Uma ajuda para os pulmões

Quantas pessoas você conhece que sofrem de bronquite, asma ou rinite alérgica? Se parar pra pensar um pouco, provavelmente vai se lembrar de várias, não é? De fato, doenças respiratórias crônicas (ou seja, aquelas de longa duração ou que a pessoa sofre desde o nascimento) são bastante comuns. E quem as tem, sofre bastante: dificuldade para respirar durante as crises (algumas vezes precisando da famosa “bombinhas”), dificuldades na prática de certos esportes e problemas em determinados ambientes.

Não é difícil imaginar como a vida fica complicada nessa situação. Dependendo do grau da doença, situações corriqueiras como passar por um fumante pode desencadear uma crise bastante séria; a rápida passagem por um ambiente úmido que tenha traços de mofo é mais que um simples desconforto com o odor, podendo se tornar uma emergência hospitalar. Para tentar resolver – ou pelo menos minimizar – o problema, faz-se de tudo um pouco: evita-se locais fechados e com ventilação ruim, retira-se as cortinas do quarto e substitui-se as janelas de vidro por janelas tipo porta-balcão com bandeiras metálicas perfuradas (para facilitar a ventilação sem prejudicar a privacidade), discute-se com o médico sobre os esportes mais adequados, etc.

Muita coisa atrapalha

Os mais jovens sofrem por precisarem evitar algumas atividades mais comuns.Uma pessoa com esses problemas pode ter uma vida bastante restrita. Crianças pequenas são as que mais sofrem, pois vêem os amiguinhos brincando na rua sem que possam se juntar a eles – e quem tem filhos sabe como é doloroso proibi-los de um ato tão natural quanto brincar com os amigos. Quando as brincadeiras são em ambiente com terra, como uma estrada ou mesmo no terreno da casa, a poeira pode desencadear uma crise de tosse bastante forte, prejudicando fortemente a respiração da criança. Além disso, a intensidade das brincadeiras infantis costuma ser maior e isso provoca um grande cansaço; neste caso, as crianças que têm doenças respiratórias, além de se cansarem mais depressa, podem ter tonturas e mesmo desmaios devido à falta de ar. Claro que existem diferentes graus de acometimento pela doença mas, em geral, o cansaço costuma, mesmo, chegar mais rápido para elas.

Outro risco são os bichos de pelúcia, cortinas e os cobertores felpudos. Aparentemente inofensivos para quem não sofre de doença respiratória alguma, se tornam verdadeira armadilhas para asmáticos e alérgicos por juntarem uma grande quantidade de poeira. Às vezes, o próprio material de que são feitos os cobertores e as pelúcias, por mais limpos que estejam, já são suficientes para começar uma longa crise de tosses e espirros.

A faxina da casa também precisa ser, digamos, adaptada. Varrer com vassoura comum (principalmente a de piaçava) coloca uma enorme quantidade de poeira em suspensão no ar; essa poeira acaba atingindo todos os objetos da casa: mesas, cadeiras, sofás, roupas de cama, toalhas do banheiro e… o nariz do pobre alérgico. Se o espanador for usado, então, a poeira no ar pode ser tanta que chega a fazer mal até para quem não tem problema algum. E tome espirro!

Muita coisa ajuda

A prática do esporte pode ser praticada se houver boa orientação médica.Apesar de dificultarem a vida, as doenças respiratórias não podem ser impeditivas para as atividades físicas, nem mesmo para as crianças. Aliás, já está cientificamente comprovado que a prática de um esporte, quando bem orientada, ajuda a aumentar a resistência do organismo e a diminuir a incidência e a força das crises. Muitas vezes chega a eliminar a necessidade do uso das “bombinhas”. Porém, este tipo de atividade deve ser obrigatoriamente discutido com o médico, pois cada paciente é um caso diferente – e o que serviu para um nem sempre serve para outro. Se o paciente for uma criança, este cuidado deve ser levado mais a sério ainda.

Bichos de pelúcia, cortinas e cobertores de pêlo já não têm mais lugar no quarto do paciente – melhor ainda se puderem ser removidos de todos os cômodos da casa. Mesmo limpos, podem ser responsáveis por fortíssimas crises de tosse e de espirros. No caso das crianças, os bichos de pelúcia podem ser substituídos por brinquedos plásticos ou emborrachados, ou mesmo de tecido (desde que seja liso). Retirar as cortinas pode significar a perda da privacidade; se for este o caso, convém trocar as janelas que só têm folhas de vidro por outras de folhas de alumínio, tanto janelas basculantes quanto tipo porta-balcão. Estas podem ser encontradas com pequenos furos que permitem a circulação do ar entre os ambientes interno e externo, o que é ótimo para quem tem dificuldade respiratória. Já os cobertores podem ser trocados, sem prejuízo do conforto térmico, por edredons forrados.

Já a faxina deve ser mais cuidadosa. Se for realmente necessário usar vassoura, deve-se dar preferência às de pêlo, que são eficientes e levantam pouca poeira. Mas sempre que possível, o ideal é utilizar pano úmido, que não levanta poeira alguma e preserva a qualidade do ar da casa – especialmente quando o paciente estiver nela durante a faxina. Convém também evitar desinfetantes com perfume muito forte (ainda que isso seja um pouco difícil), já que é comum que asmáticos e alérgicos também tenham problemas com perfumes muito incisivos.

Lidar com problemas assim pode ser um pouco desgastante devido às várias recomendações mas, pela família, todo esforço recompensa.