Uma cidade que não muda

Dizem que mudanças fazem parte da vida, e é verdade. O tempo todo acontece alguma coisa nova na vida de alguém, ou de uma família, e então alguma mudança acontece: no modo de pensar, no modo de se vestir, no modo de falar… e às vezes a mudança é de endereço, mesmo.

As pessoas se mudam pelas mais variadas razões, disso não há dúvidas. Algumas se mudam por motivos acadêmicos (passou no vestibular de uma outra cidade e precisa se mudar pra lá); outras por motivos profissionais (semelhante ao acadêmico, porém a aprovação foi na entrevista de emprego ou então por uma transferência interna); pode acontecer da mudança ser necessária porque a casa atual está em área de risco e foi interditada (essa é tensa); e, às vezes, as pessoas se mudam simplesmente porque enjoaram do lugar. O comum entre todos estes motivos e os outros tantos que nem mencionamos é que: em todos os casos, vai ser necessário contratar uma empresa de mudanças.

Falando em proporções

As-famosas-cidades-universitárias-costumam-movimentar-bastantes-mudanças-de-casa-ao-longo-da-temporada.É mais comum observarmos um número maior de mudanças em cidades maiores ou com economia mais agitada – ou ainda, em cidades universitárias. Nestas, o “movimento migratório” é constante ao longo de quase todo o ano, reduzindo o ritmo apenas nos meses de férias. Porém, em cidades pequenas, a população tem o costume de fincar o pé em um lugar e não sair mais. Essas diferenças nos modos de vida se refletem diretamente no número de empresas de mudanças de uma cidade.

É muito fácil encontrarmos um enorme número de empresas de mudanças em São Paulo, por exemplo, que é uma cidade gigantesca e muito, muito movimentada, tanto economicamente quanto academicamente. E ao contrário, em algumas cidades pequenas não se encontra mais que quatro ou cinco empresas do tipo – aliás, existem algumas em que não existe uma única empresa sequer! Afinal, ela são montadas ao se perceber que existe a necessidade de uma empresa do tipo por ali; se não há necessidade, pra quê, então, montar uma, não é?

“Mas então como os habitantes fazem quando precisam se mudar por algum motivo?” Aí os próprios moradores dão um jeito: podem tanto contratar uma empresa da cidade vizinha (sempre tem um amigo do dono), ou podem contar com a boa vontade de algum caminhoneiro local que se disponha a ajudar. Algumas vezes, mediante pagamento em espécie; outras vezes em troca de algum favor ou produto. Jeito, há.

“Caminhoneiro local”?

Ora, sempre tem um dono de caminhão na cidade, mesmo que seja pequena. A questão é se esse caminhão é aberto ou fechado, tipo baú. Há uma norma que proíbe que mudanças sejam realizadas em caminhão aberto, devido ao risco de queda de algum móvel na pista e a ocorrência de possíveis (e graves) acidentes por causa disso. Nas rodovias, como a velocidade é mais alta, ocorrências deste tipo são potencialmente mais perigosas do que quedas de material ocorridas dentro da cidade. Assim, mudanças em caminhão aberto são permitidas dentro da cidade, entre um bairro e outro; caso a mudança seja intermunicipal, não tem jeito: só mesmo em caminhão baú. Do contrário: multa pesada, mais do que o caminhoneiro está disposto a arriscar. Mas considerando que a mudança será dentro da cidade mesmo, pode-se contratar o caminhão de um feirante, ou de um fazendeiro, agricultor…

O-improviso-vale-nessas-horas.É, sim, um improviso; afinal, ninguém ali tem treinamento e nem instrumentos de trabalho adequados para carregar móveis e eletrodomésticos pesados – talvez não tenham nem cordas e cobertores o suficiente para proteger todos os objetos da mudança. Ainda, há o risco de lesões físicas. Mas costuma sobrar boa vontade de tal maneira que, em geral, essas mudanças terminam sendo bem sucedidas.

Coisas de cidades muito pequenas, mesmo. Até a forma de solucionar problemas é pitoresca!