Violência Doméstica. Quem é o Maior culpado?

A sociedade humana, como sabemos, passa por constantes transformações, até porque o homem é um ser social que precisa interagir com seus semelhantes, e depende deles não só para sobreviver, mas também para buscar o seu  próprio autoconhecimento. Além do mais, presenciamos essas transformações em todas as áreas do conhecimento, principalmente as que tiveram inicio com a fase marcante das grandes descobertas cientificas – isso sem contar a revolução dos paradigmas tecnológicos que também molda o comportamento das pessoas.

Violência Doméstica

Violência Doméstica

Portanto, séculos de convivências realmente deveriam ampliar o nosso horizonte em qualquer campo do desenvolvimento humano, tornando-nos mais solidários, amorosos e compreensivos. Entretanto a realidade é outra: séculos e mais séculos de convivências não foram capazes de tal milagre. E não precisamos ir muito longe para comprovar isso. Vejam, por exemplo, os casos alarmantes de violência doméstica que vitimam principalmente as mulheres em todo o mundo.

A violência doméstica, que é o resultado de agressão física, verbal e psicológica, cresce a cada dia, pois segundo a sociedade, certos comportamentos  são tidos como normais e corriqueiros nas relações de um casal, não havendo, portanto,  a caracterização de violência contra a mulher. E neste contexto de aparente normalidade nas relações entre os dois sexos, é que o agressor se sente à vontade para agir, imputando à sua vítima um sofrimento infernal, que se às vezes não deixa nela marcas corporais visíveis, por dentro causa cicatrizes indeléveis que a acompanharão pelo resto da vida.

Então, de quem é a maior culpa? Se atribuirmos a culpa apenas ao agressor, que se impõe sempre pela força física  e pela ameaça, estaríamos a bem da verdade isentando as autoridades e o Estado de qualquer culpa. Porque quando a vitima vence o fantasma do medo e consegue denunciar o marido ou  o companheiro na delegacia, não raro é tratada com descaso por quem deveria prestar-lhe assistência, assistência esta  embasada na “Lei Maria da Penha” que tem por escopo oferecer justamente tutela integral à mulher vitima de violência doméstica. Resultado: muitas acabam sendo mortas pelos próprios denunciados, como vemos nos jornais. Ademais, o próprio abrandamento da pena, no caso de prisão do agressor, também contribui, e muito, para o aumento dessa estatística.

Portanto, todo esse conjunto de fatores agrava a situação da mulher vitima de violência doméstica, o que torna a “Lei Maria da Penha” insuficiente para o enfrentamento desse grave problema social. Até porque nenhuma lei funciona sozinha sem o apoio da sociedade como um todo.