Amor à Vida Faz Referências ao Cinema e a Série Americana

O menos crítico pode até afirmar que novela não é tudo igual, mas é impossível negar que, desde o tempo em que ainda eram contadas no rádio, pouco se fez de diferente e inovador de uma história para outra. O resultado? Folhetins que só mudam o endereço — dos personagens.

Amor à Vida

Amor à Vida

Em Amor à Vida não está sendo diferente. Durante a primeira semana, a nova novela da Globo foi alvo de muitas comparações com a telenovela Por Amor, exibida em 1997, escrita por Manoel Carlos e protagonizada por Regina Duarte e Gabriela Duarte.

As referências não se limitam à trama de Manoel Carlos. A cena mais tensa da primeira semana mostrava o personagem Ninho prestes a ser preso no aeroporto da Bolívia. O efeito sonoro que simulava as batidas do coração do rapaz enquanto ele tentava escapar das autoridades bolivianas é um claro decalque do filme “O Expresso da Meia-Noite”. Além da sonoplastia, em ambos os vídeos, os personagens estão traficando drogas. As substâncias, nos dois casos, estão presas ao corpo das pessoas. Nos dois vídeos há uma mulher que acompanha o personagem, que antes de ir preso vai ao banheiro.

Além de buscar inspiração no cinema, Walcyr Carrasco  também a buscou em uma série de TV norte-americana. Amor à Vida não apresenta semelhanças com a série Grey’s Anatomy apenas por fazer a trama girar em torno de um hospital. Uma cena muito semelhante à protagonizada por Meredith Grey (Ellen Pompeo) e Derek Shepherd (Patrick Dempsey), onde eles se conhecem em um bar, transam e depois descobrem, dentro do elevador, que trabalham no mesmo hospital, foi reproduzida, quase fielmente, por Maria Casadevall e Caio Castro. Nos papéis da advogada Patrícia e do jovem cirurgião Michel, após descobrirem a coincidência dentro do elevador, assim como no seriado, o casal não pensou duas vezes antes de começar a trocar beijos e amassos por ali mesmo.

O ponto forte é o equilíbrio que Walcyr Carrasco deu À sua trama. Enquanto sustenta os clichês novelísticos, o autor explora o que há de novo. O folhetim tem todo o potencial para conquistar a preferência do público noveleiro, que estava mesmo precisando de uma boa história no horário nobre.