Os Caras de Pau

Palácio do Planalto - Brasilia

Palácio do Planalto – Brasilia

De pedra, ou de mármore. Isto não é uma referência a nenhum programa de televisão, que normalmente utilizaria este nome em piadas, ou em chocarrices para divertir um público que não tem outra opção de divertimento ou lazer. Infelizmente, temos que usar esta expressão para ilustrar uma triste e lamentável realidade, que permeia os recônditos dos bastidores políticos em nosso país.

É bom não mexer muito com isso, para que o odor não fique mais desagradável do que já é. A toque de caixa, num relâmpago de desejo desenfreado, nossos políticos aumentam seus salários no último momento, na última badalada do sino da contenção, e tome lá sessenta por cento nas costas do povo, que não tem segurança pública, não tem escola, não tem médico, não tem, não tem. Décimo terceiro virou “Décio Teixeira” para o povão, enquanto que na Câmara Municipal de Belo Horizonte, além do Teixeira que é bem gordo, obeso mesmo, tem o décimo quarto e também o décimo quinto.

Diante de um quadro depressivo, causado pelas necessidades da população que não são atendidas, os parlamentares não se envergonham de receber três salários adicionais no final do ano e se respaldam em leis que dizem garantir tais benefícios. Lembro-me da lei que garante prisão privilegiada aos criminosos com curso superior, contrariando o princípio da igualdade de direitos e de deveres perante a justiça, que porta a venda nos olhos, justamente para não fazer distinção. Ou pelo menos, assim deveria ser.

O presidente da Câmara, disse que vai continuar pagando os três salários a mais aos parlamentares, independentemente do Tribunal de Justiça (?) de Minas Gerais ter considerado uma afronta à Constituição, mais uma vez rasgada na nossa cara. Os magistrados entendem, cheios de razão, que a legislação está tratando nossos políticos de forma diferenciada (quem é que cria as leis?) dos demais trabalhadores, pois eles ocupam cargos eletivos, além de terem seus mandatos temporários (precisam se aposentar cheios da nota, e o tempo é curto!). Léo “Burguês” não vai suspender os pagamentos, e danem-se as necessidades do povo. Eles vão lutar até a morte, para não perder o benefício, como o fazem os animais no meio do mato para não perder a teta da mãe. O mais forte sobrevive, e neste diapasão espero que seja a justiça.