Reflorestamento e o consumo sustentável

Não é de hoje que os cientistas do mundo todo vêm alertando à população mundial: “estamos esgotando nossos recursos com o consumismo desenfreado e logo estes recursos vão acabar! Se não mudarmos nossos hábitos de consumo e também de produção, o planeta não vai conseguir suprir nossas vontades por muito mais tempo”. E eles tinham razão. Mineradoras têm destruído grandes áreas intocadas para retirar todo tipo de minério do subsolo, deixando para trás uma grande área devastada (grande mesmo, coisa de milhares de quilômetros quadrados). Madeireiras vêm derrubando árvores em quantidade e velocidade muito maior do que a capacidade delas em reflorestar aquela região com novas plantas. Algumas espécies de peixes foram praticamente extintas ou correm sério risco de extinção devido à pesca predatória para suprir um mercado que demanda grandes quantidades de pescado ao redor do mundo, inclusive nas épocas de reprodução destes animais. A água vem sendo usada de maneira irracional e leviana, especialmente no Brasil, onde a água costumava ser encontrada em abundância. O século passado foi um período de grande desenvolvimento, mas os indivíduos ficaram mal acostumados com tanta fartura, com a falsa impressão de que os recursos da Terra eram inesgotáveis.

Mas começaram a se esgotar depressa, subitamente, porque a humanidade ultrapassou o limite de velocidade – e agora, frear ficou difícil. A economia está intimamente atrelada à produção em massa de milhares (milhões?) de tipos de produtos – muitos deles dispensáveis – que são consumidos o tempo todo e em todos os lugares. Uma redução na produção não é uma decisão economicamente aceitável, e os governantes e grandes empresários não estão dispostos a mudar isto nem mesmo pelo futuro dos próprios filhos. Por isso, milhares e milhares de paletes continuam sua dança circulante entre os galpões de estoque, os caminhões e as lojas, trafegando produtos que custaram muito ao meio ambiente – e que na maioria das vezes não são de suma importância para a sobrevivência de uma família.

Tentando mudar o jogo

servicos-de-reciclagem-relevancia.Os alertas sobre a escassez dos recursos naturais ganharam força na década de 90, especialmente na conferência ECO92, ocorrida na cidade do Rio de Janeiro naquele ano. Cientistas e representantes políticos de todo o mundo participaram da conferência, que alertou para tudo o que temos visto hoje em dia: escassez de água, de chuvas, de florestas e matas, de recursos minerais, etc.. Mais irônica é a continuação da fome em tantos países, mesmo com os alimentos sendo produzidos em escala nunca vista antes.

Apesar da conferência não ter resultado em grandes mudanças, ela serviu como um marco. Ela foi a voz dos cientistas, um grito desesperado alertando nações cegas e surdas ao redor do mundo para problemas irreversíveis que afetariam a todas e que estavam chegando a galope. Nem todos deram ouvidos, mas alguns escutaram, entenderam e começaram a travar lutas particulares em pequena escala, tentando fazer sua parte para tentar preservar um pouco o planeta já tão castigado.

reutilização-da-madeira-em-móveis-e-paletes-reflorestamento.Foi quando começaram a surgir com maior evidência as áreas reflorestadas. Alguns – ALGUNS – madeireiros e fabricantes de artigos de madeira como móveis e paletes passaram a adquirir áreas reflorestadas com pinus e eucalipto. Estas espécies de árvores são conhecidas por seu rápido crescimento (atingem ponto de corte com aproximadamente 4 anos de idade) e boa resistência mecânica para os mais diversos fins. Além do mais, é possível cultivá-las com pouco espaço entre as plantas, sendo que mesmo uma pequena área de plantio pode render uma boa quantidade de madeira em pouco tempo. Com esta atitude, árvores mais nobres e de crescimento muito mais lento (algumas espécies levam quase 100 anos para atingir o ponto de corte) deixaram de ser cortadas para uso em móveis finos e mesmo a construção civil.

O reflorestamento também permitiu agilidade e maiores investimentos na produção de papel e celulose. Hoje em dia, é até difícil encontrar resmas de papel que não sejam fruto de madeira 100% reflorestada! Grandes áreas dedicadas ao plantio em rodízio de eucalipto mantêm as usinas de papel constantemente abastecidas. No plantio em rodízio o terreno é dividido em partes iguais e cada uma é cultivada numa época diferente do ano; assim, aquela fazenda produzirá madeira em boa quantidade e poderá fornecer madeira ao longo de todo o ano para as indústrias. E no caso do papel, ainda há a vantagem da reciclagem: o mercado de papel reciclado está em constante valorização, sendo que ele é usado desde cadernos escolares até convites de casamento.

Com pouca conversa, já é possível notarmos que o reflorestamento de áreas destinadas ao fornecimento de madeira mantém abastecidos setores constantemente demandados pela sociedade: madeira para móveis, para a construção civil e papel e celulose. E ainda preserva-se grandes áreas de mata com espécies nativas que não precisarão ser derrubadas para estes fins. Imagine se os mesmos cuidados fossem tomados em relação a recursos co