Porta na Cara do Ladrão

Houve época em que tínhamos um organismo extremamente forte e repressor, onde quase nada acontecia que pudesse levar pânico à população de uma quieta e pacata cidade do interior do estado. A polícia agia com rigor, muitas vezes exagerado, confesso, mas de uma eficácia tremenda e podíamos caminhar com muita tranquilidade pelas ruas, enquanto namorávamos sob o olhar de uma grande e bonita lua.

Dar uma volta no quarteirão, hoje, a partir das 20h00min ou ainda ao meio dia, em qualquer lugar deste país, e você verá o quanto mudou aquela situação que vivíamos no passado. Não estamos muito longe, em medida de tempo, do momento mencionado, pois falo de apenas vinte anos atrás. Atualmente, os larápios nos assaltam a luz do dia, em avenidas lotadas de pessoas e policiais, e já não saem mais correndo, e, sim, andando calmamente em total impunidade. Nada, absolutamente nada, os ameaça, nem mesmo a repressão da lei, que aparenta para a sociedade um organismo em um lamentável estado de falência múltipla.

O Estado te orienta a não reagir, quando um ladrão entra em sua casa, prende alguns no banheiro, violenta sua mulher e sua filha, dá um tiro de graça na cabeça do seu rapaz, entra no seu carro na garagem, e vai embora tranquilamente, com o porta malas cheio de seus bens. Mesmo que você tenha uma arma e possa se defender, não o faça, porque se você der um tiro no bandido e o matar, ou mesmo ferir, quem vai ser condenado é você, e o meliante recebe visitas no hospital, por parte dos defensores dos direitos humanos.

Um estudante universitário, em São Paulo, chega à noite em casa depois da faculdade e, ao entrar pelo portão é abordado por três assaltantes. Em uma reação automática de tentar preservar sua vida, o rapaz tenta fechar o portão, mas o ladrão entra forçando-o. Depois de várias ameaças e de roubarem alguma pouca coisa do moço, saem e vão embora. No entanto, o meliante que havia levado com o portão na cara, volta e efetua um disparo fatal na cabeça do rapaz, que não voltou mais para a faculdade. Não se pode nem mais fechar a porta na cara do ladrão, neste país.