Violência Gratuita

Cada vez mais presente em nosso meio ela sai do nada, e se materializa à nossa frente, surpreendendo a todos, sem que ninguém saiba das razões ou sentido que a motivaram. Horrendos crimes de morte acontecem diante dos nossos olhos, sem eira nem beira, e nos deixam estupefatos.

Violência Gratuita

Violência Gratuita

Sem nenhuma, absolutamente nenhuma, razão aparente, ainda que se investigue o passado e o presente de um jovem de vinte e nove anos de idade, nada se identificava que pudesse levá-lo a cometer um assassinato diante de muitos convidados de seu próprio casamento. Ele, um supervisor de vendas, mata a sua própria noiva, durante a festa de comemoração do seu  casamento que acabara de se realizar, diante de todos os convidados e diante de seu próprio pai, a quem minutos antes da tragédia beija, e diz “te amo painho”. Ela, uma jovem de apenas vinte e cinco anos, advogada, com a qual namorara durante três anos e para quem dizia sempre que era o seu grande amor.

Eles dançaram, se alegraram e se divertiram bastante naquela noite, até que os convidados começaram a se ausentar do salão, já por volta das duas horas e trinta minutos da manhã fatídica. Naquele momento, o noivo pede para que ninguém se ausente, que todos fiquem e permaneçam no salão, pois ele teria uma surpresa para todos e, deixando o salão, juntamente com a sua esposa amada, pede para que alguns de seus amigos mais chegados os acompanhem. Entre os seus acompanhantes estava o colega de trabalho que era um dos padrinhos, de quarenta anos de idade.

No caminho, sem que ninguém percebesse, apanhou uma arma no carro. Após um terno abraço na esposa, desfere-lhe um tiro na cabeça matando-a na hora, volta-se e começa a disparar na direção de seus amigos, sem que tivesse um alvo específico, atingindo com quatro tiros o colega de trabalho, dois na cabeça. Ato contínuo suicida-se com um tiro no ouvido. Seu pai, o “painho” que recebera o seu beijo de despedida, até hoje não encontrou o fio da meada, a razão para tudo aquilo que aconteceu naquela noite. Ninguém sabe, ainda, nem mesmo a polícia. Este fato ocorreu no final do mês de Dezembro de 2010, em uma localidade nas proximidades de Recife, onde estavam mais de duzentas pessoas, convidadas para testemunhar o avanço da violência gratuita no meio da sociedade brasileira. Isto tem que parar, de alguma maneira.