Os Livros Lidos pelos Personagens de Avenida Brasil

Livros Lidos pelos Personagens de Avenida Brasil

Livros Lidos pelos Personagens de Avenida Brasil

Aquele papo de que televisão é um entretetimento bobo que não estimula ninguém a buscar conhecimento em outras fontes não é totalmente verdade. As novelas da Globo, sempre tão criticadas por quem pensa assim, têm agora como exemplo a novela Avenida Brasil. Na trama, o ex-jogador de futebol Tufão, interpretado por Murilo Benício, tornou-se um devorador de livros. A cozinheira Nina, personagem de Débora Falabella, foi a responsável por apresentar ao patrão o maravilhoso mundo da leitura.

Na novela, os livros que Nina indica para Tufão sempre dão pistas do que está acontecendo ao redor dele, mas que ele não sabe ou não percebe. O ex-atleta gosta muito das indicações dela e de vez em quando surpreende a família com um comentário sobre a história ou o autor. O que ele nem imagina é que, na verdade, está comentando situações que estão sendo vivenciadas pelas pessoas que o cercam.

Madame Bovary”, de Gustave Flaubert, é um exemplo. O livro conta a história de uma camponesa que, por ser bonita e ter bons modos, consegue casar-se com um médico. O marido é apaixonado por ela, porém Madame Bovary não se satisfaz com a vida que leva e busca no adultério um alívio para sua frustração. Tufão lê a história, mas sequer desconfia que o mesmo acontece em seu casamento com Carminha, que só subiu na vida graças à união com ele e mantém um amante há anos. A traição de Carminha também é sugerida em “Dom Casmurro”, de autoria de Machado de Assis. O livro cria uma dúvida quanto à fidelidade de Capitu, mulher de Bento, e à paternidade do filho dela. Teria Capitu traído o marido com o melhor amigo dele? Essa dúvida não é respondida mesmo ao fim do livro e o julgamento fica por conta do leitor. Tufão gostou do livro, mas nem imagina que o pai dos dois filhos de Carminha é Max, seu cunhado.

Outra pista muito claramente relacionada à trama da novela está no livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, também de Machado de Assis. Nele, um homem já morto começa a contar sua vida de trás para a frente. Na trama da novela, o morto corresponde a Genésio, pai de Nina. Só quando Nina se vingar de Carminha, a responsável pela morte dele, Tufão vai entender tudo o que a cozinheira fez e os motivos dela para isso. É a história contada do fim para o começo, como no livro.

Entre as obras que Nina indica para o patrão estão ainda “A Metamorfose”, de Franz Kafka, “A Interpretação dos Sonhos”, de Sigmund Freud e “O Primo Basílio”, de Eça de Queirós. Em retribuição, Tufão a presentou com “O Livro de Sonetos”, de Vinícius de Moraes. Outro personagem de Avenida Brasil que também já apareceu encantado com a leitura foi Adauto, intrepretado por Juliano Cazarré. O gari que está aprendendo a ler foi mostrado com “O Pequeno Príncipe”, de  Antoine Saint-Exupéry. Todos os livros citados na novela são muito conhecidos e qualquer pessoa interessada pode encontrá-los sem dificuldade.

Agora que o incentivo já foi dado, cabe ao telespectador dedicar algumas horas à leitura de um bom livro, em vez de ler apenas resumos de novelas. Acompanhar teledramaturgia é ótimo, mas estimular a própria criatividade é melhor ainda.