Ozzy Osbourne Empolga Plateia em São Paulo

Ozzy Osbourne

Ozzy Osbourne

Ozzy Osbourne subiu ao palco do Anhembi pontualmente às 21h30 e, mesmo antes do primeiro acorde, conclamou: “quero ver vocês ficarem loucos esta noite”. Abriu os trabalhos com “Bark at the Moon”, do disco homônimo de 1983, e logo emendou com “Let Me Hear You Scream”, única do último disco “Scream” (2010), a figurar no repertório. Aos 62 anos, Ozzy tem uma certeza: os fãs que comparecem a seus shows querem saber dos clássicos – e dá boas doses deles em uma hora e meia de show.

“Vocês sentiram minha falta?”, pergunta ao microfone, logo antes do teclado marcar a chegada de “Mr. Crowley”. Ozzy vai usando esses truques em quase todos os intervalos entre as canções. Como era de se esperar, o público entra no jogo e vai aumentando os gritos gradativamente. É o típico show em que o mestre de cerimônias pode fazer quase qualquer coisa que o público vai gostar.

Ozzy usa esse poder para mascarar os pequenos defeitos do show. O cantor, com dificuldade em alcançar os agudos da juventude, altera o tom de algumas músicas, descaracterizando de leve clássicos como “Iron Man”. Como representante vivo dos anos 70, Ozzy se dá ao direito de manter um momento para um longo solo de bateria e um de guitarra em “Rat Sallad”, também do Sabbath, onde o guitarrista Gus G. aproveita para ganhar ainda mais a plateia com uma versão turbinada de “Brasileirinho”.

Talvez, o maior sentimento que se sinta no ambiente do show seja reverência. À frente de um séquito de devotos está um dos responsáveis por criar o heavy metal e trazer a obscuridade para o rock n’ roll. Todo moleque que já teve cabelo comprido em seus 14, 15 anos tem uma dívida com Ozzy, e, com isso, perdoa os deslizes de seu ídolo – afinal, ele já não tem a voz de um jovem.

Os grandes momentos da apresentação surgem com os clássicos do Sabbath. O bumbo que anuncia “Iron Man” é acompanhado por uma coreografia de punhos para cima, enquanto o coro da plateia junto ao riff de guitarra final de “War Pigs” mostra um dos momentos mais próximos que o rock pode chegar de um culto.

“Crazy Train” acaba a primeira parte do show com o público em ritmo tão frenético que o cantor nem sai do palco para voltar para o bis. Emenda uma versão envolvente de “Mama I’m Coming Home” e uma semi-capenga de “Paranoid”, que de alguma forma resume bem o show: aquele senhor no palco merece louvor, mas aos 62 anos mostra que já teve momentos melhores. Se a perfeição técnica já não é possível, fica o registro histórico.
(Critica de Tiago Agostini)