A Humanização das Tragédias

A Bíblia diz que o coração do homem evolui sempre e continuamente para o mal. Não precisamos ir muito longe, para concordarmos com esta grande verdade, até porque isto nos salta aos olhos todos os dias, e, até mesmo por uma questão de bom senso, nos é melhor concordar com o Criador.

A Humanização das Tragédias

Imagem do Terremoto no Japão

A tragédia no Japão, principalmente em Fukushima, vem depois de uma outra de grandes proporções aqui mesmo, no Brasil, com a destruição gigante ocorrida na região serrana do Rio de Janeiro. Nos dois momentos, podemos ver que houve uma comoção generalizada, e muitos povos se mobilizaram no fornecimento de ajuda de toda ordem, agasalhos, água, alimentos, telefonemas e disponibilidade, além da ajuda financeira indispensável nesta hora. E houve quem dissesse que, diante da desgraça, não há como não sermos samaritanos. Só que, enquanto prestamos atenção às boas ações de muitas pessoas, podemos também observar que várias outras se beneficiam das tragédias, usurpam da ajuda que deveria alcançar os desgraçados, logrando êxito em suas empreitadas demoníacas, pois como é possível a um ser humano, racional, não se condoer com alguma situação como a do Japão ou a do Brasil? É um total antagonismo, uma contrapartida diabólica mesmo, isto que acontece, em qualquer lugar do mundo, sob estas ocorrências de grandes proporções.

Bandidos e desalmados se aproveitam daqueles momentos de dor e roubam, invadem propriedades à cata dos bens dos desgraçados, e em alguns casos chegam a tomar posse de supermercados, armados, e vendem as mercadorias aos desamparados por preços exorbitantes. Mas, não são somente os bandidos que fazem isso não, antigos moradores, e muitos comerciantes que conviviam com a população antes das tragédias, também praticam as mesmas coisas, jogando os preços das mercadorias nas nuvens, e não se compadecem.

Se por um lado tentam humanizar as tragédias com as boas ações, as pessoas deveriam, também por outro lado, perpetuar aquelas boas ações e estendê-las por toda a sua vida, e aí sim poderiam se dizer humanizadas. A compaixão, em toda a raça humana, não deveria ser limitada aos momentos de dor, em lampejos fracos que mais se parecem com fagulhas de uma fogueira que vem se apagando aos poucos, a cada dia. “E por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará”. É como acontece nos natais, onde todo o mundo se une em um grande abraço e um “feliz natal!” que, de tão automático já não tem o mesmo efeito de alguns anos atrás, e passadas as festividades, voltam a se atracar. São momentos de fraqueza. Será que, para sermos benignos e compassivos, precisaremos viver constantemente em tragédias?