Um Golpe no Jeitinho

Julgamento do mensalão: Chance da verdadeira justiça ser feita.

Desde sua descoberta, o Brasil já demonstrava indícios do que mais a frente seria conhecida como “terra do jeitinho”. Ao botar os pés por aqui, os portugueses encontraram um povo nu, uma terra farta e a chance de se beneficiar com os frutos (em linguagem figurada) de nossa prezada nação. É claro que os donos da casa estranharam a presença nova, e pra mostrarem todo o seu “apreço” pelos anfitriões, os homens brancos trataram logo de oferecer suas quinquilharias aos índios que, por sua vez, agradeceram a generosidade. No entanto, o resultado dessa troca de gentilezas já é conhecido por todos: boa parte da população indígena do Brasil foi dizimada e o país ficou sob jugo português por mais de 300 anos.

O jeitinho usado pelos portugueses ganhou adeptos por aqui ao longo do tempo. Impostos abusivos em ouro, trabalho escravo, uma constituição que fazia do imperador praticamente um rei são algumas das diversas variações do “jeitinho”, mas ainda é o “jeitinho”! Era o povo dando seu jeito de sobreviver e a elite dando seu jeito de se aproveitar. Os personagens mudaram com o tempo, mas a prática continua mais viva do que nunca, com o governo administrando pessimamente os recursos públicos, e a população a contemplar este espetáculo grotesco.

Mas a história verdadeiramente é marcada por fatos. E o povo brasileiro tem a chance de ver pela primeira vez a justiça sendo feita em seu favor: trata – se do tão aguardado julgamento dos réus do mensalão, maior escândalo político da história do país. A corrupção sempre foi uma constante no seio do governo, parecendo reinar absoluta em todas as vertentes do poder. Um sistema judiciário fraquíssimo e repleto de brechas estabelecia as condições perfeitas para que políticos mal – afamados fizessem toda a sorte de atos ilícitos bem em baixo do nariz dela, a, pelo mens teoricamente imparcial, justiça.

A condenação dos réus representaria um golpe duro na nata corrupta, e uma prova de que ainda existe uma mão que trabalha em favor da decência, mesmo em meio a várias outras que apenas sugam o que deve ser repartido. A expectativa de que isso ocorra é grande, assim como a responsabilidade dos ministros responsáveis pelo processo. As decisões dos mesmos terão dois efeitos certos: a perpetuação do sentimento de impunidade ou o desmantelamento da ditadura do jeitinho. O momento é agora. Que a justiça seja feita.