Sentada na Porta…

Aqui estou, no batente da porta…

Procurando as palavras exatas…

Para encaixá-las nos versos perdidos…

Ou no refrão escondido dos meus pensamentos…

A refutar, quais palavras eu devo escrever…

Para poder falar-me do momento presente, da ocasião…

Em que encontro-me, tranqüila, meio contrita, pensante…

Procurando uma palavra bonita, no meio a tantas…

Que ecoam no meu pensamento alazão…

Bem, cá estou eu, procurando dizer-me o que de raro valor…

Estou a procurar… Para explanar, dividir, expor, o que realmente…

Quero e sinto, simplesmente quero dizer…

Sinto uma enorme vontade de pegar a caneta… Esta velha companheira…

De estrada, das mais longínquas estradas galopantes do meu ser…

Sinto-me livre, trilhando o percurso incerto dos meus pensamentos…

E tudo é tão simples e complexo… Que eu só quero transportar a beleza…

Deste dia e de muitos outros, que virão…

Só sei que eu estou aqui, no batente da porta…

Ah! Ouço uma música no ar… Ouço o som de uma seresta antiquada…

O vento provoca os meus cabelos e também os galhos das pequenas plantas da varanda…

E vejo algumas florezinhas, que desabrocham… E uma calma atraente, povoa o momento…

Presente, tudo tão tranqüilo… e cada vez, sinto mais vontade de escrever…

Mas preciso parar um pouco… Para poder ler tudo que terminei de transpor para o papel…

Neste momento presente…Estou sentada no batente da porta…