Se prevenir é o melhor remédio

Já existiam leis sobre a segurança de espaços para festas e outros eventos, mas a fiscalização era mais relaxada e isso deixou muitos proprietários de salões igualmente relaxados. Assim, ficou comum encontrarmos locais com poucos extintores de incêndio, por exemplo, e às vezes até mesmo nenhum. Em outros, o problema era a ausência de saídas de incêndio adequadas para a quantidade máxima de pessoas que o local comportava.

A-tragédia-na-boate-Kiss-alertou-um-pouco-sobre-os-riscos-de-incêndio.Após a ocorrência daquele triste acidente em Santa Maria, quando uma boate sofreu um incêndio e centenas de jovens morreram lá dentro, a questão da segurança voltou com total força. Por todo país, prefeituras e batalhões do Corpo de Bombeiros passaram a ser pressionados para fiscalizar os espaços para festas espalhados aos milhares pelo território nacional e o que se viu foi uma distribuição de notificações e de alvarás cassados. Nem mesmo bares e restaurantes ficaram de fora: muitos foram impedidos de funcionar até que sua situação fosse regularizada. Mas por que tanto receio só agora?

O brasileiro tem a cultura do “vou deixar o pau quebrar, depois vejo o que faço” que, traduzido, significa “nunca aconteceu nada, nem vai, mas se acontecer eu dou um jeito depois”. O problema é que o “depois” pode custar várias vidas, como na boate de Santa Maria, que custou mais de duzentas. Historicamente, o brasileiro não é previdente, é sempre remediador. E como se não fosse pior, é muito comum nesse tipo de situação, as pessoas envolvidas terem problemas com hospitais por falta de atendimento médico por intermédio de um bom plano de saúde. O ideal nessas horas é acionar um advogado para não ter maiores preocupações além do que o próprio acidente, e poder receber um bom tratamento do seu plano de saúde.

O risco de incêndio é real em qualquer ambiente que tenha materiais que possam ser incendiados (madeiras, tecidos, estofados, etc.), rede elétrica, combustíveis, tubulações de gás, etc.. E não é difícil notar que, num salão de festa, temos todos os elementos acima; no caso do combustível, coloquemos álcool de cozinha, desinfetantes e desengordurantes. É-preciso-estar-atento-a-todos-os-riscos-em-qualquer-lugar.Em muitos, existem as cortinas, tapeçarias decorativas, tecidos decorativos, laços, enfeites de meda, a madeira e o estofado dos móveis e muitos outros elementos. Todo este material aparentemente inofensivo, se somado a uma rede elétrica mal projetada – ou pior, instalada com material de qualidade duvidosa e por profissional sem qualificação -, pode fazer com que uma linda festa se transforme, subitamente, num grande foco de incêndio. Dependendo do local onde o fogo iniciou, ele pode se espalhar muito rapidamente.

É muito comum que os incêndios comecem na cozinha, já que lá o trabalho com fogo é constante e, algumas vezes, a chama alcança o óleo das frituras e se transforme em grandes labaredas. Nas mãos de um cozinheiro habilidoso, estas labaredas são controladas facilmente e sem sustos (em alguns pratos, ela é inclusive intencional), mas em caso de chamas imprevistas, o susto pode fazer como que o óleo em chamas caia em bancadas ou mesmo no próprio fogão, se espalhando com rapidez e se mostrando difícil de apagar. Aliás, um aviso: JAMAIS tente apagar óleo em chamas com água, pois há o risco de uma reação química particularmente perigosa ocorrer e a labareda se converter em uma enorme explosão de fogo. O correto é abafar o fogo (caso o óleo tenha caído da panela) ou tirá-lo de perto do fogão aceso (caso ainda esteja contido na panela).