The Game Is Over – O Jogo Acabou

Violência nos Jogos Eletrônicos

Violência nos Jogos Eletrônicos

Eu, sinceramente, não sei o que efetivamente acontece na mente dos profissionais especializados, e que analisam diariamente o comportamento de milhares de jovens, com idades entre quinze e vinte e três anos, e não conseguem discernir causa e efeito no que diz respeito a essa neurose que ataca a nossa juventude, e não somente a ela, porque temos casos de adultos sofrendo do mesmo mal. Falo do envolvimento simbiótico entre o ser humano e os jogos eletrônicos. Os psicanalistas e psicólogos ainda não conseguiram enxergar essa relação simbiótica em nenhum grupo, até então analisado, ou pelo menos não chegou ao meu conhecimento que tal tenha ocorrido.

Afirmo isto porque diante da declaração do professor de psicologia da Universidade Internacional Texas A&M, nos Estados Unidos, Christopher Ferguson – especialista em jogos violentos – de que os “games” violentos e sanguinários, que mais parecem uma máquina de moer carne humana, são de mau gosto e moralmente censuráveis, acrescentando que eles foram desenvolvidos retratando fatos reais, ou seja, tragédias da vida real, de forma imatura e irresponsável, e, por estes motivos, são condenáveis, não posso ter outra opinião a respeito deste assunto tão sério. Faltou maturidade para tratá-lo, e vou dizer o porquê: Naquela miscelânea da Vila Cruzeiro, com a invasão do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, em apenas dois dias houve mais de cem mil acessos ao jogo que a retratava. Mais de cem mil em apenas dois dias.

O que isto pode significar? Obviamente, que o interesse pela violência está crescendo mais do que arroz na panela do brasileiro. Pura lógica. E não me venham dizer que isto é apenas um meio de manifestação de indignação, porque seria menosprezar a minha inteligência e dos demais brasileiros, que se preocupam com tal situação. Vou clarear para os profissionais que se dispuserem a examinar a questão: Eu me lembro, e muito bem, que houve uma época em minha vida de adolescente, em que os filmes que mais nos atraiam a atenção eram os de karatê. Frequentemente estávamos diante das telas de cinema e de televisão, engolindo aquelas cenas mirabolantes de homens voando sem asas, quebrando tudo com as próprias mãos, e tome sangue para todo o lado.

Ao sair das sessões de cinema, literalmente, minhas mãos tomavam contornos das mãos de um lutador de artes marciais, e eu sentia dentro de mim uma vontade louca de praticar o que eu via nas telas. Tanto é que, pouco tempo depois, me matriculei em uma academia de artes marciais, e não dispensava uma boa luta. Ficava torcendo para que acontecesse algo nas ruas e que me estimulasse a demonstrar, na prática, tudo aquilo que eu havia aprendido na academia. E eu não estava só neste diapasão. Então, o que podemos concluir, pelo exemplo prático de minha própria vida, é que os tais jogos são malditos mesmo, influenciam a mente sim, e podem, no ápice de sua influência, despertar um verdadeiro vulcão de violência dentro do indivíduo.

O que nos cabe aqui relevar, com muita honestidade e coerência, é que é urgente, necessária e indispensável a intervenção de órgãos governamentais, em legislar e regulamentar, tanto a produção quanto a veiculação daqueles jogos, e, na minha opinião, deveriam ser proibidos, em qualquer instância. Chega de violência. The game is over.

  • Lucianaweb

    Que pobre e infeliz foi sua "vida de adolescente", que teve pai para ver o que acontecia com você.
    Eu entendo que na formação do individuo os maiores responsáveis são os pais. Eles que devem dar atenção no que os filhos estam fazendo. Ou então parar de ter filhos. Filho não é bicho, não é só dar agua e comida e dizer eu cuidou muito bem, não falta nada a ele.

  • Grato pelo teu comentário, Luciana. De fato, os filhos não devem ser tratados como bichos, pois são heranças de Deus. Se soubermos conduzí-los com sabedoria, com certeza os resultados serão outros, bem melhores.