Shakira em Sampa – Sucesso debaixo de chuva!

No dia 19 de Março de 2011 o Estádio do Morumbi, recebeu Shakira com uma fina e intensa garoa. Envolta por uma capa rosa cintilante, ela subiu ao palco e caminhou em direção à sua banda. Ao final da canção, arrancou de forma bruta a vestimenta que a entornava e mostrou a que veio: hipnotizar e seduzir o público de São Paulo com sua afinação e requebrado, ingredientes presentes em seu novo universo.

Shakira - Show em São Paulo

Shakira - Show em São Paulo

Shakira entregou-se de corpo e alma à noite. “Como está minha gente do Brasil? Estava morrendo de saudades de vocês. Esta noite eu sou paulistana”, disse a colombiana logo após cantar Why Wait e Te Dejo Madri. Foi o que bastou para ter o público ainda mais aos seus pés. Si Te Vas e Whenever, Wherever seguiram a linha rock latino, seguidas por Inevitable. “Escrevi numa noite como essa, em Barranquilla, com meus amigos. E se tornou uma das favoritas do meu repertório”, disse a cantora, fechando o primeiro ato do espetáculo e lançando seu feitiço sobre os olhares atentos dos mais de 53 mil fãs.

Na segunda parte do show, com roupa cigana e músicos postos na extensão do palco, Shakira promoveu um espetáculo de dança flamenca, abusando de toda sua sensualidade. Com uma performance metafórica, ela se entregou novamente ao ritmo e nasceu, morreu e ressuscitou conforme as batidas do caixote de madeira determinavam.
Nesta parte do show, ela fez um cover de Nothing Else Matters, do Metallica, e apresentou Despedida, da trilha sonora do filme Amor nos tempos do cólera. Gypsy, canção em que se declara uma pessoa livre no mundo, encerrou o ato.

Em meio aos hits efervescentes, Shakira fez uma pausa para expressar algo que pareceu não fazer parte do script do show. Ao cantar Sale el Sol, música que dá título ao seu novo CD, em um dos pontos altos da música acabou arrancando a blusa com muita força, rasgando-a ao meio e ficando apenas de sutiã.

Após o momento de desabafo, ela retornou ao palco para mostrar que as coreografias de Loca e She Wolf são possíveis – pelo menos para ela. Shakira se contorceu por completo, cantando sem perder o fôlego e a afinação, reproduzindo as danças mais complexas presentes em seus videoclipes.

Com o fim do show se aproximando, a chuva voltou a cair, com maior intensidade. Ojos Así, guardada para o gran finale, tornou a performance de Shakira ainda mais sensual. Os minutos dedicados à dança do ventre caíram como hipnóticos nos olhos do público. “Obrigada por esta noite maravilhosa”, disse a colombiana envolta por uma bandeira do Brasil, despedindo-se do público.

Poucos minutos depois, ela retornou e mostrou novamente que seu rebolado não mente com Hips Don’t Lie e com o hino da Copa do Mundo de 2010 Waka Waka. Shakira encerrou seu show apoteótico às 22h25 sem esconder a emoção de ver uma legião de fãs reunidos no Estádio. Ela chorou. Ou pelo menos esboçou algo parecido com isso, mas foi possível ver no telão do Estádio seus olhos marejados.
Bastou Shakira abandonar o palco para a garoa cessar. Em uma noite em que as emoções mais positivas foram afloradas, pode-se dizer que as lágrimas que caíram do céu contemplaram a recepção da cantora como um gesto de boas-vindas de um povo nostálgico e a despedida de alguém que parte sem previsão de retorno.
(Crítica de Gabriel Perline)