Um Longo Caminho Até o Chão

Foi um tombo magnífico, desses que se tivesse sido filmado teria feito sucesso nas redes sociais internet afora ou em programas de TV do domingo à tarde. Deitado no chão, parecendo um boneco de pano desconjuntado, eu só conseguia pensar que toda aquela situação se devia ao fato de que tinha ficado com preguiça de ir até o quartinho no fundo da casa para pegar uma escada. Para quê escada, eu me perguntei, para trocar uma simples lâmpada na sala? Uma cadeira daria conta do recado perfeitamente. Ignorei o fato de que ela estava meio vacilante, deixei de lado a segurança ao tentar me esticar demais para alcançar o bocal no teto e, conjugado à minha invejável coordenação motora para qualquer trabalho manual, o resultado foi previsível.

Problemas nas costas que limitam a mobilidade.

Problemas nas costas que limitam a mobilidade.

Após o pequeno exame de consciência, resolvi me levantar e uma dor muito irritante não permitiu. Resumindo uma história bem constrangedora, que envolve não conseguir trocar de roupa, causar estranhamento ao taxista por andar todo torto e ver a expressão da senhora da portaria do hospital ao me ver de pijama, consegui ser atendido por um médico. Apesar da dor, as quais os analgésicos dariam conta muito em breve, felizmente não houve sequelas maiores por conta do infame tombo. Entretanto, com um raio-x na mão, o médico me pergunta se tenho cuidado da minha escoliose, o que me faz indagar “Que escoliose?”.

Novidade

Sim, até que o tombo foi útil para alguma coisa. Graças a ele, descobri que tinha um ligeiro desvio na coluna, a tal escoliose, que até então desconhecia possuir. Segundo o médico, ela ainda estava em um grau de desvio muito pequeno, mas já aparente. Existe uma série de razões para alguém ter esse desvio, pelo que acabei lendo a respeito, desde má-formação congênita e problemas musculares até diferença no tamanho das pernas. A minha, em específico, tenderia a piorar graças à minha notória má postura, que o próprio médico em questão notara. Perguntando sobre como poderia proceder em relação a isso, ele me pergunta se já ouvira falar em Pilates.

Tratamento

É claro que ouvira falar no tal Pilates, fico imaginando se alguém por aí não tem um amigo ou conhecido que espalha aos quatro ventos como esse método mudou a vida ou coisa do tipo. Mesmo com meu ceticismo inicial em relação a ele – é difícil largar assim tão um hábito tão cultivado quanto o sedentarismo – confesso que me impressionei com o Pilates.  Através de exercícios individuais e direcionados, a tal curvatura da minha coluna foi sumariamente controlada em poucos meses. Segundo o instrutor, isso tem a ver diretamente com os princípios do Pilates, que trabalham em prol não só do alongamento do corpo, como também do fortalecimento e do equilíbrio do mesmo. Justamente o que eu estava precisando.

Técnicas que ajudam a solucionar dores crônicas.

Técnicas que ajudam a solucionar dores crônicas.

Como disse antes, até que o tombo teve um lado bom. Adotei o Pilates como um há muito tempo postergado exercício, consegui controlar o problema da escoliose antes que se tornasse mais grave – e que agora será sempre observada, para que não se torne realmente – e também que vale a pena gastar alguns minutos a mais para pegar a porcaria da escada antes de trocar as lâmpadas…