gravadora XL Recordings, o que lhe proporcionou fechar um contrato com a mesma. Foi então que seu primeiro álbum foi lançado, intitulado “19”, um sucesso que vendeu mais de 1,5 milhões de cópias e foi merecedor de três certificações de platina.

A carreira de sucesso da cantora nos Estados Unidos teve início após sua apresentação no país, no ano de 2008, em um programa chamado “Saturday Nigt Live”. Três anos depois, Adele lançava seu segundo disco, “21”, trabalho este que rendeu mais de 200 mil cópias, no Reino Unido e mais de 350 mil cópias dos Estados Unidos, isso somente na primeira semana em que foi comercializado, em ambos os lugares.

No ano de 2009, a cantora recebeu importantes prêmios, de “Brit Awards”, na categoria “Escolha dos Críticos” e ainda da” premiação “BMI London Awards”, na categoria “Melhor Canção Pop”.

Alguns dos principais prêmios conquistados no ano de 2011 por Adele foram: “Artista de Álbuns Digitais”, “Artista do Hot 200” e “Artista do Ano” do evento “Bilboard Year-End Charts Awards”; “Melhor Artista Independente” e “Melhor Segundo Álbum Mais Difícil” de “AIM Independent Music Awards” e “Melhor Álbum Pop-Rock”, “Melhor Artista Feminina Pop-Rock” e “Melhor Artista Adulto Contemporâneo”, do evento “American Music Awards”.

Adele continua fazendo sucesso, e para os fãs da cantora que procuram por cifras de músicas suas, é possível encontrá-las em sites da internet.

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