The Lovebirds – Frescos de Lisboa

Tenho muita pena que “The Lovebirds” seja um filme que tenda a perder-se no esquecimento. Despretensioso e com pouco orçamento, tem uma leveza e ritmo muito interessantes. Numa Lisboa exclusivamente nocturna há ali histórias, diálogos e personagens que são um achado – puxando os extremos, ou transformando-se em pura poesia…

No topo e em destaque Ana Padrão, linda e cheia de classe; a tocante e notável interpretação de Fernando Lopes, sábio, calejado e cheio de humor. Bela homenagem que Bruno Almeida faz ao realizador de Belarmino. É o cinema português a dialogar consigo próprio e isso é muito bom que aconteça. Bruno Almeida filma Lisboa com muita segurança, com um pouco da sensibilidade da cosmopolita Nova Iorque. E para isso também estão lá os “Sopranos” Michael Imperioli e John Ventimiglia, Drena de Niro.

A influência de Scorsese e sobretudo de John Cassavetes. Mas no fim de contas “The Lovebirds” acaba por ser muito mais um filme de Lisboa que de Nova Iorque. É preciso amar verdadeiramente esta cidade para a poder filmar daquela maneira. De resto, ninguém destoa. É um filme que vale a pena descobrir ou redescobrir, agora necessariamente noutro formato. É a vida…