Pedro Juan, O Escritor das Mulatas e do Desespero

É sempre bom ler os escritores que estão vivos. Não que os mortos não tenham seu valor. Muito pelo contrário. Só que os mortos se tornam clássicos, são estudados em universidades, se tornam unanimidades. Aí que mora o perigo.  Um escritor morto muitas vezes se torna mumificado. Quando não, até mesmo apodrecido. E os críticos adoram arrastar cadáveres por todos os lugares…

Atualmente, um escritor que está vivíssimo e atuante  é  Pedro Juan Gutiérrez. Ele mora em Cuba,  onde nasceu na cidade de Matanzas e sempre morou(atualmente ele mora em Havana). Ele está  com quase 60 anos de idade. Mas é um escritor cheio de vitalidade. As páginas dos seus livros têm muito sexo, salsa e rum. Ao mesmo tempo, também tem muita miséria, desilusão, desespero. O seu livro mais conhecido é a TRILOGIA SUJA DE HAVANA, uma reunião de contos, que ele escreveu de uma maneira precária.  A época retratada no livro é Cuba de 1995, um período conhecido como o ‘grande êxodo’. Os cubanos, desesperados com a situação econômica de Cuba, se atiravam ao mar, em barcos precários, com a esperança de chegarem ao paraíso chamado Miami.

Pedro Juan

Pedro Juan com um bom charuto e um copo de rum.

Pedro Juan preferiu ficar em Cuba, morando na cobertura de um prédio decadente, cercado de miséria e loucura. Ele tinha que improvisar várias formas de ganhar algum trocado, já que havia perdido seu emprego de jornalista. Mesmo na maior miséria, já que não se podia encontrar nem mesmo um pedaço de sabonete, Pedro Juan continuou vivendo. E viver significava beber rum, dançar salsa e transar com mulatas. O livro tem muito sexo, mas não é um sexo refinado. É um sexo sujo, suado, até mesmo nojento.

O livro é escrito num estilo tosco, brutal, viril. Não tem nada de sofisticado. As coisas são ditas de uma maneira crua e cruel. Não há um olhar generoso para o mundo. Há um olhar de repulsa e de perplexidade. Há também muita violência nos contos.  É algo que se aproxima do pesadelo. Mesmo assim, Pedro Juan consegue manter o humor e nos encanta de uma forma surpreendente.

Nos outros livros, quase todos autobiográficos, temos o mesmo Pedro Juan: bruto e libidinoso. No ANIMAL TROPICAL, o escritor parece feliz com o seu reconhecimento internacional, já que ele é um autor premiado e traduzido em vários países. No livro ele conta o envolvimento com a sueca Agneta, que vive momentos calientes com este macho tropical. Mas o sempre inquieto Pedro Juan prefere o sangue quente das mulatas cubanas.

Outro livro autobiográfico é O NINHO DA SERPENTE. Pedro Juan conta a sua adolescência, numa Cuba que dá seus primeiros sinais de decadência. Mas o jovem Pedro Juan é forte, viril, um macho ainda filhote, mas que quer sexo com qualquer uma, inclusive com uma prostituta velha, que já aparece nas primeiras páginas do livro. O NINHO DA SERPENTE tem o mesmo estilo direto e sem rodeios dos livros anteriores.

Ainda poderia citar os outros livros de Pedro Juan, mas quem quiser saber mais é só entrar no site oficial do escritor, que, aliás, não usa computador e só escreve a mão. O site contém trechos e contos completos.  O endereço é www.pedrojuangutierrez.com, onde tem contos em português e em espanhol.