Rasputin, o Bruxo dos Czares

Grigori Yefimovich Novykhn nasceu na pequena aldeia de Pokrovskoe na Sibéria entre 1869 e 1872. Pobre e parcialmente alfabetizado, atravessou infância e adolescência na região natal. Provavelmente, ajudando o pai nas tarefas diárias, e divertindo-se com mulheres, vodka e brigas com vizinhos. Por isso, logo ganhou o apelido de Rasputinik (Rasputin – equivalente a Pervertido).
Sua terra era de religiosidade e misticismo intensos. Principalmente porque ali próximo estavam depositados, numa igreja, os restos mortais de São Simão. Rasputin cresceu influenciado por esta atmosfera. Na juventude, já dava alguns sinais de possuir a capacidade de predizer fatos futuros.

Rasputin

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Certa vez, um político passava de carruagem pela estrada. O jovem Rasputin acenou e gritou: “A morte é para você e está se aproximando!”. No dia seguinte, o político foi ferido por balas e morreu dias depois.
Inesperadamente, interessou-se por religião e decidiu viajar a um mosteiro. Nesta viagem entrou em contacto com uma seita conhecida como Khlysty (Flagelantes), a qual pregava que o ato sexual era uma forma de obter a salvação espiritual. Sua passagem no mosteiro não foi longa.

Retorna à terra natal e casa-se com uma jovem chamada Praskovia Fyodorovna. O casal teve três filhos. Porém, o casamento foi breve e Rasputin abandonou o lar. Quando conheceu um místico conhecido por Makaria, decidiu vagar pelo mundo.
Em suas andanças, visitava locais de peregrinação religiosa, como o Monte Athos, Grécia e Jerusalém. Ao longo de suas caminhadas, espalhavam-se as lendas de que possuía poderes especiais sendo capaz de curar enfermos e prever o futuro. Apesar de nunca ter recebido nenhum tipo de treinamento espiritual, muitas pessoas, desconhecendo seu passado, passaram a considerá-lo um sábio religioso.

Por onde passava, era procurado em busca de bênçãos; em troca, ofereciam-lhe comida, roupas e dinheiro. Em pouco tempo, ganhou a condição de “homem santo” e sua fama corria as aldeias. Rasputin contava que, recebeu uma revelação divina. Surgiu-lhe um anjo que entoou um canto lhe atribuindo a missão de ajudar os necessitados.
Em 1902, desloca-se para São Petersburgo, onde agregou alguns discípulos e criou um grupo místico denominado Polite Society, baseado nos princípios da Khlysty.

Sua fama junto aos czares teve início em 1905, quando Anya Vyrubova, amiga próxima da czarina Alexandra Fedorovna, entrou em coma após ferir-se gravemente. Os médicos já haviam perdido a esperança de curá-la quando Rasputin foi chamado. O místico, ajoelhado ao lado da cama da vítima, segurou-lhe a mão e chamou-a pelo nome. Assim continuou por horas; até que a vítima, de forma inexplicável, despertou. Rasputin, com as roupas molhadas de suor, desmaiou.
O “bruxo” ganhou confiança e credibilidade entre os czares. Porém, Nicolas II, sentindo-se desconfortável com a presença de um “monge devasso” em seu palácio despachou-o para a Sibéria. Mas a czarina, sensibilizada pela doença e pelo sofrimento do filho hemofílico, passava a considerar a hipótese de recorrer a Rasputin pela saúde da criança, caso fosse necessário.

Numa noite de 1912, Alexei sofria pela dor causada pela hemorragia hemofílica. Desesperada, a czarina enviou um telegrama solicitando o auxílio de Rasputin. O místico respondeu imediatamente, dizendo que Alexei não ia morrer e o sangramento ia cessar. Assim que o telegrama chegou às mãos da czarina, Alexei obteve uma melhora súbita. A czarina atribuiu o fato aos poderes de Rasputin, e exigiu sua presença constantemente no palácio, como se a saúde do herdeiro dependesse dele. Sensibilizado e agradecido, o czar Nicolas II não apenas aceitou Rasputin no palácio, como passou a respeita-lo como um conselheiro do trono.

Ao mesmo tempo em que Rasputin ganhava fama com as mulheres alta sociedade, conquistava também trânsito livre no palácio dos Romanov, como um chefe de estado. Por outro lado, a inveja do príncipe Felix Yussupov e de outros líderes russos, crescia na mesma proporção que se desenvolvia a sua influência.
Quando as tropas russas estavam em desvantagem na I Guerra, Nicolas abandonou o trono para liderar o exército e a ausência do czar no palácio deu mais liberdade a Rasputin, que passou a influenciar as decisões políticas do país.
Certa vez, embriagado, declarou na presença de muitas pessoas que era ele quem mandava na Rússia e que a czarina estava aos seus pés. Alexandra Fedorovna não era russa, e sim austríaca; sendo a Áustria uma das nações inimigas da Rússia. Isto levou a uma onda de suposições de que a czarina traía os ideais russos e sua aproximação com Rasputin, gerou também, boatos sobre uma suposta relação extraconjugal.

Quando Nicolas retornou ao país, encontrou a população faminta, a dinastia Romanov e o seu trono sob contestação popular. Rasputin e Alexandra foram considerados pelo povo os responsáveis por esta situação. Aos olhos do povo, o místico era quem havia ludibriado os governantes visando apenas conforto e poder político; a czarina era a traidora que levara ao declínio a nação que a acolheu.
Um paliativo para esta situação seria eliminar a presença de Rasputin, não apenas do palácio, mas de toda a Rússia. Deste modo, sem que Nicolas soubesse, foi engendrado pelos comandantes russos um meio de assassinar Rasputin.
O plano consistia num convite do príncipe Felix ao místico para que o visita-se na sua residência, sobre o canal do Mojka, um dos canais que levava ao Rio Neva. Nesta ocasião seria servido um jantar. Um dos argumentos era de que a esposa do príncipe, a bela Irene, necessitava consultar-se com o sábio.
Atendendo ao convite, na noite de 16 de Dezembro de 1916, Rasputin foi visitar Yussupov. Foi-lhe servido o jantar, sob a alegação de que Irene logo iria vê-lo. Após uma série de brindes com vinho envenenado, o bruxo não suportou e caiu sobre um sofá. Youssoupov, vendo Rasputin caído e supondo que estava morto, chamou os comparsas que aguardavam no andar de cima. Entretanto, mesmo após uma ingestão alta de veneno, o místico levantou-se. Youssoupov disparou duas vezes contra Rasputin; Purishkevitch entrou na sala e descarregou a sua arma sobre o corpo do bruxo que ainda tentou estrangular o príncipe e fugir. Mas não suportou e sucumbiu.

O corpo do bruxo foi amarrado e castrado; em seguida, atirado nas águas frias do Rio Neva, tendo sido encontrado três dias depois e enterrado. Em Fevereiro do ano seguinte, o corpo foi exumado e queimado pela multidão. Dias depois, numa autópsia, o coração de Rasputin foi retirado e guardado na Academia Militar de Medicina. Em 1930, o coração desapareceu misteriosamente.

Na ocasião do seu assassinato, o veneno não surtiu o efeito desejado, provavelmente, devido a uma cirrose que “filtrou” a substância e atenuou o seu efeito no organismo.
Ainda, conta-se que Rasputin teria previsto a sua morte profetizando uma tragédia. Numa carta enviada ao czar, o bruxo dizia que se Nicolas ou algum de seus familiares tivesse a intenção de assassiná-lo, nem o czar nem ninguém de sua família viveria por mais de dois anos. O fato é que dezenove meses após a morte do místico, o czar e toda sua família foram executados por revolucionários.

Não é possível afirmar que ele realmente possuía “dons especiais” ou era apenas um hábil hipnotizador. Desde a data exata de seu nascimento, o seu nível de instrução, ascensão e queda política, e até a sua morte, são alvos de várias especulações. Mesmo se fosse um místico, ou um ser espiritualmente elevado, não deixou um tratado ou um livro referencial. Algumas fontes cogitam que Rasputin possuía um comportamento rude e pernicioso; mas era extremamente hábil nas palavras e argumentos.
Hipóteses menos confiáveis afirmam que o bruxo ainda vive e teria sido fotografado. Outro fato curioso é que o pênis de Rasputin, conservado em substâncias químicas, encontra-se exposto num museu erótico na cidade de São Petersburgo. Numa publicação recente, o livro “Rasputin: a última palavra”, do historiador russo Edvard Radzinski, desmente alguns mitos, mas reafirma que houve um caso amoroso com Alexandra.
De qualquer forma, toda sua biografia é repleta de lacunas que dão vazão à divagações de estudiosos. Mas, são essas incertezas que fazem dele um dos personagens mais intrigantes e misteriosos da história recente da humanidade.