Tráfico Internacional de Mulheres: Lenda Urbana ou Triste Realidade?

Tráfico internacional de mulheres em Salve Jorge

Tráfico internacional de mulheres em Salve Jorge

Desde que Salve Jorge estreou, há quase dois meses, o assunto mais comentado, tirando as críticas à música insuportável de Roberto Carlos, é a forma com que o tráfico de mulheres vem sendo retratado na trama. Muitas pessoas (“bem informadas”, por sinal) afirmam que o tráfico de mulheres não existe daquela maneira abordada e que o tema é só mais uma forma do “marketing social” das novelas da Globo apelar para o sensacionalismo, contando histórias de mulheres que vão para o exterior se prostituir.

Um fato parece não ter ficado claro para o público que vem acompanhando a novela de Glória Perez. Prostituição é totalmente diferente de tráfico de mulheres. A própria emissora, no fim de semana que antecedeu a estreia do folhetim, não deixou claro a complexidade do tema. O Fantástico contou a história de mulheres que se aventuraram no exterior e se prostituíam para complementar a renda. Conscientes do que estão fazendo, muitas se estabelecem e conseguem sustentar a família que deixaram aqui. Essas mulheres são livres e podem retornar ao Brasil quando quiserem, diferente de mulheres como a personagem Jéssica (Carolina Dieckmann), da novela Salve Jorge.

Mulheres como Jéssica saem rumo ao exterior para tentar a sorte como garçonete ou babá. Deslumbradas com o sonho de uma vida melhor e a possibilidade de ajudar a família, elas caem na armadilha de uma máfia que movimenta muito dinheiro. As “Jéssicas” são obrigadas a se prostituir, são forçadas a manter relações sexuais com mais de 10 homens por dia, em jornadas de até 13 horas. Essas mulheres não costumam retornar para suas casas. Se tentam fugir, acabam mortas.

Para quem ainda confunde prostituição com tráfico de mulheres, Fernando Gabeira, ex-deputado federal explica: “Existem brasileiras em situação de semiescravidão nos países ricos e existem também muitas prostitutas (travestis e mulheres), vivendo lá fora de forma estável, sustentando suas famílias aqui e mandando divisas para o Brasil”. Ou seja, uma coisa não tem nada a ver com a outra.