A Solidariedade Brasileira no Japão

Em meio aos relatos trágicos vindos do Japão nos últimos dias, que lembram sem dúvida um cenário de guerra, um detalhe chamou a minha atenção: um grupo de brasileiros solidários que encarou uma viajem de aproximadamente 30 horas ( eu disse 30 horas ),  para entregar donativos arrecadados às vitimas do terremoto e tsunami que varreram o nordeste do Japão.

Ironicamente, enquanto muitos estrangeiros tentavam desesperadamente deixar o país – não tanto pelo medo dos terremotos, mas pela possibilidade real de uma contaminação nuclear – esse grupo de brasileiros, como dito, rumou em sentido contrário, levando, além da doação prestimosa, um pouco de amor e calor humano, não obstante o frio e as intempéries do caminho.

Assim é o brasileiro, um solidário talvez por natureza… que o digam  também os brasileiros que ainda prestam uma ajuda daquelas às vitimas da tragédia natural que se abateu sobre a Região Serrana,  no Rio de Janeiro.

Talvez seja porque o brasileiro consegue, como poucos, assimilar os efeitos de uma situação de risco, e buscar as soluções  mais inovadoras e altruístas que visam beneficiar a quem precisa. E tais atos comportamentais têm, decerto, origem no sangue latino que corre em nossas veias: somos muito mais sensíveis à dor alheia, e os anos de convivência com tragédias naturais e catástrofes apuraram significativamente essa sensibilidade.

Isso não quer dizer que outros povos também não sejam solidários, é verdade. Mas nenhum outro exibe o otimismo marcante característico do povo brasileiro, tal a sua facilidade em contagiar outros,  mesmo diante das maiores dificuldades.