“A History of Violence” de Cronenberg

David Cronenberg é dos poucos com bagagem para saber criar os seus próprios paradoxos. Para mudar de registos. É magnífica a transição progressiva entre a inicial estranheza Lynchiana, para a crónica da suposta harmonia familiar com as suas rotinas, e mais á frente em direcção á secura de um bom Western que poderia ser de Don Siegel com um hiper eficaz Clint Eastwood.

Filme paródia e metáfora, acerca dos nossos demónios escondidos e do “paraíso perdido”. Importa aqui ver o momento do regresso do personagem de Viggo Mortesen para junto da familia. Tudo pesa ali. E tudo custa fazer sob o peso da culpa partilhada. O que se passou antes presta-se aqui “apenas” ao prazer e á eficácia em vários filmes dentro de um.

“A History of Violence” é um olhar sobre os Estados Unidos feita por um vizinho canadiano. Suficientemente distante para poder ver o todo, mas suficientemente próximo para poder conhece-lo. Sem pretenciosismos ou falsas questões, como alguém que subitamente olha para nós e nos diz que temos uma nódoa na camisa. E nós que não tinhamos reparado nisso. Se essa nódoa está agora no Iraque isso fica ao critério de cada um…