Violência: O Professor é o Alvo

Não se sabe ao certo quando toda a violência contra os professores teve início; sabe-se, apenas, que ela existe e, nas duas últimas décadas, acentuou-se ainda mais. Escolas que, antes, eram o segundo lar de muitos estudantes e, também, de professores, hoje virou um ringue de luta livre, onde quem vence é aquele que tem uma arma na mão, e esse não é o professor.

Manifestação contra a violência contra os professores.Muitos criticam a educação pública por ser fraca e deficiente e que a violência inicia-se em locais em que a escolaridade é baixa e a comunidade é pobre. Ledo engano! A violência é visível em todas as instituições de ensino, particulares ou públicas, não havendo mais diferença entre as duas no que tange a esse problema assustador, a não ser o tipo de violência infligida ao mestre. Nas escolas públicas, as ameaças são feitas diretamente pelos alunos, os quais provêm de localidades mais humildes e são mais corajosos para externar suas frustrações, devido ao aprendizado nas próprias ruas em que cresceu: “a lei é a do mais forte”. Nas escolas particulares a história é bem diferente. Os filhos levam o problema para casa, e muitas vezes não há problema algum, e os pais tomam atitudes por vezes radicais contra os professores. Há também o tipo de aluno que se esconde atrás da autoridade dos pais e agride o professor verbal ou fisicamente, pois sabe que seus genitores o protegerão.

Nas décadas de 1970 e 1980, o professor ainda gozava de prestígio perante a sociedade. Considerado por muitos um líder nato, era ele que deveria passar aos filhos de muitas famílias a boa educação e a matéria que professava. Com o passar do tempo e a banalização da profissão pelo governo, por conta de sua falta de comprometimento em auxiliar a classe, a posição do mestre caiu consideravelmente, levando-o a uma vida humilhante e situações degradantes dentro de uma instituição educacional. O corpo discente, por sua vez, saturado de ver professores completamente sem ânimo e paciência, isso devido aos salários baixíssimos e locais sem a menor condição de se trabalhar, acabam voltando-se contra seu mestre de inúmeras formas.

Muito se pode fazer pela classe que dispensa boa parte de seu dia a produzir conhecimentos para aqueles que nada possuem. Não é através da educação que se cresce? É isso que os indivíduos de todas as sociedades buscam, mesmo que de forma inconsciente. Entretanto, para isso, é preciso que a classe seja reconhecida como importante, que tenha seus direitos garantidos para, assim, fazer com que a maioria à margem saiba, pelo menos, que pode lutar por um lugar ao sol.