Os desafios da medicina brasileira

Atualmente existem mais de 300 mil médicos em atividade no país e mais de 150 faculdades que formam mais de 12 mil novos doutores por ano. Além disso, há incontáveis enfermeiros e demais profissionais da saúde, mas mesmo assim a saúde não está nada bem. Os esforços parecem ser grandes, principalmente com o programa Mais Médicos, que trouxe de Cuba outros profissionais para atender a demanda dos municípios carentes de todo o país. Entretanto não basta ter apenas profissionais, é necessária uma infraestrutura descente e informatizada, além de mais incentivo e qualificação.

Falta qualificação

MédicoOs novos profissionais estão lamentavelmente sem qualificação adequada para o exercício da profissão. Nem sempre o número de médicos formados representa uma melhoria na assistência à população, que sofre com o atual cenário. Medidas como a implementação do prontuário eletrônico poderiam melhorar significativamente o quadro, mas ainda existem barreiras. Alguns profissionais se recusam a aceitar o prontuário eletrônico por diferentes fatores, como a falta de preparo para seu uso ou mesmo a afirmação que há falta de privacidade dos dados recebidos.

Dados da Comissão Nacional de Residência Médica mostram que aproximadamente 40% dos médicos formados aqui não possuem a capacidade de realizar a residência, estágio ou especialização, principalmente por não haver vagas suficientes para todos. Além disso, os programas atuais não tem nem 50% da qualificação exigida por organizações médicas de países de primeiro mundo. Os governantes ainda não levaram em consideração que profissionais mal capacitados representam um risco grande a população. São comuns os casos de erro médico que podem causar a morte e outras doenças.

A coisa não anda nada bem

Nos Estados Unidos foi realizada uma pesquisa que apontou que os erros médicos são a quinta maior razão de morte no país. Se lá que as coisas são mais avançadas o quadro é este, imagina aqui no Brasil? Não há números quanto ao erro dos médicos daqui, sobretudo porque os dados são mascarados para evitar maior alarde e muitas vezes o erro médico não é apontado como causa de muitas mortes. A formação médica deficiente e um sistema de saúde falido pode causar um edema grande na população, que não tem a quem recorrer, já que os planos de saúde também não vão bem.

Avaliação da qualidade de ensino

O principal ponto a ser levado em consideração é uma ampla avaliação da qualidade do ensino de saúde no Brasil e isto deve ocorrer em todas as áreas de saúde. As escolas não atuam bem e formam mal, gerando uma inquietação se os profissionais estão qualificados ou não. O descaso do governo é nítido e isso em várias gestões, que se mostraram ineficazes quanto a avaliação e melhora nos diferentes segmentos da saúde.

Falta verba, os salários são baixos, falta medicamento, leitos e ainda há o descaso moral de muitos médicos. No setor privado, a saúde é tratada como mercadoria em que a mais valia predomina. Há uma grande exploração de médicos, prestadores de serviços e pacientes, que pagam cada vez mais caro por um serviço que deixa a desejar. Neste quadro só resta ao povo brasileiro rezar, pois os desafios médicos daqui estão longe de serem solucionados.