Os Negros e a Educação No Brasil

Quando falamos em escravidão no Brasil, facilmente somos arremetidos àquele período negro da história em que o comércio de escravos era uma das grandes minas de ouro de ricos fazendeiros, comércio este só prejudicado pela Lei Áurea que decretou o fim da escravidão no Brasil, em 1888. Mas será que realmente acabou a escravidão no Brasil? É óbvio que não. E nem tampouco no mundo.

Olhando sob a ótica da segregação racial,  é fácil percebermos por que há tanta escravidão em nosso país. Desde que foram formalmente libertos, os negros, devido à falta de um programa de incentivo à reintegração deles na sociedade, viram-se entregues à sua própria sorte, sendo obrigados a viver à margem dessa mesma sociedade preconceituosa.

Em  resultado dessa exclusão social, e sem poder brigar legalmente por seus direitos, os negros – que constituíam a maioria da população – se viram obrigados a viver na periferia das cidades, se submetendo inclusive a trabalhos pesados e mal remunerados.

De lá para cá pouca coisa mudou. A dificuldade de inclusão do negro e de seus descendentes à sociedade trouxe, como reflexo direto, a desqualificação profissional dessa classe tão sofrida, ensejando que os melhores empregos e, conseqüentemente, os melhores salários se tornassem quase monopólio dos brancos e elitizados. Ademais, por não ter acesso a um ensino público de qualidade, a população afro-brasileira tem menos chance de ingressar numa universidade pública; sem contar que a maioria não dispõe de recursos financeiros para cursar, por exemplo, uma faculdade particular, cuja mensalidade custa o olho da cara.

Entretanto sabemos que há algumas iniciativas governamentais que objetivam reparar as injustiças históricas causadas aos negros e aos seus descendentes. Algumas são polêmicas, é verdade,  como é o caso do sistema de cotas para estudantes negros, implantado no Brasil desde 2001.

Mas aprofundando o assunto, com certeza a maioria de nós concorda – quer sejamos negros, brancos, ricos ou pobres – que, se o governo cuidasse melhor da educação, todos ( eu disse “todos”, sem exceção ), estariam em condições  reais de concorrer de forma igualitária a qualquer vaga oferecida nas universidades deste país e até do exterior.