Overdose tecnológica, ou como Steve Jobs quer destruir o Mundo

Sinceramente, estou começando a pensar que estamos a um passo de uma overdose tecnológica. Todos os dias acordamos e nos preparamos para sair de casa, seja para trabalhar ou estudar. Temos um exército de ferramentos à nosso dispor: celular, smartphone, notebook, GPS, internet (e seus derivados: Orkut, Facebook, Twitter, MSN). A tecnologia está presente em nossas vidas de uma maneira tal que não podemos nos livrar dela. A internet, por exemplo, nos mantém conectados à internet de tudo que é forma. Não bastasse estar presente em diversos aparelhos portáteis, agora é a vez dos televisores que permitem assistir vídeos do YouTube ou ler os últimos tuítes dos famosos, por exemplo, apenas apertando um botão no controle remoto.

Steve Jobs e o Iphone

Mas eu me pergunto, até onde isso vai nos levar? A um mundo sem fronteiras como no slogan da TIM? Provavelmente. Tanto que já não poderemos nos livrar dos compromissos. Poderemos trabalhar a qualquer hora, em qualquer lugar. Nos tornaremos escravos sem correntes. Escravos livres, presos aos nossos gadgets. Não é exagero. Tanto que já existe até especializados em tratar pessoas viciadas em internet. E olha que não é disso que estou falando. Não é do vício, é da necessidade. Eu mesmo tenho que passar o dia inteiro procurando coisas interessantes na rede para publicar em meus blogs.

Há vantagens? Sim, há. Eu não preciso bater cartão. Não preciso aturar chefe chato. Não preciso conviver com a fofoca, a inveja e todos os vícios do ambiente de trabalho. Sinceramente ganho um bom dinheiro trabalhando na internet sem precisar sequer sair de casa. Tem muita gente trabalhando em casa, é uma tendência que vem se firmando cada vez mais.

Por outro lado, não tenho horário. Estou preso. Minha mente está sempre ligada. Meus sentidos precisam ficar despertos para que eu não deixe uma oportunidade passar. Tenho medo de ficar sem internet, de me desconectar um segundo e perder um bom negócio. E isso é terrível. E o pior: já me aconteceu de ficar um dia desconectado e quase perder uma oportunidade de trabalho. Eis aí porque tenho tanto medo de ficar longe da tela do computador.

É mais ou menos como naquela música do Raul Seixas, “Ouro de Tolo”: conquistei tudo o que eu queria, mas e daí?

E daí?

E daí que estamos ficando obcecados por novas tecnologias. Veja o caso do iPad. Antes do produto chegar às mãos da pessoas, muita gente alardeou o fato de que era um produto inútil, que não tinha muito sentido, porque não era nem um smartphone, nem um computador, nem um iPod, nem um iPhone, que não exibia páginas em Flash, e etc e etc. E todo mundo sabe o que aconteceu. Quando as portas da Apple Store abriram as pessoas correram para por as mãos no produto. A empresa dirigida por Steve Jobs vendeu 300.000 iPads num único dia. 300 mil unidades de um produto que ninguém precisava.

Se eu pudesse fazer uma pesquisa, tentaria descobrir porque tanta gente passou a madrugada na fila pata poder comprar um iPad assim que a loja abrisse. Certamente são pessoas que não tem família. Que não tem vida social. Ou vai me dizer que tem gente trocando uma boa noite de sono ao lado da pessoa amada por um brinquedo?

É possível.

Na ânsia de ter nas mãos um brinquedo novo, acho que as pessoas estão deixando de viver. Então estou começando a acreditar que Steve Jobs é o anti-cristo por que ele está criando produtos capazes de desunir as famílias; produtos capazes de suprir as carências afetivas que o çar e a sociedade talvez não estejam conseguindo.

Alguém precisa fazer alguma coisa para salvar o mundo. Não vai demorar para acabarmos controlados pela tecnologia. Ou o que é pior: pelos CEOS das empresas de tecnologia. Não poderemos ir nenhum lugar sem que alguém esteja nos vigiando. Isso parece familiar? Sim, é o Big Brother cada vez mais presente. Dúvida? É só ver alguns casos recentes noticiados na mídia para perceber que logo não daremos um passo sem que alguém saiba.

Por exemplo, o Casal Nardoni. A polícia conseguiu fazer um timeline de tudo o aconteceu no dia em que a Isabella morreu por causa do GPS instalado no carro de Alexandre. O caso mais recente envolve o assassinato do cartunista Glauco. A versão do rapaz que acompanhava o assassino foi desmentida por causa de um celular. E mais recentemente um empresário do RS foi salvou porque um aplicativo criado por ele mesmo, e instalado em seu celular, denunciou que seu carro saiu da rota habitual. Pra mim, isso é uma coisa sinistra. Pois com um software desses, num futuro distante, não poderíamos nem pegar uma rota diferente na hora de ir para casa, sem que um alarme tocasse na sala do Big Brother.

É o fim do mundo. A tecnologia pode até salvar vidas, mas tenho medo de que acabaremos presos à ela, imersos num mundo irreal. Como em Matrix. E teremos que criar avatares para fugir do controle da sociedade. Se algo não for feito, a tecnologia vai acabar com as nossas vidas, e nos transformará em robôs, sem liberdade para pensar, ou agir. E teremos apenas que seguir as ordens do grande irmão.