Romances para Mulheres: Por que o Preconceito?

Romances para Mulheres:  Por que o Preconceito?

Por Jossi Borges

Comecei a ler romances de banca – aqueles, publicados na sua grande maioria em papel jornal e vendidos em bancas – quando conheci algumas comunidades e redes sociais, em 2005. Antes disso, eu era como a maioria do povo brasileiro: Não conhecia e considerava-os “um lixo cultural”. Por quê?

Esse é um preconceito já antigo, enraizado em nossa cultura. O povo brasileiro, que lê muito pouco e, portanto, não conhece o que está por dentro de um “romance água-com-açúcar” definiu sua opinião baseado na ideia seguinte: Literatura de banca, literatura barata, literatura descartável = lixo. Posso até concordar que, em certo ponto, tais romances (Julias, Biancas e Sabrinas, sendo os mais conhecidos), são descartáveis. Até certo ponto. Mas, acreditem ou não, esse tipo de literatura feminina é o que mais se vende em bancas e sebos de todo o país. E é o único tipo de livro que  os sebos fazem questão de comprar, sem reclamar. E de vender, sem dar um centavo de desconto!

Mas afinal, o que existe de tão especial nesses livrinhos?

As mulheres – e atire a primeira pedra, a moça ou senhora que já não teve um livrinho desses nas mãos! – adoram o “romantismo”, a trama focada em uma heroína que as encarna, o “mocinho” que encarna o ideal masculino de todas nós. Geralmente, esse tipo de literatura usa de uma linguagem simples, sem um estilo tal como os críticos literários o compreendem. É rápida, geralmente curta e com final sempre feliz. Como o sonho de todas as mulheres.

Por que os homens detestam esses livrinhos?

O homem, com seu temperamento mais agressivo e menos emotivo, vai sempre preferir livros (ou filmes) em que a ação supere as emoções e tramas psicológicas. Vão preferir adrenalina, medo, suspense, terror – o que, com raras exceções, as mulheres abominam. Homens, por sua natureza mais racional e ativa, preferem visualizar ações compatíveis com eles mesmos. Livros de aventura, terror e mistério. Desta forma, os “livrinhos de mulherzinha”, como são pejorativamente alcunhados, tornam-se o oposto da virilidade e do “bom gosto”.

Livros de banca nos tempos da vovó

Os romances mais lidos nos anos 50 e 60 eram os famosos livros de Louise May Alcott, como “Mulherzinhas” (o nome já diz tudo…) e as famosas coleções “Biblioteca das Moças”, “Barbara Cartland” e “Corin Tellado”. Eu nunca cheguei a ler nenhum desses, fora a metade de um Barbara Cartland, certa vez. Mas ainda hoje em dia os livrinhos mais antigos (denominados carinhosamente pelas colecionadoras de “pré-florzinhas”) têm um público fiel e apaixonado.

Livros de Banca nos anos 70 e 80

Ah, agora os estilos mudaram um pouco. As cenas de amor tornam-se mais fortes, mais “hot” como dizem as leitoras. Os casais trocam carícias mais fortes e beijos profundos. Nada, porém, que choque às mais conservadoras. Esses, fazem parte da safra denominada “florzinhas” pelas leitoras da comunidade Adoro Romances, no Orkut, uma comunidade literalmente “viciada” em romances. Esses eram Julias, Sabrinas e Biancas da editora Nova Cultural, e suas autoras mais famosas foram: Carole Mortimer, Diana Palmer, Charlotte Lamb. Até mesmo Nora Roberts, um dos maiores nomes da atualidade nas listas dos best sellers, foi escritora da época.

Livros de Banca dos anos 2000 em diante

Os costumes liberais, o feminismo, a mudança dos costumes nas mulheres, tudo isso alterou radicalmente a literatura. Hoje em dia, Nora Roberts continua liderando a preferência das leitoras, e os romances de banca, finalmente, estão saindo da sua pretensa marginalidade. Mais mulheres assumem seu gosto por eles, mais homens concordam e apoiam (embora muito poucos leiam), e as editoras apostam todas as suas fichas em reedições de livros antigos.

Perfis dos novos romances femininos

Uma nova face surge nos livros de hoje em dia: O que antes seria considerado um escândalo, o livro erótico, hoje em dia é lido pelas mulheres de todas as idades e classes sociais tranquilamente. Claro, as editoras brasileiras ainda fazem questão de cortar trechos mais ousados, o que as leitoras detestam. Mas, com certeza, o erotismo precisa fazer parte do pacote, ou elas não querem, não… E as novas gerações de leitoras dão ainda mais preferência aos “hots” ou “calientes”… É o perfil da nova mulher! Cada vez mais ousada e segura de si.

Sites e blogs do assunto:

http://romance-sobrenatural.blogspot.com/

http://alternativosindependentes.blogspot.com/

http://romanzine.blogspot.com/

http://dricabitarello.webs.com/

[Para copiar este artigo  cite os créditos como no modelo: Jossi Borges.  “Romances para mulheres: Por que o preconceito”.  Artigo publicado em 03 de dezembro de 2010 – no site http://murall.com.br ]

  • Snake

    O preconceito não está exatamente no romance para mulheres, mas é só mais uma manifestação do conceito machista que impera há alguns milênios.
    E o fato dos homens não gostarem desses romances é porque esfregam na cara deles o quanto eles são inferiores aquilo que as mulheres esperam deles, afinal dá pra se contar nos dedos quantos homens há no mundo que se enquadram em tais padrões – se é que existe.

  • Gizela

    É verdade o que escreveste compadece com a realidade do meu país (Moçambique)..muitas pessoas quando vê alguem com um romance na rua sempre tem tecido comentários maldosos, não tem ideia do quanto esse mercado é lucrativo e move muitas mulheres. Quando eu iniciei.. acho que com12 anos me encantei por eles. Sempre gostei de ler e nunca tive condições para comprar os livros caros, então contentava me com as simples BD e por serem conversas breves acabavam por me extasiar. Até que o meu pai me ofereceu por acaso um simples romance, até agora com 21 anos me vejo com um desses romances na cabeceira. Baixo um monte de livros, leio os best-sellers, os grandes escritores do meu país, mas agrada me os mais antigos livrinhos da nova cultural pois tem teor mais romantico, certo que não muito hot´s mas perfeitos no alcance do sentiment amor. Os livrinhos são reconfortantes, tem o senso romantico (que tanto nos faz bem) mas também nos relaxam bastante.