Representação e Ação Política

Política - arte da representação

Política – arte da representação

A política é a arte da representação. Não a representação dada pelo exercício legislativo, cujos vereadores e deputados são eleitos, com esperança e desânimo, em nossas eleições.

A política é a arte da representação, enquanto é preciso fingir; é preciso a encenação, o brado, o afirmar-se o bom senso, conquanto praticada a loucura e a perversidade das facções. O desonesto, transformado em paladino da moralidade; a incompetência em eficiência e compromisso. É o reino – ou a república – do faz de conta e do engano. Com efeito, não existem cursos para ensinar o postulante à Política ao disfarce? Os projetos eleitorais não são, por excelência, contos e fábulas? Irrealizáveis no mundo real? Acautelai-vos com o canto das más sereias e os golpes dos ciclopes perversos.

Mas a política é, sobretudo, a arte da representação, posto que precisa convencer como os bons atores do teatro. O cidadão médio, com efeito, não julga o político pela prudência das suas propostas, mas é arrastado pelo engano da aparência e pela força das palavras. Olhai, os nossos políticos. Quantos convenceram os eleitores pelos programas de governo? Por outro lado, quantos foram convencidos pela simpatia, pela beleza do poder galã, ou pela maciez das palavras? Estamos, ainda, distante de um cenário favorável, no qual o julgamento político acolhe a crítica e despreza os ornamentos. Aliás, nas últimas eleições – para reforçarmos a força da política atriz – os maiores gastos partidários foram com o esforço do marketing.

Acautelai-vos, portanto, e é preciso como nunca reforçar e repetir a advertência – acautelai-vos – pois a política é essencialmente a representação e o fingimento. Imaginemos, então, admitida a perspectiva, qual o lugar do cidadão: eis que ele ouve e vê, escolhe o seu ator preferido e, agora excluído do espetáculo, deve sentar-se no lugar derradeiro da plateia a fim de aplaudi-los. Ao roteiro da política, contudo, pouco importa o assistente e o sofrimento que demonstra. Escolhei, sentai  e sofrei: tal  espetáculo é obra vossa.
A política é a representação: tal a câmara, o palácio, assim o teatro. O hipócrita, adjetivo máximo do político do nosso tempo, não é nada mais – esclarece a origem da palavra – do que um bom ou esforçado ator.