Vai e não volta

Já aconteceu com você, de emprestar uma coisa qualquer e a pessoa nunca mais te devolver? Ou então dessa pessoa emprestar pra uma terceira e essa terceira sumir no mundo levando aquele objeto emprestado? Não importa se era um livro, uma roupa, uma ferramenta ou – pior – dinheiro: é sempre desagradável quando acontece.

Há um termo chamado “empréstimo a fundo perdido”, que significa “estou pegando emprestado mas não vou devolver nunca mais”. Praticamente uma declaração de “estou pegando emprestado, mas em caráter de doação”. Acontece muitas vezes quando o filho pede dinheiro emprestado aos pais (quantos pais já veem na cara dele que aquela grana não vai mais voltar?). Mas quando acontece fora dessa relação doméstica – ou seja, quando quem pega emprestado teria a obrigação moral de devolver e não devolveu -, aí fica chato.

Reserva tática

Emprestar-coisas-para-as-pessoas-pode-não-terminar-como-uma boa opçãoÉ quando pensamos que seria ótimo termos alguns itens emprestáveis a fundo perdido, pra evitar a perda dos objetos mais importantes pra nós. Na verdade, há quem desenvolva estratégias bem interessantes nesse sentido! A indústria, mesmo, é uma delas. A produção massificada permite uma venda também massificada – e com tantas unidades sendo vendidas simultaneamente, a logística de distribuição fica mais fácil se o transporte da mercadoria comprada for feita com várias unidades por vez; este processo é permitido pelo uso de paletes. Dependendo das dimensões dos produtos, pode-se deslocar dezenas, até centenas de unidade em cada palete (claro, devidamente acondicionadas em suas embalagens). Só que não há como garantir que os paletes retornarão, então o que fazem? Usam paletes descartáveis. Seu custo é mais baixo e sua ida-sem-volta não prejudicará o orçamento e nem a logística interna do fabricante.

Já ouviu falar na “sacolinha de São José”? É literalmente um saquinho de tecido em que guardamos um dinheirinho, coisa de R$50,00 ou pouco mais, pra emergências (fim de mês, sabe como é…). Algumas pessoas fazem uma reservinha desse tipo pra destinar a pequenos empréstimos, contribuições na rua e outras coisas menores que requeiram um dinheiro que provavelmente não vai voltar. Alguns lojistas fazem parecido, mas nesse caso, destinam o dinheiro reservado a pedidos de patrocínio de escolas para gincanas e coisas do tipo.

Em casa, é possível encontrar pessoas prevenidas quanto aos empréstimos forçosamente a fundo perdido. Normalmente tidas como paixão dos homens da casa (mas não se engane, já tem muita mulher também nesse mundo), as ferramentas estão sempre guardadas num local só delas. Mesmo que meio sujas, nunca falta nenhuma na caixa. Mas aí vem o vizinho pedindo a chave de boca pra trocar uma torneira, ou a chave Philips pra ajustar um móvel… e tchau ferramenta do coração. “O quê?? Minhas ferramentas não!!” E aí vem a ideia: manter um kit de ferramentas mais baratas cujo “desaparecimento” não cause prejuízos ao dono.

Coisa de mão-de-vaca?

É-comum-as-pessoas-deixarem-de-emprestar-algum-pertence-por-receio-de-não-tê-las-de-volta.Não se deve ver isso como coisa de gente egoísta ou mão-fechada (pelo menos não em todos os casos rsrsrs). Quem tem um bem sabe o quanto ele lhe custou; se ele foi ganhado de presente, sabe o valor emocional que aquilo tem. No entanto, quem pega emprestado quase nunca tem noção do valor real daquele objeto, ou do quanto ele custou – e a, não se dá o mesmo valor, nem se tem o mesmo cuidado com a conservação (ou o empréstimo). Assim, quando se percebe que a devolução não acontecerá, surge um sentimento amargo de angústia em ter o objeto de volta e mágoa ao perceber que o retorno não acontecerá. As únicas formas de evitar isso são: não emprestar nada de jeito nenhum ou apelar para uma reserva tática que possa ser “perdida” no empréstimo. Não deixa de ser uma forma de preservar a saúde emocional. ;)