Quem tem medo da concorrência?

Desde que o mundo é mundo, existem pessoas com talento para vender e outras com talento para comprar (na verdade, em algumas, esse talento é meio exagerado). E normalmente essas com talento para vender têm faro para bons negócios. Sempre tem alguém perto de nós com ideias mirabolantes e que podem, realmente, conquistar uma fatia muito interessante do mercado! Veja como a Apple, por exemplo, cresceu, quando se rendeu ao visionário Steve Jobs e aos dispositivos que ele SABIA que fariam sucesso! Apesar de uma visível queda no interesse, o iPhone provocou filas quilométricas todas as vezes que anunciava a data de lançamento de um novo modelo – e cada um trazendo recursos cada vez mais sofisticados, além de apps sem os quais seus usuários já não conseguem mais viver. Mesmo sendo produtos caros, a marca continuou dando a cara a tapa para a concorrência pois sabia que tinha um diferencial.

E é assim com toda empresa que acredita no próprio taco. Elas não se intimidam diante da concorrência, mesmo sabendo que seus preços não são exatamente os mais baratos, ou a manutenção de seus produtos não é a mais acessível (caso da Apple, aliás). Estão sempre ali, na mídia, na internet, na boca do povo, se divulgando. Você percebe o nível de confiança da empresa quando ela exibe seus preços na internet – mesmo sabendo que a concorrência está na cola para basear seus próprios preços -, inclusive se permitindo ser rastreada por comparadores de preços online (como os comparadores de preços de medicamentos e de eletrônicos, por exemplo). Se ela não esconde o preço de seus produtos e serviços, é porque confia em seu potencial e sabe que oferece algo diferente.

Concorrência é tudo de bom

A concorrência nem sempre é aceita.Há quem deteste concorrência. Isso se vê muito, por exemplo, nas cidades menores, onde normalmente só existe uma ou duas empresas de um mesmo segmento em atuação – vamos dizer, uma oficina mecânica. Uma é melhor na manutenção de motores, a outra é melhor em suspensão, mas ambas divulgam que trabalham com tudo, e tem sido assim por anos. De repente surge uma terceira oficina, mais equipada, com visual mais moderno e mais limpo, funcionários uniformizados e constantemente treinados até para lanternagem e pintura. Pronto. Os proprietários das outras duas oficinas já não conseguem mais dormir pois sabem que, só pela aparência da oficina nova, seus clientes de todo dia vão se mudar pra lá da próxima vez que precisarem de manutenção. “Traidores! Vão parar de vir aqui só porque a outra é mais bonitinha?? Vão, podem ir!”. E vão, mesmo! Afinal, se a outra se apresenta melhor e treina seus funcionários, é certo que os automóveis que receberem lá serão mais bem tratados, com mais carinho. E qualquer coisa, se não der certo… é só voltar pra antiga oficina. O problema é se DER certo…

Quando isso acontece, as empresas antigas têm duas opções: ou confia tanto em seu taco que não muda nada, com a certeza de que seus clientes vão acabar voltando pra sua loja, ou… se adaptam para alcançar o mesmo patamar que a concorrente, ou mais ainda: supera esse patamar. Mas isso exige estudo, análise de mercado, conversas com o contador e investimento; muito investimento. Empresas que param no tempo costumam ter até as paredes sujas de poeira tamanho o comodismo que alcançaram – e de repente, se veem obrigadas a consertar tudo, repintar tudo, remobiliar tudo, treinar todo mundo. No acumulado, o valor necessário realmente é alto, mas essa atitude normalmente só é despertada quando a concorrência chega – e é por isso que ter um concorrente novo na cidade é bom. Principalmente para os clientes!

Mas e se deixar pra lá?

Essa é uma opção, como já vimos; afinal, nenhuma empresa é OBRIGADA a se melhorar e se aprimorar “só porque” chegou um concorrente novo na praça. Entretanto, quando a concorrência chega é que os clientes percebem como aquela empresa mais tradicional estava estagnada, parada no tempo. Essa percepção dá a eles a sensação de que eles não são importantes nem mesmo para serem melhor atendidos, ou brindados com mais variedades ou mais qualidade nos produtos. “Nossa, nem mesmo pintam as paredes, nem de vez em quando? É isso que merecemos?”. Percebe agora o risco dessa escolha?

O consumidor está muito mais alinhado aos comparadores de preços do que no atendimento em si.O consumidor atual é muito, muito mais exigente e observador do que aquele de algumas décadas atrás, que acreditava em quase tudo que ouvia dos lojistas, que não era acostumado a pechinchar e que não ligava tanto assim para a qualidade do atendimento. Não, meu amigo… O consumidor de agora é esperto, informado, conectado com o resto do mundo – e isso quer dizer que ele tem parâmetros mais que suficientes para comparar a sua empresa com as outras. E que se ele não gostar do que perceber na sua, ele vai virar cliente da concorrência sem dó nem piedade. “Não é nada pessoal… mas é que a outra loja é melhor”.

Por isso é que a concorrência é boa. Mas dá trabalho e sai caro acompanha-la de supetão, por isso, mantenha a sua empresa sempre atualizada, sempre pronta para a chegada de outra do mesmo setor.