A Forma das Letras – Parte II

O mercado de comunicação visual e de canecas personalizadas oferece ampla gama de materiais e iluminações para a confecção das eficazes letras-caixa, chamadas também de letras-bloco. Conhecer a fundo esses elementos é o primeiro passo para obter um trabalho de qualidade, que atenda às suas necessidades.

Essa é uma etapa fundamental, porém não a única. Adquirir as melhores ferramentas não irá, necessariamente, garantir o resultado esperado. Caso a instalação não seja feita corretamente, todo o trabalho será comprometido. As técnicas de instalação de letreiros variam tanto quanto os tipos de instaladores no segmento.

Pré-instalação

Há várias maneiras de fixar um letreiro. Deve-se observar a superfície em que ele será aplicado e as necessidades do cliente, pois, muitas vezes, furar a parede não é a melhor opção. Esses são os principais elementos que devem ser levados em consideração antes da instalação.

Há um consenso de que a instalação em ambientes fechados é mais simples por não necessitar de muitos acessórios e maquinários. “Geralmente pegamos ambientes com pé-direito baixo, normalmente supermercados, lojas e departamentos. Uma escada com três metros já é mais do que o suficiente para fazer as instalações”, conta Cleiton Correia de Mello, gerente de projetos da Neo Brasil.

Porém, cada caso deve ser analisado individualmente, já que um serviço indoor pode ser feito em um lugar de grande fluxo de pessoas, em uma altura considerável e posição desfavorável.

Ferramentas

O instalador deve manusear suas ferramentas de trabalho com maestria. Por isso, separamos algumas dicas valiosas para uma fixação correta e segura.

Para a aplicação de letras diretamente em superfícies lisas e planas, recomenda-se utilizar a fita dupla face (conhecida como VHB). Esse artifício é bastante empregado em vidros. “Não recomendamos utilizar apenas a fita, pois dependendo da superfície e da qualidade da fita, há o risco do letreiro desprender-se. Para garantir a fixação, colocamos uma pequena camada de silicone pastoso”, opina Valdeci Alencar, diretor da Arte Nobre Letras.

O sistema com pinos (liso ou roscado), muito utilizado em concretos, é um dos métodos de fixação mais tradicionais. Deve-se furar a parede e ter cuidado para que os pinos não fiquem expostos ao finalizar o trabalho. “Esse pino sai de dentro da letra com aproximadamente cinco centímetros e espessura de quatro milímetros. Nesse sistema, não precisa colocar bucha ou cola porque o pino já entra prensado”, conta Alencar.

Outro artifício é o uso de parafuso e bucha.  Chamado de sistema com “orelhinhas”, esse tipo de fixação é recomendado para letreiros maiores, pois em letras menores, pode ser que esse material fique exposto, dando a impressão de que o serviço está inacabado. No geral, essas “orelhinhas” são soldadas a uma distância de um centímetro para fora da letra. Posteriormente, são pintadas da mesma cor da parede (do fundo em questão) para dar melhor acabamento à aplicação.

“Para placas pendurais, também podemos utilizar o cabo de aço encapado ou o fio de nylon, dependendo da exigência do projeto. Os fios de nylon são recomendados para trabalhos que necessitem de maior transparência”, sugere Mello.

Estas são as técnicas mais conhecidas no segmento de letreiros. Existem algumas outras, mas que estão caindo em desuso, como o sistema “pé de galinha”, no qual o instalador utiliza um arame e um parafuso.  Esse artifício ainda é utilizado, mas tende a sumir por conta da evolução natural do setor.

O instalador

Falta de mão de obra qualificada para a instalação de peças de comunicação visual: essa é uma questão que precisa de uma solução urgente no segmento.

As empresas perceberam essa escassez de mercado e começaram a abrir centros de treinamento para que o instalador tenha a formação adequada. Um exemplo disso é a Astros Luminosos. “Vimos que o bom instalador de luminosos apresenta uma idade mais avançada. Muitas vezes, o profissional não acompanha as novas tecnologias e sente dificuldade de mandar uma foto por e-mail”, relata Leandro Ribeiro, superintendente de marketing da empresa.

No treinamento oferecido, o instalador participa de cursos específicos que auxiliam no uso de um gabarito e uma trena eletrônica, por exemplo. Além da parte técnica, o cuidado com a higiene também é abordado para que o profissional tenha consciência de que a limpeza, tanto pessoal quanto na execução do trabalho, é fundamental. “Disponibilizamos um barbeiro para que o instalador se arrume antes de sair. A situação é que de 40 pessoas, apenas uma corta o cabelo. O problema está na cultura dessas pessoas”, completa Ribeiro.

Na prática

A Neo Brasil realizou recentemente um trabalho bastante requisitado no âmbito indoor: a sinalização da recepção de um estabelecimento. Mello conta que a instalação ocupou quase que a área total da parede localizada atrás do balcão da loja Fatal Surf. “Empregamos aço inox escovado na confecção do letreiro, impressão digital do logo e iluminação indireta com LEDs. Para a fixação, utilizamos parafuso e bucha. Como se tratava de um pé-direito baixo, foi usada uma escada”, explana.

Outro exemplo interessante, desta vez outdoor, é o caso da Arte Nobre Letras. A empresa teve 11 dias para instalar uma bandeira do estado de São Paulo e 16 letras na fachada da fábrica de medicamentos do Governo do Estado de São Paulo (FURP – Fundação para o Remédio Popular) localizada em Américo Brasiliense, na região de Araraquara.

“Tínhamos exatos 11 dias para realizar todo o trabalho, pois a unidade seria inaugurada no décimo segundo dia. Utilizamos a guilhotina para cortes retos, a router para cortes com curvas e a serra fita para o acabamento”, informa Alencar.

No total, foram três carretas cheias de letras. Para a instalação, foram encarregados nove profissionais e utilizado um guindaste controlado por controle remoto (manuseio à distância).