Urupês (Monteiro Lobato)

Publicado em 1918, Urupês não contém uma única história, mas vários contos e um artigo, quase todos passados na cidade de Itaoca, no interior de SP, geralmente com final trágico e algum elemento cômico. O último conto, Urupês, apresenta a figura de Jeca Tatu, o caboclo típico e preguiçoso.

Para uma melhor compreensão da temática da obra, o próprio escritor nos dá pistas ao citar, em um dos seus contos, Meu Conto de Maupassant. De fato, sua literatura vai pela mesma rota do literato francês, já que se baseia em ações extremas e patéticas norteadas pelo amor e pela morte.

O tom exagerado também se manifesta em sua linguagem. Na descrição das personagens Lobato utiliza técnicas expressionistas que as deformam. Lobato utiliza constantemente a ironia, o que revela uma emotividade extremamente carregada, um misto de indignação, impaciência e até intolerância ao enxergar os problemas brasileiros e como eles são provocados pela lassidão e indolência do caráter de nosso povo.

No entanto, quando se dedica a caracterizar a natureza passa a vazar metáforas de bela plasticidade que em vários pontos lembra a idealização romântica. Porém, afasta-se dessa escola literária por utilizar uma linguagem mais simples, arejada e moderna. É fácil perceber como a linguagem usada antecipa o Modernismo, já que não apresenta a elaboração rebuscada então vigente em sua época. Defensor de um estilo mais simples, prático e direto, chega até mesmo a aproveitar o andamento coloquial brasileiro dentro de sua narrativa, o que o torna embrião de feitos vistos em obras importantes do Primeiro Tempo Modernista, como Macunaíma, por exemplo. Basta se notar expressões como “Filho homem só tinha o José Benedito, d’apelido Pernambi, um passarico desta alturinha” ou “E a prova foi roncarem logo p’r’ali como dois gambás”, exemplos tirados a esmo do conto A Vingança da Peroba.

Outro aspecto moderno é a construção de uma metaforização nova e inusitada, se comparada ao padrão parnasianista então em moda, mas comum no movimento que surgiria praticamente meia década depois desse livro de Lobato.

Os contos que compõem o livro são:

• Os faroleiros
• O engraçado arrependido
• A colcha de retalhos

• A vingança da peroba
• Um suplício moderno
• Meu conto de Maupassant
• “Pollice Verso”
• Bucólica
• O mata-pau
• Bocatorta
• O comprador de fazendas
• O estigma
• Velha Praga
• Urupês