Palete original é melhor

Sempre que dizemos que um determinado produto é pirata, não resta dúvida: é de qualidade duvidosa. Seja um eletrônico, uma roupa, um sapato, ou até mesmo um frasco de perfume ou uma joia (quem não se lembra da polêmica das joias chinesas que eram feitas de metal tóxico?). Ainda que o custo seja mais convidativo, ao adquirir um produto pirata, o comprador sempre fica desconfiado e pronto para ter problemas com aquele objeto a qualquer momento, não é?

Qualquer produto pirata está suscetível a apresentar problemas, não importa sua natureza. Mesmo aqueles considerados mais simples podem acabar nos presenteando com algum prejuízo. Um relógio pode parar e funcionar, um tênis pode se soltar todo, e até um palete de madeira pode apresentar problemas se não for “original”. “Hã? Existe palete pirata??”.

O padrão PBR

Existe sim, e o caso é sério.

Paletes-de-madeira-usados-no-brasilOs paletes de madeira usados no Brasil seguem um padrão – ao menos, 70% das peças em circulação seguem o padrão PBR, cujas dimensões são 1,20m x 1,00m. Antes, quando não existiam medidas padronizadas, circulavam todo tipo de medidas por aí, e isso dificultava muito o transporte dos paletes (alguns não se encaixavam bem nas pás das empilhadeiras) e também a estocagem dos produtos sobre os paletes porque, como haviam tamanhos diferentes, era impossível fazer uma fileira uniforme que utilizasse bem todo o espaço do galpão. Sempre ficavam áreas importantes sem uso porque os paletes restantes não cabiam ali. Isso começou a se tornar um problema.

Após alguns estudos técnicos, foi percebido que a maioria das prateleiras dos supermercados, tanto nas araras quanto nos estoques, tinham a profundidade máxima de um metro, nunca a mais do que isso. Aí chegaram a uma das medidas dos paletes: um metro exato. Essa medida não poderia ser alterada, mas a da largura sim, a fim de possibilitar que cada palete de madeira pudesse carregar mais produtos. Mas essa medida não poderia ser aumentada em excesso, sob o risco de prejudicar o equilíbrio do palete carregado e ele cair da empilhadeira (inclusive colocando a vida do operador e de outros funcionários em risco, além do prejuízo financeiro em si). A solução foi aumentar só um pouco: 20 centímetros. Com isso, chegou-se à medida usada em todos os paletes PBR encontrados. E assim, todos os galpões de armazenamento passaram a ser construídos de acordo com estas medidas, para que o espaço interno fosse aproveitado ao máximo sem desperdício de espaço.

Existe ainda o padrão EURO que, como o próprio nome sugere, é o padrão mais utilizado na Europa. Lá, essas medidas são de 1,00m x 0,90m, ligeiramente menores que o PBR. Sendo um pouco menor que o PBR, sua carga máxima também é menor (o PBR suporta 1.200 quilos e o EURO, de 900 a 1.000 quilos). Se considerarmos que lá o espaço disponível par a construção de galpões de armazenagem é bem menor que o do Brasil, fica fácil entender a diferença básica entre estes padrões. Assim como no Brasil, lá os galpões também são construídos de acordo com estas medidas.

O problema dos piratas

pirataria-dos-paletes-devemos-nos-preocuparO problema no uso dos paletes piratas está principalmente aí. Um palete, a grosso modo, não é mais que um estrado de madeira, onde as ripas estão mais próximas para aumentar a capacidade de carga bruta sobre o palete sem que a estrutura se rompa. Alguns até têm as ripas mais largas, mas a construção deles é diferente, inclusive na largura das ripas. Porém, os paletes piratas são construídos sem preocupação rígida com os padrões – o único detalhe observado é o das medidas entre os barrotes (as ripas mais grossas de baixo que suportam as ripas de cima), já que mesmo estes piratas terão que ser carregados por empilhadeiras. No mais, nenhum outro detalhe costuma ser considerado: a largura das ripas, a distância entre elas, a qualidade da madeira utilizada… nada disso. Assim, é impossível saber qual a carga máxima suportada por estes paletes, e o risco que isso envolve é óbvio: ele pode se romper durante o transporte, gerando grandes prejuízos financeiros e podendo ferir gravemente o operador da empilhadeira e quem mais estiver por perto. Isso configura acidente de trabalho, inclusive.

Por isso, não convém arriscar. O mais apropriado é adquirir paletes produzidos por fábricas certificadas que possam garantir a qualidade dos paletes comprados e também a procedência da madeira utilizada na fabricação – outro detalhe importante, ainda mais em tempos em que a sustentabilidade é a palavra-chave para todas as atividades humanas.

A única vantagem do produto pirata é o preço. No mais, é tudo desvantagem.