A Moreninha (Joaquim Manuel de Macedo)

Filipe, um estudante de Medicina convida seus colegas: Leopoldo, Fabrício e Augusto para uma festa em comemoração ao dia de Sant’Ana, na ilha onde mora sua avó, Donana. Os jovens aceitam o convite, exceto Augusto. Para convencê-lo, Filipe fala sobre o baile de domingo, em que estarão presentes suas primas: Joana e Joaquina, além de sua irmã, Dna Carolina, uma moreninha de 15 anos.

A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo

A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo

Augusto acaba aceitando, mas avisa, de antemão, ser inconstante no amor, afirmando jamais passar ao lado de uma mesma moça por mais de duas semanas. Os rapazes apostam que o amigo ficará apaixonado durante 15 dias por uma única mulher. Se isso ocorrer, terá de escrever um romance, caso contrário, Filipe o escreverá, narrando o acontecido.

Antes da partida, Fabrício envia uma carta a Augusto, pedindo-lhe ajuda para se livrar da namorada, a prima feia de Filipe, Joana. Durante a estadia, Augusto deve persegui-la e, Fabrício, fingindo ciúmes, termina o romance. Ao chegarem à ilha, o colega nega o auxílio e, durante o jantar, Fabrício revela a inconstância amorosa do amigo.

Mais tarde, Augusto conta a Donana que seu coração já tem dona; uma menina que, por acaso, encontrou a algum tempo, numa praia. Nesse dia, ambos auxiliaram a família de um moribundo que lhes deu um breve como sinal de eterno amor; o da menina contendo o camafeu de Augusto e o dele o botão de esmeralda dela. Por não conseguir esquecê-la e, sem saber seu nome, passa a tratá-la por minha mulher. Enquanto narra a história, percebe que mais alguém o está escutando. Avista à distância a irmã de Filipe, um sucesso entre os rapazes, em especial, Fabrício, apaixonado pelas peraltices da doce Moreninha.

Chegada a hora das despedidas, Augusto somente consegue pensar em Carolina. Recorda-se da meiguice da menina, quando esta lavava os pés da escrava, que passou mal por ter bebido demais. Acaba acertando um novo encontro para o final da semana. A Moreninha corresponde a todos os galanteios, ansiando pela volta. Contudo o pai do rapaz, resolve impedir o retorno à ilha; quer vê-lo estudando, trancado no quarto.

Augusto fica tão abatido que, durante a semana, não consegue deixar o leito, sendo necessária a presença de um médico. Na ilha, a Moreninha se desespera ao saber que o rapaz está doente e no domingo, coloca-se no rochedo, esperando o barco, enquanto canta uma balada sobre o amor dos índios Ahy e Aiotin. Na canção, a índia tamoia narra que o amado, vindo à ilha para caçar, nunca nota sua presença, mesmo quando lhe recolhe as aves abatidas ou refresca-lhe a fronte. Isso diminui a alegria de viver da menina que, por ser ignorada, chora sobre o rochedo, formando uma fonte. O índio, que dorme na gruta, acaba vendo as lágrimas da jovem e passa a percebê-la no rochedo e a ouvir seu canto. Finalmente, quando bebe da fonte, por ela se apaixona. Um velho português traduziu a canção compondo a balada que a Moreninha canta.

De repente, Carolina vê Augusto e o pai em um barco que se aproxima. Donana os convida para o almoço e a Moreninha, pedida em casamento, pede um prazo de meia hora para responder, indo para a gruta do jardim. Donana, certa da resposta, pergunta a Augusto se não deseja, também, refletir no jardim e ele parte imediatamente.

Encontra a menina que, cruelmente, lhe recorda a promessa da infância, junto ao leito do moribundo. Censura-o por faltar ao amor daquela a quem chama de sua mulher. Angustiado, o rapaz afirma se tratar de um juramento infantil além de desconhecer o paradeiro da menina. A Moreninha diz que incentivou seu amor por vaidade e por saber de sua inconstância. Lutou para conquistá-lo e deseja saber quem ganhou o homem ou a mulher. Augusto responde que a beleza. Carolina conta ter ouvido a história narrada a sua avó e insiste no cumprimento da promessa. O jovem diz preferir abandonar a cidade e o país. Mas se encontrasse a menina, lhe pediria perdão por ter se apaixonado por outra. Repentinamente, arranca de debaixo da camisa o breve com a esmeralda para espanto da Moreninha.

O casal chora. Carolina pede a ele para procurar ‘sua mulher’ e explicar o ocorrido e, só, então, retornar. Ele concorda, mas não sabe onde ela está. A Moreninha diz que, certa vez, também, ajudou a um moribundo e sua família, recebendo um breve como agradecimento, contendo uma pedra que satisfaria os desejos de quem o possuísse. Passa o breve ao rapaz, para ajudá-lo na busca, pedindo que o descosa e retire a relíquia. Rapidamente, ele o desfaz e vendo seu camafeu, atira-se aos pés da amada. Donana e o pai de Augusto entram na gruta, encontrando-o de joelhos, beijando os pés de Carolina e perguntam o que está ocorrendo.A menina responde que são velhos conhecidos, enquanto o moço diz que encontrou sua mulher.

Filipe, Fabrício e Leopoldo retornam à ilha para a festa do casamento e, recordando que um mês havia se passado, lembram a Augusto do romance e ele responde já tê-lo escrito e que se intitula A Moreninha.