A Solução é Proibir os Jogos Online?

Proibir Jogos Online?

Proibir Jogos Online?

Há muito tempo ouço falar sobre os riscos que os jogos online podem trazer à formação das crianças. Teorias são elaboradas e exemplos retirados da mídia apenas tornam mais crível o poder que um simples jogo de tiro pode ter. Já estabeleci verdadeiros embates argumentativos com pessoas que defendem a proibição dos jogos online mais violentos como forma, segundo eles, de contribuir para a formação de uma geração mais pacífica.

É por isso que recentemente não estranhei quando a deputada federal Iracema Portella (PP-PI) trouxe novamente a discussão para um nível mais sério. Segundo reportagem publicada nos grandes portais, por meio do seu projeto, em breve, “jogos eletrônicos e de interpretação serão submetidos a uma classificação indicativa, como ocorre com brinquedos ou programas de TV”.

Segundo sempre ouço, a intenção é das melhores. Foi o que explanei no início. Por meio da lei, querem “proibir a aquisição de produtos com conteúdo de incitação à violência e sexo sejam consumidos por crianças e adolescentes.”

Não sei quais serão os reais benefícios da lei. Confesso que diante da realidade em que vivo, vejo adolescentes brincando com jogos de carros como o GTA, Swat 4 e , nem por isso, mudanças de comportamento são sentidas. Numa das escolas em que leciono, por exemplo, há professores da área de humanas que usam jogos de guerra justamente para abordar aspectos como política e estratégias militares. Nas aulas de Física, inclusive, se aplicam as fórmulas para calcular parábolas e força.

Entendo, no entanto, que o fato deve ser visto num contexto mais amplo. Não basta proibir os jogos de moto que envolvem manobras proibidas pelo código de trânsito. É preciso que haja uma ação educativa que priorize a informação como maneira de evitar problemas comportamentais e até legais.

A ação da deputada é louvável, mas entendo que ações mais eficazes seriam tomadas valorizando o salário de professores, equipando escolas com material e criando um contexto mais seguro para estas crianças. Proibir como forma de mudar o futuro delas é uma grande ilusão e o tiro, literalmente, pode ser no próprio pé.